sábado, 18 de novembro de 2017

7 DESEJOS

Nota 1,5 Egoísmo e valor da vida são temas desperdiçados em terror teen genérico e ruim

Tudo o que você faz um dia volta para você. Quem nunca ouviu tal máxima e se pegou refletindo sobre a mesma em momentos de dificuldades? A protagonista de 7 Desejos talvez nunca tenha tido contato com tal pensamento popular. Tampouco os realizadores da fita, visto que abordam uma premissa um tanto surrada sem um pingo de criatividade e de forma assumidamente trash, uma desculpa para investir em cenas pretensamente impactantes com muito sangue e trabalhadas com o trivial do gênero. Os clichês de pouca iluminação, efeitos sonoros estridentes e edição rápida são usados em excesso como em uma ação desesperada para que ao menos visualmente o longa compense a total falta de originalidade ou empatia do roteiro, mas tudo é em vão. Assim como em seu primeiro longa-metragem, Verdade ou Consequência,  a roteirista Barbara Marshall aborda o universo feminino, mais especificamente o microcosmo das adolescentes, e constrói sua narrativa em cima de arquétipos. Desde o inexplicável suicídio da mãe, Clare Shannon (Joey King) leva uma vida infeliz principalmente no colégio onde é vítima de bullying por conta de seu jeito reprimido e por ser ignorada por Paul (Mitchell Slaggert), colega por quem é apaixonada. Contudo, sua pacata rotina vira dos avessos quando Jonathan (Ryan Phillippe), seu pai que vive de catar bugigangas no lixo, encontra uma bela caixa de música com ornamentos orientais e oferece para a filha sem saber dos poderes mágicos do artefato. Ao perceber essa particularidade, a jovem começa a lapidar sua vida através de desejos insanos e sem perceber as consequências, assim tudo que pede é transformado em realidade de forma literal. Por exemplo, quando pede que Darcie (Josephine Langford), sua pior inimiga na escola, apodrecesse de fato a garota de uma hora para a outra apresenta deformações na pele como se estivesse se degenerando como um cadáver. Tudo piora quando Clare faz o pedido para que Paul se apaixone perdidamente por ela, ignorando por completo os sentimentos de Ryan (Ki Hong Lee), que realmente demonstra gostar da garota sem precisar de mandingas para tanto.

Além da previsibilidade da trama, causa certo desconforto ver na tela o egocentrismo da protagonista que dotada de rancor e sentimento de inferioridade que esconde sob um semblante apático realiza pedidos superficiais. Ao usar a magia para vingança e alimentar o seu ego enganando a si mesma em relação ao amor, Clare também revela ser preconceituosa ao desejar que seu pai se torne milionário de uma hora para a outra para não ser apontada como a filha do sucateiro e egoísta na medida que para cada sonho realizado alguém de seu círculo de convivência acaba morrendo de forma trágica, assim nem Meredith (Sydney Park) e June (Shannon Purser), suas melhores amigas, podem respirar aliviadas. Maravilhada com seus primeiros pedidos prontamente atendimentos ao pé da letra e sem refletir que para cada ação existe uma reação, Clare deseja até mesmo alterar o curso do tempo resgatando sua mãe na ilusão de que sem a sua morte sua vida poderia ser totalmente diferente. Claro que chegará o momento que a protagonista compreenderá o mecanismo da tal caixa mágica, todavia não espere uma reflexão séria a respeito sobre o preço de uma vida ou algo do tipo. A trama se restringe a preparar o terreno para cenas de mortes de violência gráfica extrema e bastante previsíveis, emulando títulos como o sucesso teen Premonição (trágicos acidentes tratam de dar cabo da vida dos personagens)  e até mesmo obscuroS como Wishcraft - Feitiço Macabro (troca-se o boneco de vodu pela caixa mágica). Reciclar fórmulas não é um problema. A grande questão aqui é que o diretor John R. Leonetti, do superestimado Anabelle, faz tudo sem um pingo de criatividade e contando com personagens completamente vazios que não despertam o  mínimo de interesse. Além de personalidades calcadas em estereótipos pueris, seus intérpretes são totalmente despreparados com atuações exageradas e cafonas que prejudicam o filme na medida que contribuem para o enredo caminhar para uma sátira mal feita e desprezando qualquer possibilidade de um viés sinistro. Em 7 Desejos tudo é tratado com superficialidade e levado como uma brincadeira, assim não justificando a existência do filme.

Terror - 90 min - 2017

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