segunda-feira, 25 de agosto de 2014

CONFIDENCE - O GOLPE PERFEITO

NOTA 3,0

Repetindo todos os clichês
possíveis de filmes acerca de
golpistas, longa é enfadonho e
parece cheirar a naftalina
Alguém ainda se interessa por filmes a respeito de golpes milionários? Infelizmente a resposta é sim. Existem alguns bons filmes do tipo, mas por ser um argumento que atinge em cheio o gosto popular exemplares da categoria são feitos aos montes, principalmente para abastecer o mercado doméstico. Quantidade não significa qualidade, nem mesmo quando há um elenco estelar em cena. Nos anos 2000 o diretor Steven Soderbergh revitalizou tal subgênero com Onze Homens e Um Segredo, mas após duas sequências nos mesmos moldes mais uma vez o filão foi esvaziado. De qualquer forma, o sucesso da trilogia fez com que filmes com temática semelhante ganhassem sinal verde para serem produzidos como é o caso de Confidence – O Golpe Perfeito, suspense com elenco de peso, trama aparentemente envolvente e... Totalmente esquecível. O longa do diretor James Foley, do elogiado O Sucesso a Qualquer Preço, se serve do maior número possível de clichês e o resultado datado é arrematado com a última cena emendando com os créditos finais embalados pela música “Clocks” do Coldplay em versão extremamente abafada. Parece até que era uma produção dos tempos do VHS que foi passada para o DVD. O roteiro do estreante Doug Jung gira em torno de uma quadrilha liderada por Jake Vig (Edward Burns), um trambiqueiro cheio de estilo que junto com os comparsas Gordo (Paul Giamatti) e Miles (Brian Van Holt) arquiteta bem bolados planos para despistar a polícia. Sempre depois que aplicam um golpe o grupo simula um confronto sangrento entre eles mesmos para assustar a vítima e a desencorajá-la de fazer qualquer tipo denúncia. Sem recorrer a violência de verdade, a conta bancária destes vigaristas vai engordando e sem causar peso na consciência de nenhum deles. No entanto, a vida lhes dá uma rasteira quando ousam roubar milhões de dólares do contador Lionel Dolby (Leland Orser) sem saber que ele trabalhava para o excêntrico Winston King (Dustin Hoffman), um poderoso chefão do crime organizado que ao saber do ocorrido mata seu subordinado e um dos membros da quadrilha de Vig para servir de lição a quem mais pudesse querer afrontá-lo.

Para tentar contornar a situação, Vig marca um encontro com King e se propõe a trabalhar para ele como uma maneira de compensar seu prejuízo financeiro. O mafioso aceita a proposta e já tem até um servicinho engatilhado para seu mais novo comparsa: aplicar um golpe em Morgan Price (Robert Foster), um banqueiro que mantém estreita ligações com a máfia. Para cumprir a tarefa, o bando ganha a companhia de Lupus (Franky G), homem de confiança de King, e da sedutora Lily (Rachel Weisz), uma batedora de carteiras por quem Jake se apaixona, este que ainda terá que driblar a perseguição de Gunther Butan (Andy Garcia), um incansável agente do FBI e seu inimigo já de longa data. Como se o show já não estivesse superlotado, ainda somam-se a narrativa Manzano (Luiz Guzmán) e Lloyd (Donal Logue), dupla de policiais corruptos, e Travis (Morris Chestnut), outro escudeiro de King a quem Vig conta sua experiência de quase morte após falhar em um golpe. Com montagem ligeira e narrativa não-linear, Foley tentou dar ares de modernidade a um dos argumentos mais surrados de Hollywood, mas não conseguiu sair do trivial e mais uma vez temos em cena a história de uma espécie de Robin Hood contemporâneo. Ele é o fora-da-lei do bem que junto com seu bando passa a mão no dinheiro de mafiosos inescrupulosos, o ponto que de certa forma conforta o espectador ao ver um bandidão provando do seu próprio veneno, porém, não o divide com a ralé. Em tempos individualistas e de ganância exagerada, o lucro dos roubos é estritamente dividido entre os membros da quadrilha. Vendo por esse prisma, este suspense policial parece ser acima da média, mas no fundo não passa de uma colcha de retalhos que busca a todo o custo emendar todos os clichês possíveis dos filmes de golpistas. Com referências desde o clássico e premiado Golpe de Mestre, o roteiro de Jung tem inspirações até no seu contemporâneo Uma Saída de Mestre e a obsessão em não deixar nenhuma boa ideia de fora acabou embananando a narrativa.  Implicando em sucessivas reviravoltas que não oferecem o tempo necessário para o espectador assimilar as mudanças, o interesse na fita cai consideravelmente minuto a minuto, ainda mais porque não existe conexão de quem assiste com os personagens.

Mesmo tendo poucas cenas, Hoffman é de longe quem se sai melhor afinal já tem traquejo para lidar com roteiros fracos. Sua baixa estatura injeta certa ironia ao personagem dando ares de inofensivo à primeira vista, mas sua fala apressada e sorriso sarcástico demonstram seu verdadeiro caráter. A insinuação de ser bissexual também contribui para o destaque, já que agrega às cenas com Vig uma tensão dúbia. O vigarista de estirpe sente-se ameaçado tanto física quanto sexualmente e ocorre uma inversão de papéis já que o antagonista torna-se o principal chamariz. Boa pinta, com porte atlético e inteligência para atuar como roteirista e diretor, Burns ainda não é reconhecidamente um grande ator. Parece desconfortável nos papéis de galã, no entanto, os maus elementos também não combinam com sua cara de bom moço. Neste caso ele compõe um protagonista sem carisma algum que parece discursar frases decoradas e consegue o feito de ser esmagado quando comparado ao desempenho dos demais atores que, diga-se de passagem, também não dignificam seus personagens. Aliás, o ator não tem química alguma com Weisz, o que torna dispensável o gancho de um relacionamento amoroso em uma trama onde a misoginia fala mais alto. Mesmo assim, isso não significa que temos bons personagens masculinos em cena, pelo contrário, um é mais desinteressante que o outro e isso se constata quando percebemos que a tal farsa do título não mexe com nosso emocional, o que indica que alguma peça do plano engenhoso falhou. Em Confidence – O Golpe Perfeito parece que toda engrenagem tem problemas, a começar pelo início cujas mortes que desencadeiam toda a trama não causam comoção alguma ao espectador simplesmente porque eles não são apresentados. Faltou aquele flashback para criar algum tipo de conexão com os presuntos e também desenvolver o lado mais humano dos demais criminosos.  Afinal de contas, por evitar a violência, mas não dispensar enriquecer às custas dos outros, o bando de Vig merece torcida ou ser condenado? No conjunto, ficamos na expectativa de que todos se ferrem já que o lance é bandido contra bandido, isso se você conseguir chegar até o final já que o excesso de reviravoltas é um convite para a desistência. Só para não dizer que o longa não tem nada de bom, vale a pena conferir a verdadeira engenhosidade de um plano colocado em prática por Vig e Lily em uma joalheria. É o único momento em que o forçado casal “dá liga” e também a melhor sequência de pouco mais de 90 minutos de tédio e muito blá-blá-blá. 

Suspense - 97 min - 2003 

-->
CONFIDENCE - O GOLPE PERFEITO - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...