Nota 1,5 Longa confunde estilo punk com monstruosidade e anula discussão sobre culto à beleza

Basta uma referência aqui e ali do texto original e muita liberdade para sintonizar o enredo à época contemporânea e pronto! Já está saindo do forno mais um sucesso teen daqueles que pode até ser divertido na hora, mas depois cai a ficha de sua insignificância. A Fera, mesmo querendo colocar em discussão o culto à beleza exagerada entre os adolescentes, claramente é uma adaptação estapafúrdia do conto de "A Bela e a Fera" que não se justifica simplesmente porque o tal monstro em que o protagonista é transformado não existe. O visual que ganha é o de uma figura punk, alguém que certamente chamaria a atenção nas ruas, mas não a ponto de criar repúdio (dependendo do ponto de vista) e que se encaixaria facilmente em um grupo de amigos amantes do rock e adeptos de tatuagens e afins. Não souberam definir com precisão o conceito de um monstro para os dias atuais e acabaram de certa forma apontando de forma negativa um grupo que luta diariamente por reconhecimento e identidade. Alex Flinn, o autor do livro que inspirou o roteirista e diretor Daniel Barnz, tentou através de um conto popular abordar a futilidade da sociedade do século 21, mas o longa resulta em algo pueril. Não é o que se espera de um romance, conta com interpretações sofríveis e o desenvolvimento da trama é um tanto insosso, com diálogos redundantes e vazios. A atuação de Harris é talvez o que se salva com um personagem que apesar da cegueira parece enxergar longe. Ele é responsável por algumas boas piadas e talvez só intérprete tenha tido coragem de expor sua real opinião sobre o projeto: uma bomba que merece ser criticada e assim seu Will faz com piadinhas aqui e acolá. Mesmo sendo curta, esta produção torna-se cansativa por não cativar o espectador, não empolgando nem mesmo a introdução que de longe parece ser a parte mais sensata do roteiro. Se você ainda não atingiu a maioridade, é do sexo feminino e ainda se debulha em lágrima com a saga Crepúsculo, certamente ainda deve se emocionar com esta fita, caso contrário fuja. A vergonha alheia dói.
Romance - 86 min - 2010
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Um comentário:
Filme que não me atraiu. Nem trailer, nem poster.....nada
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