domingo, 19 de outubro de 2014

MEU TRABALHO É UM PARTO

Nota 2,0 Boa premissa cai por terra em tentativa frustrada de reverter má fase de Lindsay Lohan

Muita gente recorda com carinho da comédia Operação Cupido, um dos primeiros trabalhos de Lindsy Lohan que começou a atuar ainda criança e por anos trabalhou sob a tutela dos estúdios Disney. Já adolescente, virou ícone da geração MTV, inclusive apresentou a premiação de cinema do canal quando estava no auge com Meninas Malvadas, mas seu declínio de modelo para a juventude para piada e mau exemplo aconteceu em velocidade recorde. Ao ter seu contrato rompido com a casa do Mickey Mouse, sem dúvidas por conta da imagem negativa que a garota vinha nutrindo com consecutivos escândalos envolvendo drogas e embriaguês, sua carreira acompanhou o ritmo da vida pessoal: ladeira abaixo. Um filme pior que o outro como prova a comédia Meu Trabalho é um Parto cujos bastidores foram problemáticos com os diversos problemas que a protagonista ocasionou com atrasos, faltas e brigas. O que aparentemente já ia ser ruim ficou ainda pior e o longa acabou sendo lançado nos EUA como um tapa buraco de algum canal de TV. No Brasil saiu em DVD, mas ficou aquele título a ser escolhido quando não havia absolutamente nada de melhor na locadora. Hoje com tais lojas físicas praticamente extintas nem há mais motivos para produções do tipo serem feitas, acabou a desculpa de já ter visto todos os lançamentos do mês e não tinha outra opção. Com roteiro de Stacy Kramer e Lara Shapiro, então também estreando como diretora, a trama gira em torno de Thea Clayhill (Lohan), uma jovem assistente que trabalha em uma editora de livros e cuida sozinha de sua irmã adolescente Emma (Bridgit Mendler), contudo, a moça não é nada organizada ou responsável. Jerry Steinwald (Chris Parnell), seu chefe, é um tremendo chato de galochas que não só lhe cobra tarefas de escritório como também a obriga a tratar dos caprichos de sua cachorrinha de estimação, mas displicente do jeito que é certo dia ela faz uma burrada daquelas e quase é despedida. Acabou sendo salva por uma mentirinha de última hora: uma gravidez repentina. Sua amiga do escritório Lisa (Cheryl Hines) inicialmente acha uma boa ideia, mas estará sempre a postos para tentar trazer a moça de volta a realidade, pena que todos seus esforços sejam em vão.

Amparada pela lei à favor das gestantes e coberta de atenções pelos colegas de trabalho, a mentirinha que deveria durar alguns dias acabou se estendendo por meses, ainda mais depois que Jerry precisou se ausentar e deixou o jovem Nick (Luke Kirby), seu contador, tomando conta da editora. Além de se interessar amorosamente pelo rapaz, Thea também sente que ele é a única pessoa que confia em seu potencial profissional, assim passa a melhorar seu desempenho no trabalho e até ajuda seu chefe na publicação de um livro sobre gravidez focando os reais sentimentos das mães ao longo dos nove meses de gestação. Até a própria decide dar seu depoimento e é justamente aí que as coisas complicam. Além de roubar barrigas de manequins de lojas, ela passa a comprar roupas e acessórios de bebês e se comporta como uma legítima grávida compartilhando desejos e angústias com outras futuras mamães. A irmã descobre tardiamente a farsa e por discordar do plano espalha a notícia para familiares e amigos para forçar Thea a revelar toda a verdade, mas como fazer isso prestes a entrar no sétimo mês de gestação? Mais que o medo de ficar desempregada e saber que depois dessa seria muito difícil conseguir um novo trabalho, o que mais a amedronta é como Nick iria reagir à verdade. A premissa de brincar com a hipocrisia das pessoas que passam a respeitar e tratar com carinho gestantes quando na verdade tais cuidados deveriam ser oferecidos a qualquer um poderia gerar uma comédia ácida e divertida, mas Meu Trabalho é um Parto prefere apostar na papinha sem graça comumente servida por Hollywood. Há uma risadinha aqui, outra ali, porém, falta liga na mistura. Os personagens e situações parecem flutuar pela tela, tanto que todos aceitam numa boa que da noite para o dia a barriga retinha da protagonista cresça exageradamente ou que ela tenha engravidado de um retardado mental. O filme até poderia ter tido certa repercussão, afinal são inúmeros os exemplos de lixo que se transformaram em sucesso, mas neste caso pesa a má fama de Lohan até porque o jeito desleixado da personagem parece ser uma brincadeira com sua intérprete. A confusão de perfis é inevitável, mas para quem ainda quiser manter uma boa imagem da jovem procure rever Meninas Malvadas ou assistir A Última Noite, derradeiro trabalho do mestre Robert Altman. Se ele acreditou nela... 

Comédia - 89 min - 2009 

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