terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PULSE

NOTA 1,0

Com situações mal desenvolvidas
e visual manjado, longa perde a
chance de abordar a solidão ou
a comunicação com os mortos
Hollywood já viveu sua fase áurea dos filmes de horror e suspense, passou por momentos de caída de tais gêneros, se reinventou várias vezes, mas os primeiros anos do século 21 certamente ficaram marcados pela falta de criatividade visto que os produtores precisaram bancar continuações desnecessárias e remakes, muitos deles inspirados ou totalmente copiados de produções orientais, o grande sucesso da época. Pulse é um exemplo da segunda opção, mas com o agravante de não atender as mínimas expectativas dos fãs do gênero. Refilmagem do terror homônimo de Kiyoshi Kurosawa lançado em 2001, mas praticamente desconhecido no Brasil, a obra apresenta uma versão modernizada do apocalipse, ou ao menos o objetivo era esse quando resolveram colocar em prática tal projeto. Cinco anos se passaram desde o lançamento original e o diretor Jim Sonzero teve a infeliz ideia de refilmar o longa quando a onda de horror oriental já dava sinais alarmantes de desgaste. De qualquer forma, o produto final certamente fracassaria mesmo com alguns anos de antecedência simplesmente porque falha não apenas em um ou dois aspectos, mas do início ao fim a fita é desastrosa, mesmo tendo como roteirista o experiente Wes Craven que conseguiu revitalizar os slashers movies com Pânico, por exemplo. Nem todo seu conhecimento no campo do terror foi capaz de dar alguma sustância ao longa, ainda que sua premissa seja literalmente conectada aos novos tempos. Estamos acostumados a enredos que ligam o apocalipse a efeitos de radiação ou mutações genéticas, por exemplo, ou em outras palavras a humanidade sendo colocada em risco por suas próprias invenções. Neste caso, a história co-roteirizada por Ray Wright, aposta em fantasmas que espalham o caos através das linhas de comunicação por meio de computadores conectados à internet ou celulares. A trama nos apresenta à Josh Ockmann (Jonathan Tucker), um hacker que ao invadir o sistema de um colega toma conhecimento de um sinal misterioso vindo de uma realidade paralela. Depois disso, o rapaz passa um tempo sumido e quando seus amigos o reencontram percebem que ele está com um comportamento bastante mudado. Ao investigarem as razões disso, o grupo descobre que o tal sinal é um vírus demoníaco capaz de infectar engenhocas eletrônicas destinadas a comunicação e com o poder de dominar pessoas, conseguindo pouco a pouco lhes tirar a vontade de viver e sugar sua energia vital.

Josh é a mais recente vítima dessa espécie de maldição e chega a se suicidar na frente da namorada, Mattie Webber (Kristen Bell), uma jovem estudante de psicologia que não encontra razões plausíveis para tal atitude. Logo ela descobre a história do misterioso vírus que começa a se espalhar rapidamente por sua cidade levando outros jovens a provocarem a própria morte ou os transformando em pó literalmente. A moça descobre que o computador do namorado foi vendido após sua morte para Dexter McCarthy (Ian Somerhalder), a quem ela se une para tentar barra tal força do além antes que ele mesmo se torne a próxima vítima. A trama em si é muito rasa, o que implica na adição de situações enfadonhas e previsíveis para rechear desnecessários 90 minutos que testam a paciência do espectador com as inúmeras voltas que o enredo dá para chegar a lugar algum. Em uma hora no máximo essa baboseira poderia ser desenvolvida a contento, podendo ser um razoável telefilme. Sonzero até tenta construir momentos de tensão, mas todas as suas tentativas são frustradas. O que interessa nesse tipo de filmes para muitos são as mortes e em que circunstâncias elas vão acontecer e até nisso este trabalho é falho. Não há empatia do espectador com os personagens, nem mesmo com os protagonistas, ainda mais vendo o modo forçado como Mattie e Dexter se envolvem. Mais esquemático impossível. Dificilmente duas pessoas até então desconhecidas se tornariam tão próximas em pouco tempo de convivência, mesmo unidas por conta de um problema em comum. Os coadjuvantes batem ponto apenas para criar a dúvida de qual deles será o próximo a sofrer com as consequências da tal maldição virtual, mas nenhum chega a contribuir com algum momento que sirva como ponto forte da produção. Aliás, no conjunto, não há uma cena sequer memorável, tudo esquecível rapidamente. Até os “vilões” não convencem, sendo espectros que mantêm o aspecto pálido e as olheiras tão características dos fantasminhas orientais somadas ao estilo de andar e se comportar dos zumbis conforme o cinema americano estereotipou. Inicialmente podem chamar a atenção, mas o impacto não dura muito tempo.

Vale lembrar que para injetar mais tensão ao enredo, alguns dias após sua morte, Josh começa a entrar em contato com conhecidos através de mensagens eletrônicas pedindo socorro, mais uma prova de que seu suicídio foi premeditado por forças malignas. A possibilidade de seres do além invadirem a realidade através da internet ou telefones poderia render uma obra regular, mas a ideia original desde o filme japonês não era abordar um viés mais científico e plausível como foi o caso de Vozes do Além, por exemplo, fita que apesar de não ser grande coisa tem embasamento em estudos sérios a respeito de fenômenos sobrenaturais nos quais desencarnados entram em contato com parentes e amigos para deixar uma mensagem para confortá-los ou em casos mais raros para avisar sobre algum problema que podem surpreendê-los. Na realidade o filme oriental tinha sim uma temática relevante que merecia ser preservada: a solidão, tanto em vida quanto após a morte, cabendo inclusive uma metáfora quanto ao excesso de tecnologia no cotidiano que passa a falsa impressão de unir as pessoas, sendo que na verdade as separa constantemente. Já a versão americana passa raspando por esse tema. Provavelmente tendo como público-alvo os jovens, tentar implantar reflexões a respeito da alienação que o mundo virtual e os celulares oferecem seria o mesmo que insultá-los, afinal apenas uma minoria dessa faixa etária não é refém das redes sociais. Se a situação já era alarmante em 2006 imagine hoje em dia... Pulse poderia ser diferente se optasse por uma das opções citadas neste parágrafo, mas Sonzero optou pelo caminho fácil e buscou o terror a todo custo, mas sem sucesso. Para não dizer que isto é um lixo total, visualmente a produção é interessante, mas perde pontos por não trazer nada de novo, apenas reciclar trucagens já conhecidas das fitas de horror protagonizadas pela turma de olhinhos puxados. Privilegiando os tons escuros e pouca iluminação, a maior parte do tempo na base de luzes azuladas ou esverdeadas, até mesmo a forma de edição de cenas segue o estilo oriental do gênero, porém, copiando erros comuns como cortes abruptos que dão a sensação de que os próprios responsáveis por esta tarefa não estavam com paciência e deixaram de lado momentos importantes para manter a cadência do enredo. Em suma, esta é uma opção só para aficionados por fitas do estilo... E somente em último caso.

Terror - 90 min - 2006

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