Nota 7,0 Filmado em preto-e-branco, estética acaba sobressaindo ao conteúdo desta obra
O famoso cineasta, roteirista e
produtor francês Luc Besson, de O Quinto Elemento, apresenta aqui
um trabalho, no mínimo, curioso. Sem filmar desde a enésima versão de Joana
D’Arc que lançou em 1999, o diretor retoma seu posto atrás das câmeras
investindo em um visual diferenciado para marcar sua volta em grande estilo. Filmado
em preto-e-branco e utilizando interessantes ângulos e panorâmicas para
capturar as cenas, Angel-A é uma obra que não é de encantar grandes platéias, mas
vale a pena dar uma conferida para ter contato com um cinema de qualidade
técnica irretocável, divertido e com novas possibilidades, porém, uma opção
longe dos “filmes-cabeça” como se costuma rotular tudo que venha do velho
continente. A história criada pelo próprio cineasta nos apresenta a André
(Jamel Debbouze), um rapaz com quase trinta anos, mas que não tem sorte e vive
afogado em dívidas gigantescas, o que o mantém na mira de perigosíssimos
gângsteres que agem nos arredores de Paris. Sem ter como renegociar suas
pendências e sem crédito na praça, André resolve acabar com sua própria vida.
Quando está prestes a se jogar de uma ponte ele nota que uma bela jovem também
pretende fazer o mesmo. Ela pula e no impulso o rapaz também se atira na água e
a resgata. Ela é Ângela (Rie Rasmussen), uma mulher muito especial, que
impressiona por sua altura, que entrou em sua vida para trazer muitas
transformações positivas, mesmo que para isso ela precise usar táticas um pouco
mais violentas. Os dois acabam descobrindo que têm muito em comum, mas que um
relacionamento entre eles pode ser impossível. Assumindo todos os cargos
possíveis dos bastidores, Besson continua demonstrando que seu talento é mesmo
para criar visuais interessantes, neste caso recorrendo a uma estética
considerada ultrapassada curiosamente para captar as mais belas paisagens
daquela que é chamada de Cidade-Luz.

Romance - 90 min - 2005
2 comentários:
Não conhecia esse filme e pelo seu texto descobri que preciso assisti-lo rapidamente.
Adoro produções que brincam de fletar entre gêneros, além disso, sua análise do filme me lembrou, vagamente, Asas do Desejo. Um filme que amo.
Valeu pela ótima dica.
Acredito que qualquer um que mude para algo melhor faz a sua redenção, mesmo que relativa. A mensagem de filme é clara: olhe para dentro de si que, apesar da tragédia humana, há bondade, ternura e amor, virtudes que precisam ser desveladas. E esse é o grande desafio do ser humano ao longo da vida: encontrar-se. É um bom filme para cada um pensar um pouco sobre si. Assistam.
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