quinta-feira, 25 de abril de 2013

CARTAS PARA JULIETA

NOTA 6,5

Longa açucarado demais até
tem um bom início, mas seu
desenrolar torna-se cansativo
e romances não convencem
Assim como um livro consegue fazer uma pessoa viajar pelos lugares mais distantes ou fantásticos, um filme pode fazer o mesmo e muitas pessoas não resistem as produções filmadas em terras exóticas, históricas ou românticas. A Itália é um dos destinos mais procurados no roteiro das viagens cinematográficas e Hollywood sabe disso e vira e mexe está enviando seus talentos da frente e de trás das câmeras para filmarem por lá como é o caso do diretor Gary Winick que escolheu a ensolarada e pitoresca cidade de Verona, o palco da famosa história de Romeu e Julieta, para ser o cenário daquele que seria seu último trabalho (ele faleceu pouco tempo depois). Não por acaso o nome da protagonista da famosa obra de William Shakespeare também está contido no título de seu filme. Cartas Para Julieta é um romance com generosas doses de açúcar que se passa em um belíssimo cenário, adornado por um clima bucólico inquestionável e um roteiro bem convencional e previsível, ou seja, a fórmula perfeita para encantar os eternamente apaixonados e principalmente o público feminino, mas também certeiro para irritar os críticos especializados. Claro que quando uma produção se propõe a inovar e consegue fazer isso com sucesso é motivo para festejar e elogiar, porém, não se pode condenar e detonar um trabalho que assumidamente é repleto de clichês e oferece o prato feito convencional afinal de contas o longa provavelmente nunca teve as intenções de oferecer mais do que isso. Talvez se houvesse um fim trágico como no conto citado do escritor europeu este trabalho tivesse um respeito maior, não é? A história é bonitinha e para muitos esquecível em pouco tempo, mas é fato que o filme já se tornou um clássico romântico moderno caindo no gosto popular de forma instantânea, principalmente entre as adolescentes, até porque a protagonista é uma estrela em ascensão. Amanda Seyfried desde que estrelou o musical Mamma Mia tem emendado diversos trabalhos e aqui encontrou mais uma chance para perpetuar sua imagem de boa moça. Ela interpreta Sophie, uma jovem que é noiva do latino Victor (Gael Garcia Bernal). Eles decidem fazer uma viagem para a Itália para recuperar o romantismo da relação que não anda muito bem, porém, o rapaz quer ter seu próprio restaurante e se tornar um grande chef de cozinha, assim ele não resiste as tentações de conhecer a culinária, os vinhos e os temperos daquela terra. A namorada então acaba dispensando seu tempo livre ajudando um grupo de voluntárias a responder cartas pedindo conselhos amorosos endereçadas a "Casa de Julieta", um ponto turístico que realmente existe onde mulheres são recrutadas para manterem o vivo o mito da famosa personagem romântica e atrair curiosos.

Sophie se interessa por uma carta em específico escrita em 1951 por Claire (Vanessa Redgrave) que relata que se apaixonou na juventude, mas deixou a oportunidade de ser feliz escapar. Sophie responde e se surpreende ao ver que suas palavras de incentivo surtiram efeito e agora a velha senhora deseja viajar até Verona em busca de seu grande amor do passado. Ela vem acompanhada de seu neto, Charlie (Christopher Egan), um jovem rabugento que acha toda essa história de reencontrar um amor uma grande bobagem, mas mesmo assim aceita participar da peregrinação com sua avó e Sophie em busca do tal homem mesmo sabendo que existem dezenas de senhores homônimos vivendo naquela região. Esse período acaba aproximando os dois jovens que passam a dividir seus problemas, sonhos e decepções. Bem, nem precisa mencionar qual será o final dos personagens, mas o que interessa é o recheio, bem docinho para agradar ao paladar dos românticos de plantão, mesmo sendo previsível a cada nova sequência. Até uma varanda no melhor estilo de época medieval e adornada com plantas aparece pelo menos umas duas vezes com destaque para reforçar o clima de conto de fadas ou assumidamente teatral e shakesperiano do roteiro de Jose Rivera e Tim Sullivan. Como já dito, este foi o último trabalho do diretor Winick, especialista em comédias românticas e que fez produções como Noivas em Guerra De Repente 30. Tachadas de piegas e medíocres, suas obras são pautadas pela cartilha que regem há décadas o gênero e ele parecia não se envergonhar em usar e abusar dos clichês e não procurava inovações em suas obras. Ele costumeiramente usava cores chamativas para compor o visual, elevava a trilha sonora para ajudar a plateia se arrepiar de emoção em momentos estratégicos, colocava um elenco bonito e simpático em cena e logo nos primeiros minutos de projeção já dizia a que veio e como iria terminar seu filme. Aqui, porém, existem alguns equívocos perceptíveis, mas que não chegam a estragar o filme para quem já estiver embriagado pela atmosfera romântica proposta. O pior deles é deixar um pouco de lado a história de Claire muito bem trabalhada inicialmente para a partir da metade da projeção dar espaço a dilemas pouco interessantes de Sophie que encontra-se entre dois amores distintos.

De qualquer forma, a premissa interessante vai se tornando um pouco cansativa conforme o tempo passa, a duração poderia ser reduzida e o elenco masculino aparece aqui praticamente como figurantes. Franco Nero, marido de Vanessa Redgrave na vida real, dá o ar da graça no final como o namorado desaparecido, mas não tem muito que fazer para tornar seu personagem cativante. Christopher Egan é o mocinho da história, mas não tem carisma suficiente e é difícil torcer por sua felicidade ao lado da protagonista. O que chama mais atenção, negativamente, que fique claro, é o fato de Gael Garcia Bernal estar interpretando um personagem que qualquer novato poderia fazer. Ele já está em outro patamar da carreira e no mínimo deveria ser o galã da fita. Nem mesmo sua origem latina é usada para criar algum tipo de conflito cultural com sua namorada nova-iorquina. No final da contas, um erro de escalação ou oportunismo para chamar a atenção do público com uma ponta do astro que Hollywood importou, mas que aqui se limita a interpretar um deslumbrado com a culinária e os vinhos italianos. O grande destaque é realmente o encontro de uma veterana atriz e outra ainda em início de carreira, ainda que a intensidade das cenas e diálogos que travam seja baixa. Todavia, ambas aparecem bem a vontade em seus papéis e existe uma química boa entre elas que consegue ultrapassar a tela e tornar verossímil a amizade entre pessoas que os vários anos de idade separam, mas a busca pelo amor verdadeiro trata de unir. Elas conseguem trazer dignidade ao batido roteiro e envolver o espectador, até porque a história de Claire reflete uma realidade que muitas senhoras viveram ou ainda vivem, já que no passado a obediência a família e casamentos arranjados trataram de ceifar muitos relacionamentos sinceros mundo afora. Exposto tudo isso, fica nítido que não há muito que cobrar de Cartas Para Julieta, um projeto que já nasceu com o intuito de fazer seus espectadores sonharem e não esquentarem a cabeça. Ótima pedida para assistir a dois ou com toda a família. Para os homens... Bem, um programa familiar as vezes não faz mal a ninguém e as bonitas paisagens italianas, tanto rurais quanto urbanas, devem servir de distração. E cai entre nós, curtir um final feliz nunca é demais.

Romance - 105 min - 2010

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