quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O ZELADOR ANIMAL

NOTA 4,0

Comédia com animais falantes
aposta em clichês, piadas bobas e
tenta conquistar o público adulto com
trama romântica desinteressante
Filmes com bichos falantes é um dos clichês mais antigos do cinema, já não colam nem mesmo na “Sessão da Tarde” e geralmente nem chegam a ser exibidos mais nas telonas, sendo lançados diretamente em DVD. Contudo, tentando lucrar em épocas de férias ou feriados, um ou outro produto do gênero ainda tenta a sorte de ser exibido em grande circuito como foi o caso de O Zelador Animal, mas os resultados financeiros e de crítica foram desanimadores. A fórmula consagrada para atrair crianças e consequentemente seus acompanhantes adultos neste caso deu defeito. Tentando revigorar esta espécie de subgênero infantil, os roteiristas Nick Bakay, Rock Reuben, Jay Scherick e David Ronn acabaram enveredando por um caminho perigoso. Os bichinhos não estão aqui apenas para fazer graça ou infernizar a vida do protagonista, mas atuam também como conselheiros amorosos. Nada contra romances para crianças, mas quando a produção leva a assinatura do ator Adam Sandler como um dos produtores a situação torna-se preocupante. Conhecido por piadas escatológicas ou de duplo sentido aqui ele ainda ganha a companhia de Kevin James com que já havia contracenado em Eu os Declaro Marido e... Larry. O ator rechonchudinho aparece nos créditos como produtor e roteirista, além de viver o protagonista, Griffin Keyes, um cara gente boa, amigo de todos e que há muitos anos trabalha como zelador de um jardim zoológico, emprego digno e que adora. Ele é perdidamente apaixonado pela namorada Stephanie (Leslie Bibb), uma garota fútil e vaidosa a quem ele pede em casamento em um romântico passeio a cavalo por uma praia deserta em meio ao pôr-do-sol, mas nem todo esse cuidado para criar um clima envolvente foi capaz de evitar o pior de seus pesadelos. Ela não só recusa o pedido como também humilha o cara por conta de sua falta de ambição, afinal ela não quer de forma alguma conviver com macacos, girafas, leões e outros bichos. Cinco anos se passaram desde esta decepção e Keyes não a esqueceu, mas quis o destino que eles se reencontrassem durante a festa de casamento do irmão do zelador o que fez com que reascendesse o fogo da paixão em ambos. O problema é que este romântico crônico ainda está com o mesmo padrão de vida e a garota, embora um pouco arrependida do que fez, está acompanhada de Gale (Joe Rogan), outro ex-namorado, um tanto metido a besta e que passa a medir forças com seu concorrente ao coração da jovem.

Para não perder esta segunda chance de conquistar a mulher da sua vida, Keyes está disposto a tudo para reconquistá-la e para tanto vai ganhar uma ajuda inesperada. Existe um pacto entre os animais de que eles não podem falar com os humanos, mas diante da gravidade da situação eles resolvem quebrar o voto de silêncio para ajudar aquele que sempre lhes dedicou total atenção. E assim a bicharada ataca de conselheiros amorosos e passam a dar dicas para o zelador reconquistar seu grande amor, obviamente lições dentro daquilo que a natureza deles propicia, assim, sem questionar muito, o protagonista passa vez ou outra a caminhar e urrar feito um urso no cio e a demarcar território com seu xixi, por exemplo, mas as técnicas de acasalamento do mundo animal visam exclusivamente a procriação. No universo dos humanos construir uma família atualmente deve ser um dos últimos itens levados em consideração na hora de uma união, sendo mais importante saber o que os cônjuges ganharão social e financeiramente com o casamento. De qualquer forma, cheios de boas intenções, os bichos ficam felizes ao ver que as dicas serviram para encorajar Keyes, mas não contavam que Stephanie os queria ver bem longe ainda desejando que o zelador abandone seu emprego e procurasse outro que possa bancar sua vida fútil e ser compatível com seu status social. O plano então agora é outro. Os amigos do zoológico decidem convencê-lo de que tal relação não é amor de verdade e literalmente na lábia querem fazer a sua cabeça para continuar no mesmo trabalho, consequentemente continuando a ser o cara legal que todos eles aprenderam a amar como um parente. Essa é a hora de Keyes acordar do sonho e cair na realidade e a deixa para o longa expor sua lição de moral: as pessoas devem lhe amar como você é e para tanto é preciso que você em primeiro lugar ame a si mesmo com todos os seus defeitos e qualidades. Para resgatar seu amor próprio é claro que existe uma moça bacana de plantão, Kate (Rosario Dawson), que nutre certo carinho pelo gordinho, porém, respeita o sentimento que ele tem pela loira aguada e todos os seus conselhos e momentos de aproximação visam a sua felicidade. Não é surpresa alguma qual será a decisão do protagonista faltando cinco minutos para o término do filme. Para completar o enredo, existem algumas tramas paralelas desnecessárias, destacando-se apenas as intervenções de Venom (Ken Jeong), um apaixonado por serpentes, aquele personagem idiota que geralmente diverte mais que os principais.

O que se espera de uma comédia é que ela faça rir, mas são poucos os momentos realmente engraçados deste trabalho do diretor Frank Coraci, de Click.  Na realidade a produção até tem um punhado de piadas visuais e no texto, mas é uma pena que boa parte delas não funcione seja por serem para lá de clichês ou por abusarem da grosseria, algumas inclusive não casam bem com a ideia de um filme voltado ao público infantil, mas faladas ou protagonizadas por animais também acabam não conquistando os adultos. O gancho romântico igualmente não é lá muito adequado, podendo entediar os pequenos que possivelmente não devem entender os valores em jogo e não surtir efeito entre os grandinhos por sua previsibilidade. Tentaram agradar a grandes platéias e atiraram para tudo quanto é lado. O grande problema é que depois de revelado que os animais podem se comunicar com o protagonista, diga-se de passagem, situação muito bem aceita por ele, o roteiro fica sem trunfo algum para segurar a atenção e se torna uma produção de uma piada só: a bicharada no comando e o humano necessitado na posição de adestrado. E realmente são os animais o chamariz da produção, não podia ser diferente. Originalmente com as vozes de nomes famosos como Cher, Sylvester Stallone e Nick Nolte, a versão dublada para o português, entre ilustres desconhecidos, tem como diferencial que o comediante Marcelo Adnet faz as vezes de cinco animais diferentes aproveitando-se de sua capacidade vocal. Mesclando as características próprias de cada um, mas dotando-os da capacidade de conversarem e pensarem como os humanos, o resultado acaba sendo apenas razoável, o visual das espécies é prejudicado pelo excesso de computação gráfica. O leão é o mais crível de todos os bichos e está anos-luz de Bernie, o gorila solitário que deveria ser o grande foco de identificação de Keyes.  Apesar de cenas divertidas como o passeio que os dois dão pela cidade, com direito a uma paradinha em um barzinho, o macacão destoa do conjunto parecendo alguém fantasiado, além do fato dele saber coisas demais para alguém que vivia trancado e sozinho em uma jaula. Para curtir O Zelador Animal realmente não há outra forma que deixar o espírito crítico de lado e embarcar na fantasia, em uma história onde tudo pode acontecer, inclusive um gordinho pouco confiante e nada sedutor ser disputado por duas lindas mulheres. Mesmo clichezão, é uma forma de eventualmente habituar as crianças a curtirem cinema e assim criar futuras platéias para produtos bem melhores, assim não seria nada mal um pouco mais de esforços dos realizadores para entregar um filme melhor.

Comédia - 102 min - 2011

-->
O ZELADOR ANIMAL - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...