sábado, 16 de março de 2013

O MERCADOR DE PEDRAS

Nota 2,0 Longa acaba deixando explícita uma mensagem de preconceito contra os muçulmanos

Sinopse: Ludovico Vicedomini (Harvey Keitel) é um carismático negociador de pedras preciosas que trabalha entre a Europa e o Oriente Médio, mas por trás de sua agradável aparência ele esconde um grande segredo. Junto com seu parceiro de negócios Shahid (F. Murray Abraham), ele conspira um ataque terrorista em grande escala. Com seu plano quase concretizado, Vicedomini conhece Alceo Rondini (Jordi Mollà) e Leda (Jane March), um casal que está passando férias na Turquia. Mantendo certa amizade eles nem desconfiam que estejam participando de um jogo perigoso tramado por Vicedomini. Contudo, o destino acaba por surpreender esse homem misterioso fazendo-o se apaixonar por Leda que corresponde aos seus galanteios. Agora ela terá que escolher entre o amor do marido ou essa paixão repentina, mas Rondini está disposto a desmascarar seu rival e provar que ele é um criminoso.


Comentário: O fatídico 11 de setembro de 2001 continua rendendo ao cinema. Além das produções que enfocam eventos e tristes histórias ocorridos nesta data, há ainda os títulos que exploram o clima tenso e a aversão ao povo muçulmano que se propaga pelo mundo todo desde então, mas O Mercador de Pedras exagera na dose. O longa do diretor Renzo Martinelli começa de forma previsível mostrando uma tentativa de atentado terrorista na qual acaba se envolvendo a esposa de um estudioso sobre o Islamismo. O personagem Alceo Rondini é o calcanhar de Aquiles da produção. Ele prega em seus discursos que os muçulmanos irão destruir o Ocidente, que o islamismo é uma religião doentia e no final chega até a dar uma duvidosa lição de História afirmando que a luta entre o povo ocidental e o oriental já dura séculos, o que é um fato, mas fala com pessimismo sobre os avanços do islamismo pelo mundo. Em outras palavras, o personagem trata a cultura e a religião dos muçulmanos com preconceito tratando de rotular a todos que fazem parte desse povo como criminosos inconsequentes e individualistas. A guerra entre pólos opostos religiosos seria o que muitos chamam de “nova cruzada”. Na idade média as batalhas financiadas e comandadas com a ajuda da igreja católica eram chamadas de cruzadas, confrontos onde muitos inocentes morriam e seus algozes eram guiados pelas “vontades de Deus”. Segundo Rondini, os novos mártires de Alá são testemunhas da guerra contra as injustiças sociais e se sacrificam em nome de um bem maior. Cansados da opressão ocidental, jovens já crescem sabendo que terão vidas curtas, mas de suma importância para seu povo. E se engana quem acha que eles são pessoas pouco instruídas e por isso de fácil manipulação. As novas gerações de suicidas são compostas por jovens de classe média, não tem problemas de integração social e tem padrão de vida mais alto que seus conterrâneos. Por que pessoas assim arriscariam suas próprias vidas em nome de uma guerra secular que não leva a lugar algum? Fé exagerada, tradições, conchavos políticos, dinheiro envolvido ou pura maldade? E da parte ocidental, será que o preconceito com os muçulmanos não passou dos limites? Será que os próprios ocidentais não são os responsáveis pelo ódio alimentado pelos orientais? Bem, quem busca respostas para tais perguntas fuja desta produção. O roteiro do próprio diretor em parceria com Fabio Campus inspirado no romance de Corrado Calabrò acaba por oferecer um desserviço ao espectador, manipulando fatos e alimentando um ódio que já estava na hora de ser abrandado. No final das contas, pelo menos o triângulo amoroso do enredo trata por salvar a produção de ser totalmente dispensável. A relação do trio é bem construída, intrigante, mas é uma pena vermos bons atores como Harvey Keitel e F. Murray Abraham se metendo em produções mesquinhas. Ao subirem os créditos finais, se alguém conseguir chegar até eles, o sentimento deve ser um só: repúdio. O cinema deve ajudar a quebrar preconceitos e não reforçar pensamentos medíocres. De qualquer forma, vale uma conferida e uma boa discussão depois tanto a respeito dos fatos reais dessa guerra absurda quanto sobre o que levou profissionais de várias áreas se ligarem a um projeto desse tipo.

Drama - 119 min - 2006 - Dê sua opinião abaixo.

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...