quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

TERRA RASA

NOTA 0,5

Somente a sequência
inicial é digna de
elogios, o resto é enrolação
sem sentido e enfadonha
Quem nunca escolheu assistir a um filme simplesmente por se sentir atraído pelo pôster do cinema ou pela capa do DVD? Às vezes essa opção pode reservar uma excelente surpresa, mas é provável que o número de decepções seja bem maior. Quem curte filmes de terror deve se guiar muito mais pela arte publicitária de um longa do que pelo seu conteúdo, já que os enredos geralmente são repetitivos, mas os fãs do gênero gostam desses clichês e mesmo conseguindo prever o que vai acontecer a cada cena não resistem a dar uma espiadinha em qualquer produção do tipo. Terra Rasa é apenas mais um produto de horror feito para encher prateleiras de locadoras e embora seja desprovido de qualidades técnicas e de um bom roteiro até conseguiu um pequeno número de fãs. O longa não tem nem mesmo uma arte de capa chamativa, digamos que ela é apenas instigante e a única coisa que presta neste trabalho do diretor e roteirista canadense Sheldon Wilson cuja filmografia essencialmente calcada nos gêneros de suspense e terror possui trabalhos que só pelos títulos já dão arrepios de medo de assistir e se arrepender amargamente. A narrativa começa apresentando um rapaz (Rocky Marquette) coberto de sangue da cabeça aos pés que está vagando pela mata e observando de longe a movimentação de algumas pessoas que estão na região desativando um posto policial. Ele vai até o local e surpreende os tiras que ainda se encontram naquela base. Eles tentam descobrir quem é esse garoto e se o sangue que encobre seu corpo é dele mesmo ou se seria de algum animal ou até mesmo de um humano, visto que alguns estranhos desaparecimentos de pessoas estão ocorrendo por lá há cerca de um ano. O policial Jack Sheppard (Timothy V. Murphy) é uma das pessoas que ficam encarregadas de investigar este caso que une traços de realidade e de algo sobrenatural. Os exames de sangue feitos com o material colhido no corpo do estranho indicam células mortas de pessoas que estão desaparecidas há meses, mas ao mesmo tempo em que ele está detido outras mortes ocorrem nas redondezas. Haveria um serial killer por perto?

Filmes de terror dificilmente são 100% perfeitos, mas é preciso ter alguns elementos mínimos para conseguir algum respeito do espectador, mas no caso não há muito que salvar das críticas negativas. Apesar de uma introdução interessante, ele criou uma obra confusa, desinteressante e com uma conclusão absurda e legítima de trashs movies. Parece que Wilson delineou minuciosamente como abriria seu longa, mas se esqueceu de pensar em como preencheria o restante do tempo. Pelos minutos iniciais até parece que o filme vai render algo, mas quando o tal garoto ensanguentado entra na base policial as coisas declinam, principalmente pelo excesso de personagens e a falta de empatia que eles provocam. A regra básica em produções que querem limar pouco a pouco o elenco é que rapidamente sejam criados laços entre os personagens e o público para que exista sofrimento quando ocorra alguma morte, mas neste terror ficamos indiferentes. Todos em cena são tipos vazios e alguns parecem surgir do nada, não conseguimos entender as ligações propostas entre eles tamanho o tédio que se instaura ao longo da narrativa. Puxar a tal história das pessoas desaparecidas também só ajudou a complicar as coisas, ainda que graças a essa opção uma única boa ideia de Wilson mereça um elogio, embora ela não seja nada original. Existe uma sequência na qual os investigadores descobrem através de fotos em um site de busca que o tal garoto tem o rosto constituído com partes semelhantes as feições das pessoas desaparecidas na região. Ele seria uma espécie de catalisador de espíritos que agora vaga pela mata em busca de justiça por aqueles que foram brutalmente assassinados sendo pendurados em árvores, tendo os corpos mutilados e obrigados a agonizarem por horas. Seria isso mesmo?

Bem, era melhor que Wilson tivesse pensado em alguma justificativa plausível para a presença do misterioso garoto no enredo, mesmo que fosse preciso apelar para os clichês do mundo do além, mas do jeito que está ele ficou um personagem perdido e sem função, a não ser pelo fato de jorrar sangue por tudo quanto é lado, afinal é isso que os fãs do gênero querem ver. Outra bola fora do cineasta foi estabelecer que o autor das mortes fosse alguém de carne e osso e acabou escolhendo a pessoa menos provável. A quem se aventurar a assistir este engodo, fica a dica que o tal personagem é terrivelmente construído não expondo visualmente e nem psicologicamente um comportamento de acordo com sua idade. Pode ficar um pouco difícil descobrir quem é o serial killer, afinal não tem um bom personagem neste filme fraco e desnecessário, muito graças ao elenco inexpressivo que precisa se sujeitar a interpretas cenas bobas e com diálogos ridículos. Algumas situações também são inseridas apenas para encher linguiça. Nada a ver, por exemplo, justificar a morte de um policial que já não tinha função na narrativa com um flashback que mostrava sua ligação com os crimes de tráficos. O que isso tem a ver com o menino que se esvai em sangue e as mortes na mata?  O final, para variar, deixa explícito que a onda de mortes continuará rondando aquela região. Em suma, Wilson atira para tudo quanto é lado e não atinge alvo algum. Pelo menos o título cai como uma luva à produção. Terra Rasa é um filme infinitamente inferior a outros do gênero terror e nem mesmo poderia ser catalogado como um legítimo trash movie, afinal ele não presta nem para nos fazer rir. Já para dormir é um santo remédio. Todavia, uma opção recomendada para quem procura algo para aliviar o estresse do dia-a-dia e descer a lenha em algo sem correr o risco de ser preso. Pode ofender à vontade.

Terror - 97 min - 2004 - Dê sua opinião abaixo.


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