terça-feira, 1 de abril de 2014

IRONIAS DO AMOR

NOTA 6,5

Apesar do início estranho,
romance encontra seu caminho,
embora previsível e deixando
piadas de lado para apostar no drama
É comum que as pessoas consolem alguém que está sofrendo por amor ou por nunca o ter experimentado de verdade dizendo que quando menos se espera uma grande paixão pode surgir em seu caminho. Quem se apega a tal pensamento pode achar ridículo, mas inevitavelmente passa a idealizar o momento desse encontro com toda pompa de filme hollywoodiano, sendo capaz até de se imaginar vivenciando situações e diálogos um tanto clichês. Alimentadas por essas fantasias, milhares de pessoas vão tocando suas vidinhas até que o grande dia chega. O amor da sua vida finalmente está próximo, mas você nem percebe devido as circunstâncias que não lembram em nada seus sonhos. É dessa forma que começa o amor do casal protagonista de Ironias do Amor, baseado no romance de Ho-sik Kim que investe no humor sutil para conquistar o espectador, mas na reta final apela para o melodrama. O filme começa nos apresentando a Charlie Bellow (Jesse Bradford), um jovem que está sozinho em meio a uma paisagem outonal dizendo que para entender como ele chegou até lá é preciso conhecer sua história desde o início. Ele cresceu em uma pacata cidade e seus pais fizeram de tudo para lhe dar uma boa educação a fim dele ingressar em uma universidade de renome para estudar administração e quem sabe seguir os mesmos passos profissionais do pai. Educado em ambiente tradicionalista e com seu futuro parcialmente traçado, não havia muito com o que Charlie se preocupar, mas e quanto a sua vida pessoal? Ele deixa os pais no interior de Indiana e vai morar sozinho em Nova York sonhando com uma colocação melhor no mercado, mas ao contrário da maioria dos solteiros não é um cara namorador e tampouco adepto do sexo casual, o que soa estranho para muitos como seu amigo Leo (Austin Basis) que tenta incentivar o rapaz a se divertir e ser mais descolado. Certa vez questionado sobre qual tipo de garota o faria perder a cabeça sem pensar duas vezes, coincidentemente Charlie bate os olhos aleatoriamente em Jordan Roark (Elisha Cuthbert), uma loirinha que parece cheia de atitude e personalidade. Já diz o ditado popular que os opostos se atraem, assim ela seria a garota perfeita para um jovem mais pacato e pé no chão.

Esse momento poderia ser típico de cinema, mas eles não trocam uma única palavra, sequer se aproximam, mas quis o destino que os dois forçosamente se conhecessem. Charlie reencontra a moça na estação de metrô chamando por alguém aos gritos e colocando-se em risco perto dos trilhos. Após um ataque bizarro de emoções, Jordan adormece em um banco e o rapaz acaba a levando para sua casa. Da mesma maneira que surgiu em sua vida, a garota some no dia seguinte, mas logo entra em contato pedindo, ou melhor, exigindo um encontro com aquele que lhe estendeu a mão. Finalmente mantendo uma conversa civilizada ou ao menos de forma mais normal, Charlie persegue que a moça é espirituosa, tem sempre uma resposta ou piada na ponta da língua, mas no fundo parece um tanto desajustada. Provavelmente a alegria que demonstra é a forma que encontrou para lidar com o fim de um namoro. Outros encontros acontecem e assim eles começam a namorar naturalmente, não importando mais ao jovem as várias perdas de oportunidades de trabalho para poder ficar com a espevitada loirinha que tem como passatempo preferido escrever histórias que acredita terem potencial para se transformarem em roteiros de cinema. Curiosamente seus textos se passam sempre em épocas futuras, mais uma prova de que ela faz de tudo para escapar da realidade. Em uma divertida sequência protagonizada pelo próprio casal, ela chega até mesmo a reinventar a fatídica viagem do Titanic no ano de 2037 com os famosos Jack e Rose novamente separados pela colisão do navio com um iceberg, afinal ela está certa de que o homem jamais aprende com seus erros. Toda a loucura de Jordan, entre momentos de alegria e rompantes de raiva ou tristeza, acaba contagiando o namorado realista que acaba se excedendo na diversão e conhece forçosamente o pai dela, o Dr. Roark (Chris Sarandon, o sumido vampiro sedutor da primeira versão de A Hora do Espanto), médico que acaba atendendo o rapaz após ele cair e bater a cabeça. Ele troca remédios e exames por um conselho: quer vê-lo longe de sua filha, pois o considera uma má influência que a faz perder a noção de limites.

Até aí ficamos nos perguntando que raios de romance é esse? Como alguém pode se apaixonar por uma figura tão estranha e de temperamento tão inconstante? Muitos podem já estar entediados ou confusos, mas os adeptos de romances podem gostar dos rumos da trama. Chega um momento em que Charlie percebe que ao mesmo tempo em que Jordan lhe faz bem ela também parece inclinada a destruí-lo, mas mesmo enumerando todos os seus defeitos acaba chegando a conclusão de que está realmente apaixonado pela doidinha. Entre encontros e desencontros, só vamos saber o real motivo do comportamento da garota e sua fixação pelo atual namorado quando a narrativa volta ao ponto inicial, o parque no qual Charlie se encontra aos pés de uma árvore de imagem peculiar e de grande importância para o casal. São previsíveis tais segredos ainda mais quando o pai da moça procura o possível genro para pedir desculpas e assumir que o tratou mal pensando que ele era apenas mais um que se aproveitou da fraqueza de sua filha que constantemente voltava para casa na companhia de estranhos por estar embebedada, tentativa de afogar as mágoas quanto ao fim de um romance. Um simples pé na bunda não a deixaria tão transtornada. É difícil entender porque Ironias do Amor foi lançado diretamente em DVD tanto no Brasil quanto nos EUA. Obviamente passa longe de ser um filmaço, mas não chega a ser tão medíocre como tantas bobagens do gênero romântico que chegam aos cinemas. Exibidores e afins que não costumam ver os produtos do início ao fim certamente não se empolgaram com a estranha introdução e a mesma possibilidade pode acontecer com os espectadores, mas quem tiver disposição pode se sentir satisfeito com o conjunto, isso se não for muito crítico e cheio de expectativas. Está é a refilmagem de Yeopgijeogin Geunyeo, um filme da Coréia do Sul lançado nos EUA como My Sassy Girl que foi rejeitado pelo público que não queria ler legendas, mas o roteiro de Victor Levin não traz inovação alguma e tampouco mantém algum resquício de clima de produção asiática, algo acentuado pela direção de Yann Samuell que adotou uma edição arrojada em alguns momentos (ora apostando na rapidez, ora valorizando a suavidade para captar emoções através de olhares e gestos) e que procurou paisagens urbanas para desenvolver várias cenas, talvez uma forma implícita de mostrar como as grandes metrópoles tratam seus habitantes. Eles estão presentes em grandes quantidades, mas poucos sabem o que acontece com o seu próximo. Mesmo assim, ironicamente, laços amorosos nascem e muitas vezes de forma e com pessoas inesperadas.

Romance - 95 min - 2008

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