quarta-feira, 14 de março de 2012

MATILDA

NOTA 9,0

Produção infantil também
consegue agradar aos
adultos com trama com
boas lições e críticas
As crianças prodígios já foram temas de diversos filmes destinados a divertir toda a família, mas é uma pena que na maioria das vezes elas sejam retratadas de forma estereotipadas que acabam tornando-as chatinhas e pouco críveis. Foi preciso o olhar anárquico de Danny DeVito para ganharmos um novo e simpático modelo de menor super inteligente no cinema. Conhecido por suas atuações cômicas e geralmente secundárias, o baixinho com cara de palerma se dá muito bem atrás das câmeras unindo humor inocente ao negro e ainda adicionando em seus trabalhos generosas doses de sarcasmo e crítica à sociedade, embora as pessoas comumente se refiram apenas ao longa A Guerra dos Roses como um bom trabalho de direção do ator. É preciso dar um voto de confiança e reavaliar seu desempenho segurando as rédeas de Matilda, um verdadeiro clássico da "Sessão da Tarde" que diverte e traz ensinamentos para crianças e adultos.  A garota do título é interpretada com vigor e graciosidade pela talentosa Mara Wilson, literalmente uma criança prodígio. Desde muito novinha ela já atuava no cinema, tendo participado de filmes como Uma Babá Quase Perfeita e de uma refilmagem do clássico natalino Milagre na Rua 34, e era apontada como uma das grandes promessas de Hollywood, mas não foi o que aconteceu, embora ela ainda se dedique as artes dramáticas em projetos teatrais. Ela acabou virando um símbolo de nostalgia para muita gente e vivendo a menina esperta e com dons especiais desta produção infantil chegou ao ápice de sua carreira. Matilda é uma criança brilhante que ainda bebê já demonstrava uma inteligência acima da média, ainda mais considerando os pais que tem. Zinnia (Rhea Perlman) é uma deslumbrada dona de casa que só pensa em futilidades. Já seu pai Harry (DeVito) é um vendedor de carros que na realidade é um adepto dos trambiques para lucrar alguns trocados a mais. O casal é realmente perfeito. Combinam tanto nos hábitos rudimentares quanto na ignorância, características que também foram passadas ao primogênito. Com uma família dessas nem parece que Matilda faz parte do clã e é exatamente assim que ela se sente, passando a maior parte do tempo sozinha, ou melhor, na companhia dos livros. 

Desde os quatro anos de idade Matilda costumava ir até a biblioteca e pouco a pouco conseguiu ler praticamente todos os livros do local e essa foi sua pré-escola. Tudo que aprendeu até então foi viajando através das páginas de obras literárias e pedagógicas. Um dia, enquanto lia mais um livro, a família da garota se divertia um bocado com um programa de TV imbecil de gincanas e então veio o estopim que mudaria para sempre a vida de Matilda. Forçada a abandonar a leitura para ver televisão e passar a se comportar como qualquer membro daquele desconjuntado lar, a garota consegue com a força do pensamento explodir o televisor e a partir de então uma série de estranhos acontecimentos ocorrem até que Harry decide matriculá-la em um colégio, coisa que até então nem passava pela cabeça oca deste homem. Agora começa uma nova fase da vida da menina prodígio e ele terá não só que colocar seus pais na linha, mas também dar umas boas lições para a diretora da escola, a cruel Agatha Trunchbull (Pam Ferris), que inferniza a vida das crianças com seus maus tratos e castigos. O porto-seguro da nova aluna é a bondosa professora Honey (Embeth Davidtz), uma mulher que tem algo de misterioso em seu passado e que precisa se libertar para poder viver em paz e corrigir injustiças. Com este enredo bastante inteligente em se tratando de uma produção infantil, gênero em que imperam as ideias batidas e bobinhas, DeVito consegue fazer humor e crítica ao mesmo tempo e deixar no ar mensagens importantes a serem assimiladas e refletidas por crianças e adultos, tanto no ambiente escolar quanto no familiar. O roteiro que compreende com perfeição o universo infantil e como as crianças enxergam o mundo confuso e de pernas pro ar dos adultos só poderia ser baseado em um livro escrito por alguém que entende essas pequenas e criativas mentes. Roald Dahl já teve outras obras suas adaptadas com sucesso para o cinema, como Convenção das Bruxas e A Fantástica Fábrica de Chocolate (títulos nacionais dos filmes), o que só prova o seu talento para escrever textos fantasiosos, mas que sempre deixam importantes lições de moral e conduta.
É um costume das famílias modernas darem mais valor a dinheiro e tecnologia, inclusive bajulando os filhos com tais mimos, e deixar a parte da educação em todos os sentidos sob responsabilidade total da escola que, falando francamente, nem a mais conceituada ou mais cara do mundo tem condições de ensinar tudo o que é necessário para a formação de um indivíduo inteligente e de caráter. O que se aprende dentro de casa e o que se assimila de conhecimento por meio de produtos culturais como livros, jornais, revistas, filmes, músicas e até um ou outro programa de TV, também vão determinar o que uma criança será no futuro. Os pais de Matilda são ignorantes, rudes e de caráter duvidoso justamente por não terem tido uma base sólida de educação. Outra provável vítima de uma vida com péssima estruturação na infância é a senhora Trunchbull, a diretora que deixa qualquer um com raiva e as crianças de cabelo em pé devido as suas atitudes grotescas e sem o mínimo de respeito ao próximo. Apesar de o filme ser datado do final da década de 1990, ele já mostrava o quanto a deficiência de cultura pode destruir um ser humano, levando-o a ter hábitos e conduta totalmente reprováveis. Se no filme apenas a televisão é mostrada como uma destruidora de cérebros quando mal consumida (e olha que na época nem se pensava em realities shows), hoje temos ainda a internet e os jogos de videogames para detonar cabeças e estimular as atitudes ilegais e violentas e tais “armas” tem passe livre na maior parte das residências, principalmente como tática de pais ausentes para suprirem o tempo que não podem dispensar aos filhos. O que poderia ser considerado uma simples comédia com temática infantil, com um pouco de esforço pode se revelar um trabalho muito mais profundo e é possível desvendar as suas mensagens subliminares e passá-las adiante. Claro que ninguém na vida real conseguiria fazer os truques mágicos da protagonista, mas ser tão inteligente quanto ela é possível sim, basta fazer o mesmo que a garota: saber usar o que se tem à disposição para adquirir cultura e deixar de lado o que não presta, salvo nas ocasiões em que o objetivo seja realmente apenas uma distração para relaxar. Enfim, Matilda é um exemplo que educar pode ser divertido, principalmente quando os papéis se invertem e os menores passam a ensinar os mais velhos. Deveria ser adotado como conteúdo obrigatório em todas as escolas, inclusive para os próprios professores.
Infantil - 98 min - 1996 

-->
MATILDA - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...