quinta-feira, 19 de novembro de 2020

PARENTES PERFEITOS


 Nota 6,5 Entre o pastelão e a crítica, longa é previsível reforçando valores e laços familiares


Ser independente, bem sucedido e ter ao lado uma bela e amável mulher. Esse é o sonho de praticamente todo o homem e também o que norteava a vida de Richard Clayton (Ron Livingston), o protagonista da comédia Parentes Perfeitos que infelizmente teve pouca ou nenhuma repercussão, mas que revela-se bem acima da média na comparação com tantas outras produções do estilo que tentam arrancar gargalhadas espinafrando na tela o cotidiano de pessoas excêntricas batendo de frente com o estilo de ser daqueles que se consideram exemplos de normalidade. Todavia, como costuma-se dizer, de perto ninguém é normal. Formado na área de psicologia e afins, Clayton é famoso por suas palestras motivacionais, apresentação de um programa de rádio e seu livro de autoajuda que está na lista dos mais vendidos. Para completar sua felicidade, faltam apenas três semanas para trocar alianças com sua noiva, a amorosa e paciente Ellen (Neve Campbell). 

Tudo ia bem até que em uma reunião familiar seu irmão Mitch (Bob Odenkirk) lhe faz uma revelação bombástica: Clayton é adotado! Criado pelo refinado casal Arleen (Christine Baranski) e Doug Clayton (Edward Hermann), o psicólogo sempre teve de tudo do bom e do melhor, o que o tornou um pouco arrogante, mas mesmo assim ele faz questão de buscar suas raízes. Com a ajuda de um detetive particular, ele descobre que seus pais biológicos carregam um sobrenome francês, o que alimenta suas fantasias que seria filho de um casal de intelectuais ou algo do gênero. Quando finalmente descobre o paradeiro de seus parentes imediatamente o escritor os convida para passarem um fim de semana juntos em sua casa, contudo, ele acaba tendo uma desagradável surpresa. Agnes (Kathy Bates) e Frank Estercot (Danny DeVito) são completamente contrários ao que ele imaginava. Eles são caipiras ao extremo, mal educados, destemperados e até na diferença de altura conseguem chamar a atenção, os tipos perfeitos para virarem alvos de piadas, mas na verdade são eles que involuntariamente tiram sarro dos outros.


Apesar dos 34 anos que passaram separados, os Estercot parecem dispostos a se aproximarem do único filho que tiveram, mas o rapaz está arrependido de revirar seu passado e agora quer vê-los bem longe. Em dois ou três dias o casal consegue tirar Clayton completamente do sério a ponto de ele trair suas próprias teorias e exercícios para relaxar e esquecer problemas, mas Ellen está sempre ao seu lado para lhe dar apoio, porém, nem mesmo ela com toda sua compreensão vai conseguir segurar a barra quando o destino prega uma nova peça em seu noivo. Os caipiras ficam impossibilitados de voltarem para casa e Clayton fica à beira da loucura ao ser obrigado a conviver com eles por mais algum tempo e sem previsão de partida. O rapaz educado e racional então se transforma em um ogro que até mesmo seus pais adotivos passam a rejeitar e a noiva a duvidar se deve realmente levar os planos do casamento adiante.

O argumento sugere uma comédia rasgada e com alto teor nonsense, mas ao mesmo tempo Parentes Perfeitos parece querer dialogar com uma plateia mais intelectual e afeita a trabalhar conceitos de tolerância e de respeito ao próximo. O diretor Greg Glienna, também autor do roteiro em parceria com Peter Stass, tira proveito do já conhecido talento cômico de Bates e DeVito explorando ao máximo seus personagens que com certeza geram identificação imediata com o espectador, afinal quem não tem um parente ou amigo sem noção e que acaba sendo o ponto alto ou o vexame de qualquer reunião ou festa? Por outro lado, o cineasta desperdiça os dotes humorísticos de Beverly D’Angelo, famosa pelo clássico sessão da tarde Férias Frustradas. A atriz faz uma ponta como Angela Minnola, a mãe de Ellen, uma mulher espalhafatosa e cheia de caras e bocas, um perfil completamente oposto ao da filha que é bem mais discreta e contida. Por suas características, a mamãe perua poderia render ótimas cenas rivalizando com a dondoca Arleen, mas Glienna prefere concentrar suas atenções no quarteto principal, embora Campbell pareça trabalhar no piloto automático demonstrando sua falta de intimidade com a comédia. 


Por fim, Livingston traz o humor mais sutil e crítico à obra. Suas preocupações em se tornar um bronco como seus genitores dialogam com pavores comuns aos dos espectadores. Quem nunca em algum momento da vida rejeitou características de personalidade dos pais prometendo que jamais seria como eles? O problema é que geralmente o sangue fala mais alto e fica impossível conter os instintos naturais. O longa então nos faz refletir sobre valores, sentimentos e a supervalorização da imagem. Entre uma gargalhada aqui e uma alfinetada ali, esta comédia acaba por nos alertar que muitas vezes renegamos o que somos a favor de padrões que nos são impostos ou acreditamos que devemos adotar para sermos melhores aceitos em sociedade. Fica prevalecendo a máxima do importante é ser quem você  é de verdade com suas qualidades e defeitos, afinal ninguém é perfeito.

Comédia - 91 min - 2006

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