Nota 2,5 Temática masculina sob o prisma das mulheres resulta em um nonsense constrangedor

O roteiro de Paul W. Downs, que
interpreta o bananão Peter, noivo de Jess, e de Lucia Aniello, que também
assina a direção, até que começa bem, mas aos poucos perde o tom. A princípio
temos um quê de sátira política com Johansson às voltas com a campanha de sua
personagem que faz alusão à de Hilary Clinton, como deixa claro seu próprio visual.
Todavia, não demora para que o texto descambe para as previsíveis piadas de
conotação sexual, escatologia e mal entendidos. Por exemplo, um telefonema às
pressas acaba fazendo Peter entender que o casamento não vai acontecer, o que o
leva a ir atrás da noiva na companhia dos amigos e munidos de muitos pacotes de
fralda geriátrica... Oi? Sim, piadas sem sentido não faltam, de longe
salvando-se a participação de Lea (Demi Moore) e Pietro (Ty Burrell), casal
vizinho a tal mansão da festinha e um tanto liberal que sem saberem podem ter
imagens comprometedoras das meninas em seu circuito de segurança. É aí que
entra em cena a certinha e recém-divorciada Blair (Zoë Kravitz) para
protagonizar uma das poucas cenas divertidas tentando limpar a barra do mulheril.
Enquanto isso, Frankie (Llana Glazer) faz às vezes de chata do grupo com seus
discursos ativistas a favor do feminismo. Por mais que se esforcem todas as
atrizes acabam apagadinhas, pois além de faltar entrosamento ao quinteto, Bell ainda
faz de tudo para se destacar, mas acaba pecando pelos exageros tornando-se
chata e infantil, praticamente uma versão mais jovem dos personagens pentelhos da
também rechonchuda e exibida Melissa McCarthy. Com humor capenga e requentado, A Noite é Delas é um daqueles projetos que
deixam transparecer que os envolvidos na produção é quem mais se divertiram
levando as filmagens na base de uma grande brincadeira. Entregando o mesmo
conteúdo de um besteirol adolescente, mas com embalagem um pouco mais
sofisticada, a impressão que fica é que todas as bizarras situações já vimos,
geralmente com homens as vivenciando e, diga-se de passagem, representadas de
maneiras muito melhores. Estereotipadas e imaturas, é uma pena que o mulheril
poderoso do início da fita descambe para uma anedota como se fossem adolescentes
travestidas de adultas. Espanta que uma delas queria entrar para a política.
Deus salve os EUA... Quiçá o mundo!
Comédia - 101 min - 2017
Nenhum comentário:
Postar um comentário