sábado, 2 de março de 2013

AURORA BOREAL - ENCONTRO COM A VIDA

Nota 6,0 Drama sobre amadurecimento tardio é correto, mas não vai além dos clichês 

Filmes sobre jovens revoltados ou que não querem crescer são lançados aos montes todos os anos, mas são poucos os que se destacam e conseguem tratar o assunto de forma profunda.  Aurora Boreal – Encontro com a Vida não foge à regra. Esta produção independente é bem-feitinha, tem um elenco com nomes de peso, uma premissa interessante, mas não consegue explorar com profundidade o mundo vazio no qual o protagonista vive. Desde a prematura morte de seu pai, Duncan Shorter (Joshua Jackson) não tem levado a vida muito a sério. Ele só quer saber de garotas, festas, bebidas, odeia a melancolia da cidade em que vive e não se estabiliza em emprego algum. Sua decepção com a vida vem desde a adolescência devido ao fato de ter perdido seu pai por causa do vício em drogas e por sua mãe ter ido embora para outra cidade logo após ficar viúva, assim ele e seu irmão Jacob (Steven Pasquale), acabaram tendo que encarar os desafios da vida praticamente sem a segurança de um adulto por perto. Jacob adotou uma postura mais segura diante das dificuldades, conseguiu um bom trabalho, casou, teve filhos, mas de vez em quando recorre a ajuda do irmão para ter onde passar algumas horas com outra mulher. Já Duncan abandonou a promissora carreira como jogador de hóquei, afastou-se da família e passou a levar uma vida desregrada estendo sua adolescência além do permitido. Por outro lado, a saúde precária de seu avô Ronald (Donald Sutherland) acaba o mantendo sempre por perto principalmente quando ele consegue um trabalho para fazer a manutenção do edifício onde o idoso vive. É nesse lugar que surge a possibilidade de Duncan mudar os rumos de sua vida a partir de um novo amor. Kate (Juliette Lewis) é a enfermeira de Ronald, uma garota séria e bastante segura do que quer na vida. O interesse do rapaz pela moça é correspondido e logo eles estão namorando, mas ela está de mudança para a Califórnia em breve e para acompanhá-la Duncan terá de provar que amadureceu e que agora sabe que a vida não é feita só de curtições, mas também de responsabilidades.

Sutherland como sempre rouba a cena desta vez vivendo um portador de mal de Parkinson que está sofrendo com as demais consequências da doença e forma uma dupla cativante com a sumida (e curiosamente oscarizada) Louise Fletcher que interpreta Ruth, sua esposa. A convivência com o problemático cotidiano destes idosos acaba dando um choque de realidade no protagonista que então decide finalmente aceitar que não é mais nenhum adolescente e que é hora de amadurecer, gancho que cria um vínculo de identificação de imediato com o espectador. Para esta repentina e bem-vinda mudança conta muito a ajuda da enfermeira Kate. Jackson e Lewis formam um par simpático com uma história romântica comum, mas ainda totalmente válida. Todavia, o ponto de maior interesse no roteiro de Brent Boyd fica por conta da relação de carinho mútuo entre neto e avô, um amor tão grande que pode levar Duncan a realizar até mesmo um ato impensado para satisfazer um desejo de Ronald. Vencedor e indicado a alguns prêmios em festivais cinema independente, este trabalho do diretor James Burke é correto, mas acaba deixando um gostinho de quero mais. Gostaríamos de conhecer mais do mundo sem limites no qual Duncan vivia, assim como apreciar mais alguns momentos dele com sua família e saborear sua relação com a nova paixão de forma mais detalhada. O cineasta acabou reunindo em um mesmo filme bons entrechos narrativos, mas no final das contas não se arriscou a ir além das expectativas e quem espera ver a tal aurora boreal do título pode se decepcionar. O fenômeno óptico que provoca certo brilho diferenciado nos céus a noite só é citado como uma agradável lembrança que Ronald guarda na memória dos tempos em que se reunia com seu filho e os netos na varanda de casa para observar o horizonte. Desta vez o criticado recurso do flashback fez falta para ao menos termos uma cena memorável nesta obra. Todavia, trazendo reflexões sobre o que significa amadurecer e sobre os caminhos que tomamos para seguir nossas vidas, Aurora Boreal – Encontro com a Vida é um pequeno tesouro que merece ser descoberto.

Drama - 109 min - 2005

-->
AURORA BOREAL - ENCONTRO COM A VIDA - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...