
A temática a respeito de dragões
já rendeu diversos longas animados e de aventura para agradar crianças e
adultos, mas ainda é uma fonte inesgotável de inspiração. Será mesmo? Bem, não
é isso que demonstra o desenho
Caçadores de Dragões,
produção que reuniu os esforços de França, Luxemburgo e Alemanha para sua
realização. Com direção de Guillaume Ivernel e Arthur Qwak, a trama fala sobre
um reino mágico que está correndo perigo por causa de um dragão que está
prestes a despertar e destruir tudo o que encontrar pela frente. Lord Arnold,
um homem muito rico e dono de um imenso castelo, já enviara uma tropa de
soldados para dar conta do monstro, mas eles jamais regressaram. Sua sobrinha
Zoe, uma garotinha que adora contos de aventuras, decide ajudá-lo e sai a
procura de heróis iguais aos das histórias que tanto a encantavam, contudo, se
depara com personagens que não são bem o que esperava. O tagarela Gwizdo e o
grandalhão e desengonçado Lian-Chu se autodenominam caçadores de feras, mas na
realidade sempre fracassaram e agora fingem que são especialistas apenas para aplicar
golpes e arrecadar dinheiro. Determinada a seguir com eles em sua aventura para
salvar o reino em perigo, Zoe decide confiar que eles podem sim ser verdadeiros
heróis e parte em uma viagem perigosa para um mundo desconhecido onde dragões
enfurecidos podem despertar a qualquer momento. Tal história não foi uma
criação exclusiva para o longa-metragem. O projeto nasceu a partir de uma série
homônima animada franco-chinesa feita para a televisão co-escrita pelo próprio
Qwak que por sua vez se inspirou nas tramas de quadrinhos. Os personagens
criados são razoavelmente bem desenvolvidos tanto no aspecto psicológico quanto
em suas formas, cada qual com suas características e aspectos físicos bem marcados,
ainda que careçam de certa dose extra de carisma.

É interessante, por exemplo, ver
o contraponto estabelecido entre Gwizdo e Lian-Chu. Enquanto um é ranzinza e
mentiroso, o outro demonstra bondade e dedicação, pequenos detalhes que tornam
os personagens mais atraentes e não subestimam a inteligência do espectador,
ainda que pudessem ser mais divertidos. Pena que o mesmo cuidado o roteirista
Frédéric Lenoir não teve com o seu texto. A trama não é muito envolvente para
as crianças, o público-alvo da produção a julgar pelo aspecto visual
multicolorido. Por não ser uma produção de Hollywood, esperava-se mais do
roteiro ou ao menos um equilíbrio maior com a parte estética, mas aqui a
fórmula é inversa. O visual da obra acaba sobressaindo-se ao texto. Além dos traços
estilizados dos personagens, todos lembrando a aspectos de brinquedos, os
cenários são bem estilizados e com efeitos de luz e sombras impecáveis,
detalhes que garantem uma identidade visual única ao longa. Porém, quanto a
narrativa, cabe uma ressalva principalmente a ambientação da trama. O universo
no qual o enredo é desenvolvido é confuso, não fica claro onde tudo acontece e
é constante um conceito de desintegração do ambiente que não causa espanto
algum aos personagens, como se eles flutuassem entre os cenários sem percepção alguma
das mudanças em torno deles, algo que também pode ser interpretado como um erro
de continuidade dos desenhistas ou da equipe de edição. Mesmo com aquela
sensação de que você já viu essa história antes e possivelmente contada de
maneira bem melhor, todavia, para mudar um pouco de ares e ter a oportunidade
de prestigiar o cinema de animação fora do circuito hollywoodiano,
Caçadores de Dragões é uma boa opção para um
programa em família. Longe de ser excepcional, ao menos garante uma sessão da
tarde de qualidade.
Um comentário:
Sou fã de animação, porém, essa não me agradou tanto. Esperava muito mais do que eu vi.
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