segunda-feira, 4 de julho de 2016

NAVIO FANTASMA

NOTA 2,5

Apesar de bem ambientado e
com ponto de partida interessante,
longa não vai além dos clichês e
entedia com personagens sem carisma
Toda equipe envolvida em uma produção de cinema sonha que ela seja um sucesso, caso contrário, qual seria o incentivo para o trabalho? No entanto, há filmes que ainda no papel já revelam não ser grande coisa, porém, podem surpreender nas bilheterias. A justificativa seria que o público não tinha nada melhor para fazer, gosto duvidoso ou uma campanha de marketing caprichada? Podemos dizer que Navio Fantasma se beneficiou da conjunção destas três alternativas e bombou nas bilheterias, porém, não há nada de excepcional nesta fita que nem se preza a assustar, pelo contrário. Devido à expectativa que gera e não cumpre, no final das contas a sensação de tédio é que prevalece. O prólogo até que chama a atenção, embora seja extremamente trash desde os créditos iniciais grafados com fonte e cor que nada tem a ver com o gênero. Em meados da década de 1960, uma festa está acontecendo no convés do luxuoso navio Antonia Graza, porém, ela terminará de forma trágica. A embarcação é sabotada e toda a tripulação é assassinada em questão de segundos sendo literalmente cortada ao meio por um afiado cabo de aço, restando aparentemente apenas Katie (Emily Browning), uma garotinha que foi salva por sua baixa estatura. Impossível não esboçar ao menos um risinho ao ver os corpos se desmantelando e caindo no chão como jacas do pé. Medo zero! Cerca de quarenta anos depois, uma equipe especializada em resgates de veículos marítimos é contatada por Jack Ferriman (Desmond Harrington), um piloto da aeronáutica que diz ter avistado a carcaça de um imenso navio durante um de seus voos. Segundo o capitão Sean Murphy (Gabriel Byrne), qualquer pertence de valor perdido no mar não tem dono legítimo, sorte de quem encontrar, e a ideia de pôr as mãos em um tesouro aguça sua equipe formada por Greer (Isaiah Washington), Santos (Alex Dimitriades), Dodge (Ron Eldard), Munder (Karl Urban) e Maureen (Julianna Marguiles), a única mulher do grupo. A ação dentro do transatlântico obviamente é desenvolvida na base de um poço de clichês. Os aventureiros ficam sem comunicação, encontram indícios de que não são os primeiros a explorarem o local, barulhos e sombras passam a pegá-los desprevenidos e um a um os personagens vão sendo limados, cada qual com seu momento-solo para brilhar. Ou seria apagar? E é claro que também descobrem barras de ouro, o motivo que justificaria a tragédia do passado, e quando pensam em voltar para casa ricos acabam ficando presos em alto-mar.

Enquanto os homens ficam cegos pela ambição, a valentona da trupe parece ser a única atenta aos estranhos sinais, talvez por isso tenha sido escolhida por Katie para manter contato. O espírito da garota vai aos poucos mostrando os obscuros segredos da embarcação até apontar que o grupo de resgate não foi parar lá por acaso, mas sim por um propósito especifico. A revelação é feita em um flashback no qual a fantasminha camarada leva Maureen até a fatídica noite e como espectadoras onipresentes assistem ao massacre e o que aconteceu depois. Num misto de câmera lenta, edição com cortes abruptos e trilha sonora peculiar, além de muito sangue na tela, sem dúvida este é o clímax e melhor sequência de toda a fita, assim o trabalho do diretor Steve Beck tem ao menos um ponto a ser elogiado. Responsável por 13 Fantasmas, terror que ao longo dos anos ganhou certa aura cult, o cineasta não quis sair do seu quadrado e voltou a apostar no sobrenatural, mas assim como em seu trabalho de estreia realizou uma produção que não assusta, mesmo com os bons elementos técnicos que ajudam a compor um clima propício, embora as músicas pesadas e os recursos sonoros estridentes sejam usados de forma leviana. Já a direção de arte, iluminação e fotografia passam a sensação de isolamento e perigos à espreita, mas nada disso adianta se Beck tem as rédeas frouxas na condução do elenco. Os personagens não cativam a audiência, assim apenas acompanhamos uma sequência de mortes sem impacto emocional algum e desde o início fica bem definido quem será o sobrevivente e alçado a herói da trama. A culpa também é dos roteiristas John Pogue e Mark Hanlon, este o criador do argumento-pérola, que não fazem questão alguma de desenvolver os perfis, limitando-se a resumi-los a interesseiros que embarcam na aventura só pensando em tirar algum lucro. É uma pena ver um ator experiente como Gabriel Byrne literalmente afundando em produções de horror capengas, mas ele próprio parecia estar curtindo flertar com o gênero visto que seus trabalhos anteriores foram os apocalípticos Stigmata e Fim dos Dias. Ele parece ser o único do elenco a levar a sério a produção que traz resquícios de outros filmes como os esquecidos O Navio da Morte, sobre uma embarcação militar assombrada, e o trash Tentáculos, no qual um grupo de criminosos arma um plano para assaltar um barco de luxo e acabam vítimas de mortíferas criaturas.

Embora se resuma a um filme de terror comum, uma variação em que os assassinos mascarados são substituídos por almas penadas e a tradicional mansão assombrada cede lugar a um navio, a inspiração para o longa é bem interessante. O argumento é baseado no caso verídico do sumiço da embarcação Mary Celeste que zarpou nos EUA em 1872 com destino à Europa, mas que tudo indica não chegou a completar a viagem. O barco foi encontrado algumas semanas após a partida vagando pelo oceano sem rumo, porém, completamente vazio, com suas cargas praticamente intactas e sem sinais significativos de estragos. O mistério jamais foi solucionado e intriga o fato do veículo estar navegando sem ninguém na direção e mesmo assim não ter provocado acidentes. O episódio podia render um bom filme trabalhando em cima das dúvidas e o medo inerente provocado por esta possível lenda, mas Beck não sabe trabalhar com sugestões e tampouco sutilezas. Seu lance é violência e terror gráficos. Pior é saber que ele estava bem amparado atrás das câmeras. A produção é assinada por Robert Zemeckis, vencedor do Oscar por Forrest Gump – O Contador de Histórias, e Joel Silver, produtor de sucessos como Matrix. A dupla é idealizadora da lendária série de TV “Contos da Cripta” que apresentava pequenas histórias de terror baseadas em contos clássicos do gênero, algumas sobrenaturais e outras tantas explorando a loucura e o fetiche pela violência e o bizarro que aguça a curiosidade. Navio Fantasma bem que podia ser um episódio do programa, o argumento cairia como uma luva, mas sua extensão para um longa-metragem foi prejudicial. O roteiro é recheado de situações previsíveis e as cenas de mortes são extremamente simplórias e não impactam como deveriam, mas vale destacar dois momentos isolados. Um dos personagens consegue interagir com o falecido capitão do navio e também é seduzido pelo espectro da cantora que se apresentava na noite do massacre, assim como acontecia com Jack Nicholson no clássico O Iluminado. Todavia, esses são lampejos de inteligência que destoam do conjunto. Após algumas refilmagens medianas, como A Casa da Colina, o primeiro projeto inédito da Dark Castle Entertainment, produtora que tem Zemeckis entre seus executivos e especializada em terror e suspense, no final das contas soa como apenas um remake. A introdução que anunciava algo com personalidade, mesmo provocando risos ao invés de tensão, rapidamente é substituída pelo arroz-com-feijão de sempre finalizado como uma revelação travestida de inteligente, mas no fundo estapafúrdia. 

Terror - 91 min - 2002

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