terça-feira, 14 de outubro de 2014

TE AMAREI PARA SEMPRE

NOTA 3,0

Apostando em narrativa diferenciada,
romance acaba sendo confuso com suas
idas e vindas no tempo e dificilmente

cativa com seu ritmo arrastado
Já faz muitos anos que os filmes românticos seguem um mesmo estilo e na maioria das vezes o casal principal pode sofrer horrores, mas o final feliz estará garantido. Na busca de surpreender o público feminino e também cativar a plateia masculina, algumas produções ousam a tecer finais tristes, porém, condizentes com a realidade. Em uma nova onda para renovar o gênero, tornou-se comum agregar características de outros estilos às histórias água-com-açúcar, mas não raramente os resultados são desastrosos. O que você acharia, por exemplo, da mistura de um conto de amor com um elemento típico de ficções científicas? Não se trata de aeronaves ou robôs, mas sim das sugestivas viagens no tempo. É esse o grande diferencial de Te Amarei Para Sempre, mas não o bastante para elevar a produção a algo a mais que um simples passatempo. Baseado no livro de estreia da norte-americana Audrey Niffenegger, “The Time Traveler’s Wife”, título que faz alusão à esposa do viajante do tempo, o roteiro de Bruce Joel Rubin aborda uma velha obsessão da humanidade: corrigir o passado e prever o futuro. A trama tem como protagonista Henry DeTamble (Eric Bana) que aos seis anos de idade descobriu que possui uma estranha capacidade de viajar no tempo. Isso acontece por causa de uma modificação genética rara, mas o que é um sonho para alguns, para este rapaz é um imenso fardo que lhe traz grandes transtornos e constrangimentos devido as dificuldades em se adaptar às constantes mudanças de época que lhe pegam de surpresa, afinal não tem controle nenhum sobre esta anomalia. Em uma dessas viagens ele conhece Clare Abshire (Rachel McAdams), uma artista plástica por quem se apaixona perdidamente. Eles se conheceram quando ela ainda era criança, tornaram-se amigos, confidentes e por fim começaram a namorar. O problema é que o tempo parece estar sempre contra o casal e futuro de Clare é o passado de Heny, este que sempre sabe de antemão o que está por vir. Isso incomoda muito sua companheira, assim como a dúvida de nunca saber por quanto tempo poderá estar junto dele e quando reaparecerá, afinal independente do que acontece com ele a vida da garota segue seu curso normal. Mesmo assim, o sentimento entre eles é tão forte que os dois compactuam em enfrentar os obstáculos para ficarem juntos.

A história do livro sem dúvida é bastante original por conjugar elementos de gêneros bastante distintos, mas sua transposição para a linguagem cinematográfica é um tanto irregular e por vezes insossa. Evitam-se especulações a respeito do problema genético de Henry e a opção acolhida é mostrar que o personagem aprendeu a lidar com sua anomalia na medida do possível. A ideia é apresentar tal deficiência com naturalidade, mas fica bem complicado engolir como os demais personagens reagem normalmente às idas e vindas do rapaz. Aliás, onde estão os coadjuvantes que costumam roubar a cena? Todos aqui surgem nivelados a uma medíocre interpretação. Melhor dizendo, o grande problema não está nas interpretações, mas sim pelo texto fraco que não oferece situações chamativas para tais personagens e o diretor Robert Schwentke também não soube lhes dar a devida importância. Todavia, conhecido pelo suspense Plano de Voo, é preciso destacar que criar atmosferas adequadas é uma das habilidades do cineasta. Se no citado filme criou um eficiente clima claustrofóbico para desenvolver a trama de um suposto sequestro, neste romance ele teve a preocupação de transmitir suavidade visual para acompanhar uma trama com mesmo apelo, mas chega um momento que a sutileza pesa contra a obra. Rubin, que no currículo tem o clássico romântico Ghost – Do Outro Lado da Vida, se preocupa com o desenvolvimento inicial do enredo e somente após o espectador se familiarizar com o drama de Henry é que o foco é voltado para Clare que, conforme ela mesma diz, sabe qual é a sensação de quem fica, mas não imagina o que sente aquele que parte. Tal incógnita, no fundo, limita o relacionamento assim como para quem ama um deficiente, mas isso não impede que o amor encontre caminhos para sobreviver. A grande lição que fica é saber aceitar o problema do outro e confiar em sua lealdade. Não é uma tarefa fácil e a mocinha da trama sabe bem disso. É óbvio que chegará um momento que Clare se sentirá presa ao tipo de vida que leva com Henry e repensará sobre seus sentimentos. A partir de então a trama caminha um pouco mais ligeira, mas só mesmo os exageradamente românticos ainda estarão preocupados com o desfecho dos protagonistas. Parte do desinteresse se deve ao fato do enredo tentar fugir do clichê da alteração do passado. Henry procura melhorar as coisas, até procura auxílio médico e se informar sobre o que aconteceria caso tivesse um filho, mas o mote da trama não é mudar a ordem das coisas e sim preservar o amor.

Apesar do apelo melodramático, há algumas tentativas de se fazer graça levemente como no momento em que Henry ajuda a amada a ganhar um prêmio de loteria cantando para ela os números sorteados que ele já sabia. Saltar no tempo e ter informações a respeito de si mesmo e daqueles que o cercam é uma coisa, agora prever coisas que envolvem núcleos maiores resultou em uma piada frustrada. Por outro lado, é desperdiçada uma divertida característica do protagonista. Toda vez que viaja no tempo suas roupas ficam como lembranças para aqueles que aguardarão sua volta e o rapaz reaparece completamente nu em outra época e local, assim precisa se virar para conseguir outros trajes e se adaptar o mais rápido possível ao “novo” tempo. Pena que quando se habitua o destino lhe prega uma peça e já é hora de outro passeio involuntário. O enredo poderia ter investido um pouco mais nessas situações, mas é certo que assim o projeto poderia tornar-se outro completamente diferente, afinal o argumento com algumas modificações seria um prato cheio para uma comédia banal. Mantendo os pés no gênero romântico, Te Amarei Para Sempre acaba sendo no máximo uma opção curiosa, mas não diverte e tampouco emociona a maioria. Como a história desde o início soa confusa e arrastada, fica difícil para o espectador se envolver com o romance dos protagonistas e o foco de atenção acaba sendo jogado para as mudanças temporais que parecem forçadas para o roteiro ganhar certa aura de intelectualidade. Até são mencionadas algumas explicações científicas para a doença de Henry, algo totalmente descartável, mas o projeto se resume a engambelar o público por quase duas horas que parecem demorar uma eternidade para passarem. O próprio título nacional busca descaradamente a audiência feminina e o fato da mocinha ser interpretada por McAdams, do clássico moderno Diário de Uma Paixão, só acentua a visão comercial de seus realizadores. A jovem e seu parceiro até se esforçam para dar credibilidade às suas personagens e ao amor que vivenciam, mas em alguns momentos parecem inseguros como se não soubessem os rumos da trama ou não tivessem ideia de como tudo ficaria após editado. Todavia, há quem consiga se emocionar com este romance intrincado, porém, a maioria deve se lembrar mais do filme como algo experimental cujo visual delicado é a qualidade que mais salta aos olhos.

Romance - 107 min - 2009 

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