sábado, 2 de maio de 2020

NÃO DESLIGUE

Nota 6,0 Plano de vingança do vilão acaba, com razão, colocando o espectador contra os mocinhos

O que poderia ser uma inocente diversão pode se transformar em uma brincadeira mortal. Essa definição clichê serve para diversas produções encabeçadas por assassinos frios e calculistas, algumas mais brandas investindo no clima de suspense, como Quando Um Estranho Chama, e outras mais slasher raiz, estilo Setenta e Cinco. Mais disposto a construir um gradual clima de tensão e relativamente pegar leve na carnificina, Não Desligue tenta dar uma cara novo ao subgênero aliando a tecnologia como ferramenta de tortura para o vilão cujas motivações ficam óbvias logo na introdução. Sam (Gregg Sulkin) e Brady (Garrett Clayton) são dois adolescentes que juntos com alguns amigos desocupados comandam um canal de internet de sucesso cuja atração são seus vídeos tirando sarro das pessoas desconhecidas a quem passam trotes de mal gosto. Um deles é mostrado logo na introdução para o espectador conhecer o teor das pegadinhas. Os jovens estão concluindo o ensino médio e vivem às voltas com situações típicas da idade, dramas rasos que são superdimensionados por suas visões de mundo ainda um tanto restritas, como as crises entre Sam e sua namorada Peyton (Bella Dayne). Tentando esquecer os problemas que abalam suas vis existências, a dupla resolve certa tarde aproveitar o tempo livre para encher a cara e se divertir fazendo o que sabe melhor. Começam com uma simples traquinagem envolvendo uma entrega de pizza para um endereço errado, mas acabam sendo surpreendidos por uma ligação. No início levam na brincadeira acreditando ser um susto que o último trouxa está tentando pregar, mas logo as coisas tomam rumos assustadores. O telefone não pára de tocar por horas a fio e quando resolvem dar um basta descobrem que estão prestes a viver a pior noite de suas vidas sofrendo um revés de seus atos inconsequentes. Do outro lado da linha, uma voz masculina forte e demonstrando certa segurança quer provar que agora a brincadeira do trote tem novas regras e está sob seu comando. O indivíduo parece saber detalhes íntimos da dupla e estar os observando e logo mostra que não está para brincadeiras, ou melhor, está disposto a um jogo masoquista no qual terceiros são envolvidos para pouco a pouco torturar os troleiros.

Apesar da pegada moderninha, com o vilão lançando mão de recursos tecnológicos para observar e provar sua vigilância como forma de acentuar o desespero das vítimas, o roteiro de Joe Johnson não tem a menor invenção de reinventar a roda. Basicamente o enredo se sustenta sobre situações previsíveis com sustos pré-anunciados por efeitos sonoros e movimentos de câmera manjados. Os diretores Damien Macé e Alexis Wajsbrot são honestos a deixarem claro que suas intenções  é simplesmente oferecer diversão, ainda que fique a dica dos cuidados com nossos atos, afinal é sabido que para cada ação existe uma reação. Contudo, pela própria maneira antipática como os adolescentes são apresentados nos minutos iniciais, descerebrados que se divertem às custas da humilhação alheia e assim lucram para bancar seus vícios e mordomias, fica difícil torcer por suas sobrevivências e a cada novo sofrimento aos quais são submetidos mais torcemos para que sejam castigados. Acentua a repulsa o fato de seus intérpretes parecerem ter sido encontrados por acaso em alguma turma colegial tamanha desenvoltura, ainda que o cotidiano fútil de seus personagens não deva ser muito diferente ao deles próprios, tirando os trotes obviamente. A produção carrega certo quê de Jogos Mortais com as vítimas sendo obrigadas a realizarem tarefas estapafúrdias para protegerem as vidas de pessoas próximas, no entanto, há certa economia de sangue, assim prevalecendo a tensão psicológica. Com elenco enxuto e basicamente um único cenário, Não Desligue consegue disfarçar suas deficiências orçamentárias tendo como seu ponto alto a boa construção do clima que garante que o enredo se desenvolva com dinamismo e instigue a curiosidade do espectador, embora para qualquer um com um mínimo de conhecimento em produções de suspense seja fácil descobrir o que motiva a cruel brincadeira do vilão e não estranhe se você simpatizar com seu plano.

Suspense - 83 min - 2016
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