segunda-feira, 7 de novembro de 2016

VOLCANO - A FÚRIA

NOTA 6,5

Para ser diferenciar de outros
filmes-catástrofe, longa abre mão
dos dramas paralelos e se resume a
efeitos especiais e doses de adrenalina
Imagine você acalentar um projeto durante meses, correr atrás de financiadores, escolher locações e elenco e quando tudo parece engatilhado vem uma bomba: um estúdio concorrente está para lançar um produto com temática semelhante. Já houveram várias histórias de coincidências do tipo, algumas inclusive bem suspeitas, e no mesmo ano em que O Inferno de Dante ferveu nos cinemas (ou ao menos almejou isso), uma outra produção trazia um vulcão como protagonista. Volcano – A Fúria é um legítimo representante do estilo catástrofe, vertente dos gêneros ação e suspense cuja diversão é sofrer com o calvário dos personagens por cerca de uma hora e meia e se sentir aliviado com a confirmação de um inerente final feliz para alguns deles, além de a maioria dar a deixa para uma possível continuação quem nem sempre sai do papel, mas que nos faz lembrar que apenas uma batalha foi vencida, outras virão. A trama escrita por Jerome Armstrong e Billy Ray se passa em Los Angeles, nos EUA, cuja rotina frenética e contínua é subitamente interrompida por conta de um forte terremoto logo pela manhã. Na sequência, vários outros incidentes acontecem ao longo do dia como a morte de alguns operários que trabalhavam em uma nova estação de metrô vítimas de profundas queimaduras. Mike Roark (Tommy Lee Jones), chefe da Defesa Civil, é acionado para encaminhar uma investigação dentro do túnel. Ele tem o poder de controlar todos os recursos públicos locais em caso de alguma catástrofe que neste caso se apresenta na forma da ameaça de uma incandescente lava. Isso mesmo! Em meio a cidade grande existe uma atividade vulcânica que interrompe as férias do oficial para decepção de Kelly (Gaby Hoffman), sua filha adolescente, a peça estrategicamente inserida no roteiro para forçar um draminha familiar e levar o espectador a sofrer com mais intensidade nos momentos em que eles são obrigados a vencer provas de fogo, literalmente. Enquanto isso, a Dra. Amy Barnes (Anne Heche), uma geóloga, traz a informação de que próximo a região existe um lago de alcatrão cuja temperatura aumentou consideravelmente, mas em um primeiro momento Roark não lhe dá ouvidos. Todavia, não demora muito e as suspeitas da moça se confirmam e de uma hora para a outra um vulcão rasga o concreto das ruas e bombeiros, policiais, médicos e até mesmo as pessoas comuns precisam se unir para evitar o avanço da lava que destrói absolutamente tudo por onde passa.

Sabemos o que esperar a partir de então. Corre-corre, gritaria, desespero, sofrimento e uma avalanche de efeitos especiais que na realidade são o grande trunfo da fita. As imagens de explosão são impressionantes, um grande show de labaredas com cores quentes cuja temperatura vibrante é quase perceptível pelo espectador. O diretor Mick Jackson, da comédia romântica L.A. Story, deixa claro que a exploração de imagens espetaculares e da tragédia causada pela erupção são a razão de existir do filme, assim evita desviar a atenção para tramas paralelas, apontado como o grande mal de produções do tipo, mas as vezes tal recurso narrativo se faz necessário afinal precisamos nos importar com os personagens para torcermos por suas superações. Sem ligar muito para isso, a produção não cria um vínculo sólido entre Roark e sua filha e tampouco sofremos com a morte de Rachel (Laurie Lathem), amiga de Amy e uma das primeiras a empacotar. Para quem não está acostumado com esse tipo de produto, fica a estranha sensação de ver uma espécie de publicidade para uma empresa criadora de efeitos, mas o público amante do estilo não tem do que reclamar. Haja coração! Do início ao fim o ritmo é de adrenalina pura, com muitos momentos de tremedeiras e nó na garganta e espaço nulo para romance, piadinhas descartáveis e até o popular drama familiar é pincelado discretamente. Não há brecha para calmaria que aliviem a tensão. Sucessivas explosões, desabamentos, curto circuitos e até bolas de fogo cuspidas pelos bueiros das ruas movimentam a trama e os personagens chegam a um ponto de ingenuamente acreditarem que uma barreira feita com carros, caminhões, blocos de concreto e qualquer coisa pesada que encontrassem dando sopa seria o suficiente para bloquear a fúria da natureza. Se impedem uma passagem de magma, logo ela encontra um outro lugar para se expelir. Pelos túneis subterrâneos do metrô uma enorme quantidade de lava está se acumulando e ao que tudo indica o ponto culminante da explosão se dará bem embaixo do hospital central onde já se encontram centenas de vítimas em estado grave, incluindo a própria kelly, assim é claro que já existe endereço certo para nosso herói comandar o clímax de sua jornada.

Popular na década de 1970, o gênero catástrofe teve lá suas obras memoráveis envolvendo acidentes aéreos, com embarcações, engarrafamentos, trens desgovernados e tudo o mais que pudesse causar episódios que mexessem com o emocional do público e com os fetiches da mídia. No final do século 20 produções do tipo voltaram com tudo, com sucessos como Titanic e bobagens como Daylight, mas em tempos de campanhas em prol da preservação da dos recursos naturais nada melhor que pegar carona em uma lição de moral para, desculpe trocadilho, de fato dar uma moral aos produtos. Se o homem não mede esforços para realizar seus sonhos de concreto, tirando espaço das áreas verdes, nada mais justo do que a própria natureza reivindicar seu espaço e com sua força destruir o que a civilização criou. Apesar de já com certa idade, Jones interpreta o herói de plantão e sua escalação certamente tem a ver com a renovação de seu público conquistada meses antes quando defendeu a Terra de uma invasão alienígena no arrasa-quarteirão MIB – Homens de Preto. De adolescentes a representantes da melhor idade, todos vibrariam a cada ato heroico do destemido personagem que faz um passeio forçado e nada prazeroso por diversos pontos de destaque de Los Angeles, locais de identificação mais fácil pelos moradores e assíduos frequentadores, mas nada que estrague a diversão de quem não conhece os alvos afinal o que importa é ver eles pegando fogo. Na confusão, o longa ainda enfoca a grande variedade de etnias e classes econômicas que formam a população local, mas longe de fazer um tratado social obviamente. Brancos e negros, pobres e ricos, imigrantes e residentes naturais, na hora do sufoco não importa as rixas que podem existir entre eles e o espírito de solidariedade prevalece. Diferentemente de O Inferno de Dante que fez uso de maquetes e trucagens de computador para dimensionar o impacto da tragédia sobre uma cidade interiorana, Jackson optou por construir uma cidade cenográfica real, reproduzindo em especial o trecho onde de fato existia uma espécie de piscina natural de piche, o ponto de partida para todo o calvário. Apesar do trabalhão, o diretor não poupou esforços na hora de destruir a metrópole, mas mesmo com toda publicidade em cima do uso de efeitos especiais em massa Volcano – A Fúria não passou de fogo de palha e não fez o sucesso esperado. Realmente é um pouco mórbido ver uma cidade virar cinzas sem nos identificarmos com o drama de seus moradores. Pode ter ação ininterrupta, mas a graça no final das contas é tentar descobrir quem vai sobreviver. Sem ninguém se destacar em meio a tragédia, seja por seu histórico de vida ou personalidade, pouco importa qual será o desfecho da tragédia.

Suspense - 103 min - 1997

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