domingo, 30 de novembro de 2014

O REENCONTRO

Nota 7,5 Embora com trama simples, drama cresce com interpretações naturais e roteiro afiado

Superar a dor. Há quem defenda que isso não existe, é impossível esquecer algo que nos faz sofrer. O que existe são acontecimentos que a própria vida se encarrega de colocar em nossos caminhos e que nos fazem ocupar a mente e o tempo, mas as perdas, sejam físicas ou emocionais, permanecem no subconsciente podendo ou não voltarem à tona com certa frequência. Isso vai depender de como cada um reage a algo negativo, o grau de interferência do problema em sua vida e inúmeros agentes externos, tanto positivos quanto negativos. Muitos filmes já abordaram tal temática por inúmeros vieses, assim primar pela originalidade é uma barreira a ser vencida por esta espécie de subgênero dramático. É esse o grande desafio de O Reencontro que logo em seus primeiros minutos entrega sem rodeios seu propósito: simplesmente emocionar. E nem é preciso muito esforço para tanto. O roteiro de Guy Thomas tem como alicerces diversos clichês já testados e aprovados para levar o espectador às lágrimas.  Monte Wildhom (Morgan Freeman) é um escritor que já viveu tempos áureos com suas histórias de faroeste, mas deixou de lado  há alguns anos a escrita assim como o gosto pela vida após perder a esposa em um acidente e ter ficado paraplégico e condenado a depender de uma cadeira de rodas. A contra-gosto ele aceita a proposta do sobrinho Henry (Kenan Thompson) de ir passar uma temporada na casa de um amigo que estava viajando. Localizado próximo a um lago na pacata cidade de Belle Isle, o local seria perfeito para relaxar e inspirar o sujeito ranzinza a voltar a criar, mas nem mesmo a companhia de sua boa e velha máquina de escrever o motiva mais. Tudo que Wildhom quer é se embebedar com uísque para esquecer de seus problemas e se afastar mais ainda da realidade, embora nunca perca a lucidez por completo. Isso até que ele conhece sua nova vizinha, Charlotte O´Neill (Virginia Madsen), e suas três filhas, a adolescente Willow (Madeline Carroll), Finn (Emma Fuhrmann), a do meio, e a caçula Flora (Nicolette Pierini). É a convivência com essa família que justifica o título nacional: o reencontro do protagonista com o prazer de viver.

Charlotte ainda sofre com as feridas deixadas por uma separação recente, ao que tudo indica por decisão do marido, mas demonstra força e coragem para seguir em frente e educar sua prole que também fora rejeitada pelo ex. Enquanto Flora carrega a doçura e inocência inerente a qualquer criança e não tem bem assimilado o conflito entre seus pais, Willow age como uma típica adolescente rebelde culpando sua vida sem graça em uma cidade onde praticamente nada acontece à decisão da mãe em não abrir mão de sua guarda. Inteligente e curiosa, é Finn quem tem maior participação na trama entre as garotas. Estreando no cinema, a jovem Emma divide várias cenas com Freeman e trava ótimos diálogos que ajudam o protagonista a recobrar a esperança na vida contagiado pela energia e alegria da juventude. Nesse processo de recuperação o convívio com Karen Loop (Jessica Hecht), também mãe solteira que cuida com todo o carinho do filho Carl (Ash Christian), um jovem com certo grau de deficiência, faz toda a diferença assim como a amizade com Al Kaiser (Fred Willard), um cara boa praça e fã dos livros de Wildhom. Com direção de Rob Reiner, que marcou a juventude de muitos com o clássico Conte Comigo, O Reencontro deixa explícito desde o início que não deseja reinventar o filão dos filmes edificantes, apenas tem pretensões de entregar uma história agradável, tocante,  um pequeno retrato das relações humanas. De fato consegue atingir seus objetivos pela eficiente direção e diálogos afiados, mas sem dúvidas a presença de Freeman comprova o quanto um intérprete talentoso e carismático pode fazer toda a diferença. Ainda que se apresente como um rabugento nato, Wildhom cria empatia facilmente graças a sensibilidade do ator que adiciona certa ironia que ajuda a explicar as frustrações do personagem, este que só cresce na tela com a química com sua parceira. Aliás, não só Madsen brilha com uma composição bastante natural, mas o elenco mirim também parece ter sido escolhido a dedo. Esse é o chamado filme de ator, histórias simples que se transformam nas mãos das pessoas certas. Pena que o público em geral comprou a ideia de um draminha qualquer e ignorou a fita.

Drama - 109 min - 2012

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