sábado, 12 de novembro de 2016

ADORÁVEL MOLLY

Nota 2,0 Lento e mal estruturado, suspense só tem como atrativo um trágico fato de bastidor

Em 1999 um suspense independente e completamente diferente do estilo das produções convencionais tomou de assalto milhares de salas de cinema no mundo todo amparado por uma inteligente estratégia de marketing que usava o ainda pouco conhecido mundo da internet. A Bruxa de Blair impactou com a publicidade de ser uma edição de imagens de fitas caseiras a respeito de um suposto caso real de desaparecimento de três jovens em uma floresta assolada pela lenda de uma feiticeira. Com este trabalho o diretor Eduardo Sánchez não só abriu as portas para uma nova ferramenta de divulgação para o cinema, como também deu o pontapé inicial para o uso de uma técnica que viria a se popularizar anos depois, o “found footage”. Explorado ao máximo pela franquia Atividade Paranormal e tantas outras fitas de horror, o recurso da compilação de filmagens amadoras acabou perdendo fôlego e não impacta como antes, o que certamente deve ter colaborado para Adorável Molly ter passado em brancas nuvens. A trama acompanha um casal recém-casado às voltas com problemas financeiros e que estão vivendo na mesma casa onde a garota foi criada e abandonada desde a morte de seu pai. Ainda se recuperando do vício em heroína, Molly (Gretchen Lodge) não gosta muito da ideia, pois além de enorme para duas pessoas, o local lhe traz lembranças ruins de sua infância. É óbvio! Tim (Johnny Lewis) é caminhoneiro e passa muito tempo fora de casa, assim tudo parece cooperar para agravar os problemas emocionais e psicológicos que sua esposa começa a apresentar. Gradativamente ela passa a ouvir estranhos ruídos e se convence de que algo traumatizante de seu passado está de volta para atormentá-la. Enquanto Hannah (Alexandra Holden), a irmã da jovem, se preocupa com a possibilidade de ela ter tido uma recaída com as drogas,  Molly se afunda cada vez mais em sua paranoia não sabendo mais distinguir o que é realidade ou fantasia, uma dúvida que a leva a cometer atos insanos, inclusive torturando o próprio marido com ataques que misturam tesão e violência. E como sempre portas que abrem e fecham sem mais nem menos e objetos que se movem sozinhos são flagrados em filmagens caseiras que levantam as suspeitas de que a protagonista estaria possuída por uma entidade demoníaca. Bem, para o espectador isso parece bem claro, mas a irmã e o marido da moça parecem totalmente alheios ao problema.

Sem tentar minimamente esconder que não passa de um emaranhado de clichês, o roteiro do próprio Sánchez em parceria com Jamie Nash sofre de uma total ausência de clima de suspense. Acompanhamos tudo com interesse mínimo, até porque é difícil criar empatia com a protagonista e se envolver com seu drama. Ainda assim, Lodge se esforça para dar credibilidade à personagem demonstrando de forma emocional, psicológica e principalmente fisicamente a sua deterioração alternando momentos de agressividade, desespero e depressão. Tentando manter a razão e ajuda-la, Tim poderia ter uma participação mais relevante na trama, mas em alguns momentos parece mais um gigolô do roteiro, alguém acionado apenas quando a protagonista precisa exteriorizar seus demônios em cenas de sexo violento. O jovem ator infelizmente não teve tempo o suficiente para demonstrar se tinha talento, tanto neste filme quanto na breve carreira. Cooperando para alimentar aquelas histórias de que mexer com coisas sobrenaturais traz mau agouro, Lewis acabou falecendo cerca de um ano depois das filmagens após uma série de eventos bizarros e trágicos justificados como consequências de uma lesão mental provocadas por um acidente de moto. Poderia ser o argumento de uma campanha de marketing de Sánchez, tão enganosa quanto eficiente como a que usou em A Bruxa de Blair, mas não é. E mesmo se fosse para alavancar a fita, a notícia não surtiria efeito. Com furos, situações mal resolvidas e tentando dar sustos com truques manjados, Adorável Molly não encontra justificativas para ter saído de um simples rascunho de papel. Além da história rasa e morna, o diretor erra por mais uma vez se agarrar ao “found footage” que não traz atrativo algum à uma produção. Molly grava cenas com seus relatos e visões perturbadas querendo provar que tudo é real, mas no fundo tais cenas não agregam nada, a não ser situar passagens de tempo através das datas de rodapé que identificam as filmagens. E assim, por quase uma hora e meia, ficamos à mercê das loucuras da protagonista que de adorável não tem nada. Insuportável ou aborrecida seriam adjetivos que agregariam melhor ao título.

Suspense - 100 min - 2011

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