sábado, 12 de dezembro de 2015

FILHA DA LUZ

Nota 3,0 Na onda do medo da chegada do anticristo, suspense apenas requenta clichês

De tempos em tempos ocorre um fenômeno no cinema e curiosamente diversas produções com temáticas semelhantes são lançadas em períodos muito próximos. Seria espionagem industrial? Bom, no caso de Filha da Luz podemos dizer que foi oportunismo, porém, muito mal aproveitado. Durante o período que antecedeu a virada para o século 21 e para o novo milênio existia o medo do fim do mundo ou da chegada do anticristo na Terra, o que aguçou Hollywood a extravasar seus demônios literalmente. Diversas produções exploraram estes temas e até o clássico O Exorcista foi relançado com cenas adicionais. O longa dirigido por Chuck Russel, da comédia-sucesso O Máskara, e estrelado por Kim Basinger foi só mais um título a explorar o satanismo e a engrossar a lista de produções ruins da safra. Lançado na época de auge das videolocadoras e do DVD e ainda com o frisson das dúvidas espalhadas por fanáticos religiosos quanto ao futuro da humanidade, certamente a fita atraiu curiosos e aficionados pela temática, mas hoje é esquecido. E com razão. Basinger interpreta Maggie O’Connor, uma solitária e pacata enfermeira que tem sua rotina modificada com a visita surpresa de sua irmã mais nova, a irresponsável e viciada em drogas Jenna (Angela Bettis), que chega acompanhada da filha recém-nascida. O intuito da visita é apenas entregar a criança para Maggie que acaba adotando-a meio que à força, porém, o tempo passa e uma relação de mãe e filha se estabelece com a pequena Cody (Holliston Coleman). Aos seis anos de idade e com um leve autismo diagnosticado, a menina começa a demonstrar ter dons especiais, o que chama a atenção de uma seita religiosa que acredita que ela seria uma espécie de reencarnação de Jesus Cristo, a única pessoa capaz de deter os planos do Diabo para dominar o planeta.

Baseado no livro de Cathy Cash Spellman, o roteiro de Thomas Rickman não tem um pingo de originalidade, apenas requenta clichês conhecidos desde os tempos de O Bebê de Rosemary. A certa altura da trama a irmã da protagonista ressurge aparentemente mais sóbria e consciente, mas acompanhada do estranho Eric Stark (Rufus Sewell), cujo olhar demoníaco já denuncia a que veio. Ele sequestra Cody e quando a polícia entra no caso descobre coincidências com outros desaparecimentos de menores, como o fato de todos terem nascido na mesma data. Co-roteirizado por Ellen e Clifford Green, será mesmo que eram necessárias três cabeças para pensar em algo tão manjado? Pelo menos o filme não sofre de carência de unidade, não há situações dissonantes ao contexto ou forçosamente alinhavadas, a não ser a participação rápida de Christina Ricci, a Wednesday de A Família Addams, como uma amiga de Jenna que pouco ou nada acrescenta ao filme. Embora faça uma leve crítica a diferentes seitas religiosas que manipulam as pessoas a ponto de as levarem a cometerem crimes em nome da fé (seja em Cristo ou no coisa ruim), Filha da Luz é o típico suspense para rechear as madrugadas da TV. Rápido e aparentemente interessante, infelizmente sua lembrança esmiúça em nossa memória em minutos. Todavia, a trama rasa e previsível não é seu maior pecado e sim seus efeitos especiais. Embora tenha direção do homem que pintou e bordou com a tecnologia para trajar Jim Carrey com mil e uma facetas, as trucagens utilizadas neste suspense soam ultrapassadas e surgem tão rapidamente em cena que parece que faltou dinheiro para a produção caprichar mais. Bem, na realidade grana tinha, mas tudo deve ter sido gasto para bancar o cachê de Basinger que embora tivesse conquistado um Oscar dois anos antes por Los Angeles – Cidade Proibida parecia esquecida por Hollywood (até hoje, diga-se de passagem) e estava topando qualquer convite. 

Suspense - 107 min - 2000  

-->
FILHA DA LUZ - Deixe sua opinião ou expectativa sobre o filme
1 – 2 Ruim, uma perda de tempo
3 – 4 Regular, serve para passar o tempo
5 – 6 Bom, cumpre o que promete
7 – 8 Ótimo, tem mais pontos positivos que negativos
9 – 10 Excelente, praticamente perfeito do início ao fim
Votar
resultado parcial...

Nenhum comentário:

Leia também

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...