domingo, 23 de agosto de 2015

DEU A LOUCA EM HOLLYWOOD

Nota 1,0 Mais uma produção que investe nas sátiras de filmes e tão ruim quanto outras do tipo

Não tem jeito. Parece que estamos fadados de tempos em tempos a sermos amaldiçoados com aquelas comédias capengas que pretensiosamente querem tirar um sarro de sucessos do cinema de um determinado período. Lá na década de 1980, Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu! já estimulava tal tendência parodiando os filmes de catástrofes tão comuns na época. Na virada para o século 21, com o sucesso das fitas de seriais killers para adolescentes, Todo Mundo em Pânico fez sucesso, mas suas continuações perderam a essência e passaram a apostar em um caldeirão de referências desconexas. O que veio depois é um monte de porcarias que tentam tirar leite de pedra sem se preocupar minimamente com a inteligência do espectador, afinal de contas seu público-alvo são adolescentes descerebrados que adoram gargalhar vendo caretas, tropeços e escorregões e, principalmente, escatologia enquanto se entopem de refrigerante e pipoca. Será mesmo? O fraco desempenho nas bilheterias de Deu a Louca em Hollywood mostram que ao menos uma boa parcela dos jovens tem salvação, não deram bola para a fita e evitaram uma catastrófica continuação. Quanto a trama ela se sustenta sob o argumento de quatro órfãos que encontram um bilhete premiado em uma barra de chocolate e conquistam o direito de conhecer o interior de uma exótica fábrica de doces. Lucy (Jayma Mays) foi criada por um superintendente do Museu do Louvre onde se esconde um assassino albino. Edward (Kal Penn) é um refugiado da luta livre americana enquanto Peter (Adam Campbell) é um residente da comunidade de mutantes X que ainda está longe de mostrar o seu verdadeiro poder. Já Susan (Faune A.Chambers) foi vítima recentemente de um ataque de serpentes em um avião. O grupo se conhece momentos antes de visitarem a tal fábrica e é recepcionado pelo excêntrico Willy (Crispin Glover), o dono da empresa que passa a persegui-los de forma doentia. Tentando escapar eles acabam entrando em um guarda-roupa mágico e vão parar na terra de Gnarnia onde encontram seres fantásticos, mas também ficam na mira da feiticeira Rameira Branca (Jennifer Coolidge) que quer evitar que uma profecia se cumpra e ela perca o poder de governar.

As Crônicas de Nárnia, A Fantástica Fábrica de Chocolate, O Código da Vinci, X-Men... É fácil identificar os filmes que inspiraram esta comédia, mas também há espaço para piadas rápidas com Superman, Borat, Harry Potter, Piratas do Caribe entre tantos outros sucessos contemporâneos à fita (temporada de 2005 e 2006). O roteiro e a direção são assinados pela dupla Jason Friedberg e Aaron Seltzer, especialistas em sátiras e que adoram espinafrar os grandes blockbusters de Hollywood. Eles são os responsáveis pelas paródias Não é Mais Um Besteirol Americano e Espartalhões, por exemplo. A fórmula é sempre a mesma: uma compilação de esquetes que funcionariam melhor separadamente em um programa de humor, mas seus realizadores forçam a ligação entre eles resultando em uma salada de piadas fracas, nojentas, ridículas e regadas a preconceito à minorias. O pior é que faltou ousadia. As cenas são descaradamente copiadas de seus representantes originais ganhando assim quase que um tom de homenagem. Até a piada pronta com o Willy Wonka foi descartada. O jeito excêntrico do personagem e seu mundo colorido, lúdico e porque não dizer sarcástico, seriam um prato cheio para tirar um sarro do então já decadente astro Michael Jackson, mas optaram por fazer uma cópia apática e sem graça da interpretação de Johnny Depp no remake, esta que por sua vez já era uma caricatura da criação original de Billy Wilder. Falando nas atuações, obviamente não podemos levar a sério o trabalho do elenco. Absolutamente todos os atores parecem debochar da imbecilidade do espectador que está perdendo seu tempo assistindo a isso. Quem merece elogios é a equipe de cenografia que refizeram com perfeição os cenários das fitas satirizadas gastando uma ninharia. Entre falhas, erros de continuação e tudo mais que possa dar errado ou ser motivo de piada é bem-vindo em Deu a Louca em Hollywood que exalta a ignorância do início ao fim sem vergonha alguma. Claro que sempre é possível dar uma ou outra risada, mas no geral se sentir um idiota diante de tanta babaquice é inevitável.

Comédia - 86 min - 2007

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