quinta-feira, 9 de julho de 2015

O LORAX - EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA

NOTA 6,0

Abordando a preservação da
natureza e os perigos do consumismo,
longa agrada as crianças, mas falta
ousadia para agradar aos adultos
Theodor Seuss Geisel, ou simplesmente Dr. Seuss, era um autor de livros infantis cujas obras até hoje fazem muito sucesso em países de língua inglesa, mas no Brasil o conhecimento sobre seus trabalhos é muito limitado. Infelizmente, sua literatura por aqui depende e muito do cinema para chegar ao grande público, mas ainda assim os resultados deixam a desejar. Coloridos, com boas lições de morais e com personagens com características físicas inconfundíveis, O Grinch, O Gato e Horton e o Mundo dos Quem não foram incríveis sucessos de bilheteria fora dos EUA onde faturaram horrores, mas até que ajudaram na venda de livros mundo a fora. A mesma situação se repetiu com O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida, uma animação que não traz mensagens importantes apenas para as crianças, mas também para adultos, afinal é a preservação da natureza que está em pauta, assim como os perigos da ambição sem limites. E olha que esse livro foi lançado em 1971 e já naquela época os avanços do desmatamento das florestas era uma preocupação mundial, o que torna o conteúdo deste filme extremamente atual, quiçá atemporal. A história adaptada por Ken Daurio e Cinco Paul se passa em uma cidade futurista, local onde tudo é feito de plástico ou metal e o verde das vegetações não encontra mais espaço. O jovem Ted está à procura de uma árvore verdadeira para impressionar Audrey, sua vizinha por quem está apaixonado. Nesta busca, ele acaba saindo dos limites da cidade e descobrindo que ele e toda sua comunidade vivem em uma espécie de prisão. Do outro lado do muro que circunda seu mundinho existem apenas ruínas, escuridão e abandono. É nesse mundo obscuro que vive Once-ler (ou Umazevildo, seu nome na versão brasileira), um empresário ganancioso que está desmatando as áreas ocupadas pelas trúfulas, exóticas árvores com pêlos no lugar de folhas, e consequentemente eliminando a sobrevivência de qualquer espécie de fauna ou flora e até mesmo a permanência de riachos e afins. O garoto então toma conhecimento sobre o Lorax, uma criatura encarregada de proteger a natureza, mas que só pode aconselhar a respeito dos danos que o progresso sem limites pode acarretar, não tem poderes para barrar por conta própria.

Ted então passa a lutar pelos direitos da natureza e deseja encontrar a última trúfula viva, porém, seus propósitos vão contra os interesses de Mr. O’Hare, um milionário que lucra vendendo ar puro a preços exorbitantes. Quanto menos plantas existirem, mais poluído o ar ficará, assim obrigando a população a comprar um bem que deveria ser comum e gratuito a todos. Os diretores Chris Renaud e Kyle Balda, dupla responsável pelo badalado Meu Malvado Favorito, tomaram algumas liberdades quanto ao texto original, mas as mudanças só vieram a somar positivamente ao produto final, como a ideia da cidade murada, uma forma de amplificar a sensação de artificialidade do mundo no futuro. Apesar da aparente inocência do roteiro e do colorido excessivo propositalmente atingido com as mais modernas técnicas de animação via computação gráfica, temos aqui uma mensagem muito séria a ser passada. Os diretores deixam clara a intenção de conscientizar as plateias fazendo de tudo para chamar a atenção aos temas propostos que incluem tentar mudar a concepção de pessoas tomadas pelo espírito da ganância e do individualismo. Claro que o grande chamariz da produção é o Lorax, um ser peludinho, laranja e de olhos esbugalhados, mas seu encanto não deve desaparecer logo que surge na tela. Aliás, ele entra em cena pela primeira vez em uma importante sequência. Quando uma trúfula está sendo cortada, ele aparece de repente do toco que restou trazendo através de palavras e ações alertas sobre o que aquele simples ato poderia ocasionar, mas Once-ler não dá atenção é só pensa em continuar derrubando árvores para poder produzir bens de consumo com a matéria-prima.  Caberá então a Ted, contando com a ajuda de sua namoradinha e de sua despachada vovó Norma, a conscientizar seus amigos, familiares e vizinhos sobre os perigos do consumismo e modernidades desenfreadas. Sabemos que o final feliz está garantido de antemão, mas o problema é que o roteiro não faz o menor esforço para deixar alguma dúvida disso.

Tudo é muito redondinho, perfeitinho demais, e o conflito principal é raso, principalmente as motivações do vilão que no final das contas deseja apenas um reconhecimento de sua família, mesmo que por vias tortas. Apesar da defesa da natureza ser o assunto principal, a narrativa não é monótona. Ela é conduzida com simpatia, humor e diverte, pelo menos entretém seu público-alvo de forma digna. Os roteiristas foram habilidosos ao adaptar os versos escritos pelo Dr. Seuss em diálogos de fácil assimilação e bons números musicais, este o calcanhar de Aquiles de muito desenho por aí. O que certamente atrapalhou a produção em encontrar seu público foi seu caráter de diversão infantil assumido sem receios. Não existe realmente a preocupação em agradar adultos com piadas ácidas, malícia ou citações a filmes ou assuntos contemporâneos como é o caso da franquia Shrek, por exemplo. Até mesmo o vilão que deveria ser uma alusão às grandes empresas que lucram com a poluição e o desmatamento aqui aparece de forma um tanto caricatural. Se o roteiro pode deixar a desejar para os mais crescidinhos, o encanto visual está garantido através de imagens que exibem o cuidado com texturas, algo que algumas produções computadorizadas deslizam deixando o resultado final um tanto artificial. Bem, não que aqui a artificialidade não esteja presente, afinal ela faz parte até mesmo do enredo. Os plásticos parecem críveis, assim como o que deve ser coberto com pêlos nos dá a sensação de maciez ao toque. Apesar de não ser muito longo e nem se aprofundar em suas discussões a respeito do futuro incerto, O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida consegue plantar uma sementinha de conscientização em seu público-alvo. Mesmo com todo o visual lúdico que ocupa o espaço do tradicional verdinho das vegetações, o recado é bem dado aos pequenos e provavelmente caberá a eles transmitir aos pais e familiares a mensagem explícita do longa. Infelizmente, para muitos adultos, esta produção não é nada mais que um passatempo rápido protagonizado por um bichinho fofinho que eles certamente comprariam em uma loja de brinquedos para alegrar os filhos e alguns anos depois descartariam como qualquer porcaria. Assista e aplique os ensinamentos do longa nas pequenas coisas do seu dia-a-dia. Tenha certeza que algumas mudanças de comportamento hoje farão diferença no futuro.

Animação - 86 min - 2012 

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