quarta-feira, 5 de agosto de 2020

OS GATÕES - UMA NOVA BALADA


Nota 3,0 A tal nova balada dos garotões soa sem graça, ultrapassada e rendida a clichês duvidosos


Na onda de resgatar seriados de sucesso da TV adaptando-os para o formato de longas-metragens, Os Gatões - Uma Nova Balada buscava chamar a atenção dos saudosistas e conquistar novas plateias e quem sabe assim iniciar uma franquia. A tentativa acabou fracassando mesmo fugindo de inovações e procurando manter-se fiel ao material original. A ordem do diretor Jay Chandrasekhar era ser o mais fidedigno possível à série protagonizada na década de 1980 por Tom Wopat e John Schneider, respectivamente interpretando os primos Bo e Luke Duke que na versão cinematográfica são defendidos por  Sean William Scott e John Knoxville. Os rapazes ganham a vida distribuindo pelas cidades do sul dos EUA o uísque produzido de forma ilegal pelo tio Jesse (Willie Nelson). 

Bo é apaixonado por seu carro, um possante modelo Dodge Charger cor de laranja lançado no longínquo ano de 1969 e apelidado carinhosamente de General Lee. Já Luke é um mulherengo incorrigível, assim vive se metendo em confusões na busca de novas conquistar para farrear. Juntos os primos formam uma dupla baderneira capaz de incendiar literalmente qualquer lugar por onde passam sempre em alta velocidade, mas chegou a hora de salvar o condado de Hazzard onde vivem. Eles descobrem que Hog (Burt Reynolds), um chefão do crime, quer transformar a cidade em uma grande fonte de exploração de petróleo, obviamente, para apenas ele lucrar e poder assim mandar nos demais habitantes. Em paralelo, Bo tem o sonho de vencer a etapa da corrida de Nascar que promete agitar a região. Seu principal oponente é Billy Prickett (James Roday), um famoso piloto conterrâneo que tem vergonha de suas raízes humildes. 


Envolvidos com esses probleminhas, os rapazes ainda metem em seus imbróglios a prima Daisy (Jessica Simpson), uma jovem famosa por seu corpo sinuoso e seus curtíssimos shorts. Ela costuma ajudar os rapazes a se livrarem das enrascadas que, diga-se de passagem, não são poucas graças ao trabalho escuso do tio, assim a família está constantemente na mira do xerife Rosco (M.C. Gainey). E o filme se desenvolve apoiado em velhos clichês como o forasteiro espertalhão que mexe como quem não deve, jovens que acham que beber e fumar maconha são essenciais para justificarem suas medíocres existências, a gostosona que enfeitiça os homens desfilando seus atributos físicos e por aí vai. Basicamente o clima do seriado foi respeitado, com direito a preservação de um narrador para fazer comentários engraçadinhos, mas da exibição original do último episódio até o lançamento do filme há nada menos que duas décadas os separando. O diretor não quis manter a ação do longa no passado, mas sim transportá-la para os primeiros anos do século 21, porém, o universo habitado pelos Dukes parece parado no tempo e completamente alheio as modernidades que foram surgindo. 

Escrito por John O´Brien e Jonathan L. Dawis, o roteiro nada mais é do que uma colagem de sequências de perseguições de automóveis, brigas em bares e piadas de gosto duvidoso intermediadas por cenas de garotas exibindo seus corpos em trajes provocantes gratuitamente. O talento de Simpson se resumia a isso, assim sua carreira foi minguada e felizmente encerrada precocemente. De capacidades limitadas também, Knoxville e Scott convencem por justamente parecem engessados a papeis de jovens imaturos, bem ao gosto da geração MTV, rótulo dado a juventude que foi criada vendo o antigo canal de videoclipes. Não a toa Os Gatões - Uma Nova Balada tem um ritmo frenético como se cada situação tivesse que durar na tela o equivalente a um clipe musical, mas ainda assim fica a sensação de um episódio de série esticado além da conta, o grande problema da maioria dos seriados de sucesso que ganham sua versão de cinema e acabam fracassando artística e financeiramente. 


Independente do programa de TV, o longa caminha com suas próprias pernas oferecendo o mesmo que outros produtos genéricos teens preferencialmente destinados ao público masculino, ou seja, diversão destrambelhada e munição para fazer seus hormônios ferverem, mas ainda com o agravante de  piadas de mal gosto disparadas contra negros, orientais e pessoas simples do interior. Ironicamente, as poucas risadas que você pode dar são com as cenas inseridas nos créditos finais exibindo os tradicionais erros (ou armações?) das filmagens. Mesmo com os pífios resultados, a fita ganhou uma sequência mostrando a chegada de Luke e Bo ainda adolescentes à fazenda do tio Jesse, basicamente reciclando as (sem graça) piadas do original. Em tempo: a atriz Lynda Carter, a Mulher-Maravilha do seriado homônimo produzido no final dos anos 1970, faz uma pequena ponta completando o pacote nostalgia.

Comédia - 107 min - 2005

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