Patrick Dempsey é o chamariz de longa que apenas recicla velhas e consagradas receitas
Se já não bastasse as comédias
sofrerem com trailers que fazem questão de reunir as melhores piadas e
praticamente contar suas histórias do início ao fim, os títulos nacionais, e
até mesmo alguns estrangeiros, fazem questão de estragar qualquer surpresa.
Tome-se como exemplo O Melhor Amigo da Noivacatalogado como comédia romântica e com uma publicidade centrada na imagem em
um belo casal. Alguém espera algo como o amigo gay da noiva (raramente não
existe um nessas histórias) vivendo o protagonista de um conto de fadas? Claro
que não. Está claro que o enredo trata de um cara que deixou a mulher da sua
vida escapar e só se deu conta disso quando ela estava prestes a subir ao altar
com outro. Essa é premissa do longa assinado pelo diretor Paul Weiland que
segue a risca a fórmula de sucesso de filmes como O Casamento do Meu Melhor Amigo protagonizado por Julia Roberts.
Sai a beldade de cena e entra agora o galã Patrick Dempsey para ocupar a vaga
do apaixonado desatento que tenta correr atrás do prejuízo. Ele vive Tom, um
homem sedutor e que sempre prezou a quantidade à qualidade, ou em outras
palavras, colecionar conquistas e abominar o compromisso sério. Milionário, ele
não precisa se preocupar com o trabalho e está sempre com tempo livre para
passear ou jogar basquete com os amigos, mas um de seus programas favoritos é
sair com Hannah (Michelle Monaghan), sua amiga nos tempos da escola e que
tornou-se sua confidente e álibi para fugir das mulheres indesejáveis que o
perseguem. Eles sabem tudo um do outro, compartilham segredos e são íntimos o
suficiente para trocarem ironias e críticas a respeito de como levam suas
vidas. Qualquer um que os vê juntos acreditam que são namorados, mas parece que
só os dois não se dão conta disso. Se um relacionamento sério depende de amor e
respeito e menos de paixão e atração carnal, talvez esteja ai o impedimento
para este casal.Sempre juntos e em
plena sintonia eles não sentem falta de um algo a mais e vivem um amor
platônico sem saberem, mas tudo pode mudar.
Certo dia Hannah avisa Tom que
está de partida para uma viagem de trabalho à Escócia e que voltará em seis
semanas. Os dias passam e o solteirão convicto passa a perceber que sente uma
falta além do normal da amiga e que sua vida ficou com um vazio. Nem mesmo um
convite de uma bela garota para sair lhe anima. Só o prazer de uma noite de
farra não lhe satisfaz e ele precisa de alguém para conversar e admirar sem que
a tal mulher esteja necessariamente sem roupa. Finalmente a ficha cai e ele se
dá conta de que ele é apaixonado por Hannah e decide se declarar para ela ainda
no aeroporto quando ela retornar. Porém, o destino foi irônico. Ela retorna com
um noivo a tiracolo, o duque Colin McMurray (Kevin Mckidd), e convida Tom para
ser sua madrinha de casamento, afinal de contas essa é uma vaga a ser ocupada
por aquela pessoa que sempre esteve ao lado da noiva. Na realidade ela o quer
para ajudar a organizar sua festa, seguindo o costume americano da madrinha
fazer o equivalente ao papel da mãe da noiva no Brasil. Fazer o que se ele é
quem mais entende os gostos e vontades da jovem. Ele aceita o convite, inclusive
viajar para a Escócia, mas com segundas intenções. Estando ao lado de Hannah
todos os dias, as chances de desfazer o noivado são grandes. É hora de fazer
com que ela o enxergue como um homem e não como um irmão. Aí vêm os clichês
desse tipo de enredo. Uma mulher invejosa e despudorada entra em cena, a amiga
gordinha que sonha em arranjar um namorado na festa e obviamente a disputa
entre os dois homens apaixonados pela mesma dama, com direito a Dempsey vestido
de escocês, com aquela sainha e tudo, para uma partida de um esporte
tradicional no país. E claro que uma revanche no basquete estrategicamente
armada por Tom.
A premissa de um homem ocupando a
vaga de madrinha de casamento poderia render uma boa comédia se o roteiro de
Adam Sztykiel, Deborah Kaplan e Harry Elfont não optasse pela veia romântica,
mas como o amigo da noiva em questão não é um gay cheio de fricotes ou um
brucutu nada chegado a tarefas domésticas, o jeito foi reciclar velhas fórmulas
e manter a aura de galã do protagonista. Dempsey já havia explorado o campo da
comédia, ainda que timidamente, em Encantada,
mas parece não se sentir muito a vontade no gênero, embora as cenas mais divertidas
sejam de seu personagem interagindo com as outras madrinhas e tentando se
ambientar ao mundo feminino, assim como suas conversas com os amigos durante os
jogos de basquete. Tal sensação de estranheza do ator com o gênero também pode
surgir devido a falta de química com a mocinha da fita que precisava de umas
aulas com Cameron Diaz ou Drew Barrymore antes de pretender estrelar comédias
românticas. Se o casal principal não é dos melhores, a previsibilidade do
roteiro também pode incomodar, porém, temos um alívio com a inserção de cenas
que mostram as tradições escocesas para os casamentos, assim como o deleite de
ver as belas paisagens do interior da Escócia, com direito a um castelo em
estilo medieval para reforçar a aura de conto de fadas do enredo. Em suma, O
Melhor Amigo da Noivanão se arrisca e justamente por isso não se pode
condená-lo completamente. A proposta claramente não era trazer inovações ao
gênero, simplesmente reforçar o sentimento amoroso tão propagado por outros
títulos, afinal seu público alvo ao que tudo indica não gosta de ser
surpreendido e quer sempre um final feliz. Visto por esse ângulo, esta produção
é correta, eficiente e perfeita para uma tarde sem nada para fazer.
2 comentários:
Achei um filme bem frágil....decepcionante eu diria.
Comédia romântica, com profunda reflexão é Medianeras. Se nem de comédia é adequada chamar.
Recomendo.
abs
Assisti a esse filme dia desses na Temperatura Máxima e sabe que gostei. Um passatempo bem agradável para uma tarde de domingo.
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