terça-feira, 22 de dezembro de 2020

UM HÓSPEDE DO BARULHO


Nota 6,0 Mesmo previsível, longa ainda diverte e emociona com trama inocente e clima nostálgico


A década de 1980 foi repleta de filmes bobinhos que acabaram virando sensação e hoje são alvo da atenção de nostálgicos. O grande segredo destas obras talvez fosse a sinceridade com que elas eram concebidas, sendo que muitas eram lançadas sem grandes pretensões, apenas servir como uma diversão ligeira para toda a família, mas o sucesso acabava superando expectativas como é o caso de Um Hóspede do Barulho, comédia simplória cujo tema tem certas semelhanças com o clássico E.T. – O Extraterreste, obviamente guardada as devidas proporções. Em ambos os filmes uma curiosa criatura é acolhida por uma família dedicada e carismática, mas que não consegue manter este segredo por muito tempo. Certa vez os Henderson estavam voltando para casa após alguns dias de descanso no campo, mas foram surpreendidos na estrada por um gigantesco e estranho animal que acaba sendo atropelado por George (John Lithgow), o patriarca. 

Ao verificarem no que bateram, todos acreditam que encontraram o lendário Pé Grande e resolvem levá-lo para a casa visando tirar algum proveito da situação, mas a criatura não está morta, pelo contrário, está bem viva. Após o estranhamento inicial, pouco a pouco todos nesta família vão percebendo que o aparente monstro é dócil como um cãozinho e tem os olhos cativantes e curiosos como de uma criança que está conhecendo o mundo. O Sr. Henderson então batiza esta espécie de gorila de Harry e decide mantê-lo em casa para protegê-lo, mas o estranho no ninho começa a explorar o novo território e não demora para que outras pessoas o conheçam e para que os boatos sobre sua presença na vizinhança alerte caçadores e a imprensa de plantão, assim podendo ser declarada a perseguição a este animal que pode ser o único de sua espécie vivo. Devorando peixinhos do aquário e as plantas dos vasos, quebrando portas e degraus da escada, entre outras estripulias, Harry provoca cenas previsíveis de humor, porém, com uma inocência cativante.


As semelhanças com a história do extraterrestre de Steven Spielberg acabam no momento em que a sociedade toma conhecimento da existência de um estranho animal vivendo com uma família humana. O diretor de clássicos infanto-juvenis investiu mais no lado dramático e científico da questão e tinha muita grana para dar um banho de loja em seu trabalho, além é claro de muita sensibilidade e criatividade. Já a história do macacão perdido na cidade de Seatle dirigida por William Dear investe mais no humor, com piadas leves e muitas gags visuais, ainda que tenha uma mensagem ecológica a oferecer criticando a violência humana contra a natureza, no caso espertalhões querendo ganhar fama e dinheiro se apoderando de alguma espécie rara ou desconhecida. Com foco na comédia, é óbvio que as melhores sequências são as que apresentam a adaptação de Harry à vida da cidade. Da árvore de Natal à televisão, ele quer conhecer cada detalhe da casa dos Hendersons e até se comportar como um deles.

Não faltam cenas tocantes nas quais o macacão demonstra ter sentimentos e até certa inteligência, destacando o momento em que ele descobre na casa peles e bichos empalhados. George trabalha em uma loja de armas e tem o hábito da caça, mas cede aos olhares tristes de Harry e até realiza um enterro simbólico desses restos de animais. O bacana é que tal criatura não é acolhida pela família como um bicho de estimação, mas sim como um membro do clã, diga-se de passagem, todos personagens com reações estereotipadas. A mãe é dócil e não demora a aceitar o bichão assim como seu filho caçula que não esconde seu entusiasmo como se tivesse ganhado um novo brinquedo. A filha mais velha é a típica adolescente rebelde que repudia a excentricidade da família e não toparia mais uma bizarrice em sua casa. Por fim, o patriarca no início tenta lucrar algum dinheiro com sua descoberta, mas logo deixa seu lado fraterno aflorar e passa a proteger seu novo amigo. 


O Sr. Henderson tem consciência que uma vez que todos estão curiosos com a presença do tal Pé Grande na região, ele não poderá mantê-lo em sua casa e devolvê-lo na floresta seria arriscado, pois certamente Harry seria capturado para estudos ou viraria atração de zoológico e acabaria por desenvolver repúdio pelos seres humanos, inclusive pela própria família que o acolheu. Apesar dessa questão a se pensar, o roteiro do próprio diretor em pareceria com Bill Martin e Ezra D. Rappaport prioriza a diversão e costura todos os clichês comuns de filmes que lidam com animais ou estranhas e dóceis criaturas e mesmo parecendo tosco hoje em dia consegue divertir. Vale lembrar que Um Hóspede do Barulho ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem, prêmio concedido obviamente pela impecável caracterização do ator Kevin Peter Hall que dá vida a Harry, e o relativo sucesso e apelo popular do longa acabou originando um seriado no início dos anos 1990 que durou três temporadas. Aos nostálgicos e adeptos de um cinema censura livre é uma boa pedida.

Vencedor do Oscar de maquiagem

Comédia - 110 min - 1987 

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