
Channing Tatum é um
jovem ator em alta. Al Pacino já não é mais o mesmo, mas seu nome virou
sinônimo de qualidade. Juliette Binoche é conhecida por atuações premiadas e
bom faro para escolher roteiros. E Ray Liotta e Katie Holmes... Bem, esses
aceitam qualquer convite afinal nunca tiveram carreiras equilibradas. Todavia
um elenco com nomes famosos não é garantia alguma de que um filme pode ser bom
e é isso que fica provado em
Anti-Heróis, longa vendido como um
autêntico thriller policial. Se produções do tipo são desse jeito está
explicado o motivo do gênero praticamente não ser mais usado para fins de
rotulagem e os poucos títulos existentes que razoavelmente se encaixariam na
categoria serem divididos entre suspense ou ação. A trama escrita e dirigida
por Dito Montiel não oferece oportunidades de cartase ao espectador. Nem mesmo
criamos expectativas de que aquele momento de tirar o fôlego vai chegar mais
cedo ou mais tarde simplesmente porque pouco nos importamos com o destino dos
personagens. A história se passa em 2002 quando Jonathan White (Tatum), um
policial novato, acaba de ser transferido para a delegacia do Capitão Marion
Mathers (Liotta), o mesmo lugar onde seu falecido pai trabalhou anos antes. O
rapaz chega à corporação na mesma época em que a jornalista investigativa
Lauren Bridges (Binoche) está recebendo cartas anônimas denunciando duas mortes
ocorridas em 1986 em um condomínio de classe baixa. As vítimas eram um viciado
em drogas e o outro era um traficante. Tal episódio foi acobertado durante anos
pelo detetive Charles Stanford (Pacino) e envolve White de forma
comprometedora. Assim, o jovem policial começa a viver uma fase conturbada.
Além de ter seu emprego em risco, sua esposa Kerry (Holmes) e a filha pequena,
Charlotte (Ursula Parker), também podem sofrer com esta história voltando à
tona.
Montiel, que já
havia explorado o submundo dos crimes e das drogas em
Santos e Demônios, drama elogiado pela crítica, não se
sai tão bem nessa segunda investida.
Anti-Heróis até possui uma premissa
interessante, mas logo se torna enfadonho por descobrirmos a identidade do
assassino precipitadamente e pelo vai e vem nas ações do tempo, embora a trama
desenvolvida na década de 1980 seja razoável. Curiosamente, são
justamente estas sequências que ficam pouco tempo em cena que provavelmente
sejam baseadas em fatos reais. Não há dados conclusivos, mas a narrativa
passada em 2002, na qual se concentram os atores de peso, foi criada a partir
de notícias de um caso real, porém, nem tudo é confirmado como verdadeiro. O
problema é que além do longa ter uma montagem confusa que dispersa a atenção,
deixando pontas soltas como a espécie de doença degenerativa de Charlotte que
fica mal explicada e em nada agrega a trama principal, no conjunto ele só
é mais um produto para matar o tempo livre. A estética suja de algumas cenas
serve para lembrar que o personagem White cresceu em um ambiente hostil, mas
embora tenha deixado seu passado para trás e se tornado um homem sério e com
uma profissão respeitada é difícil sentirmos simpatia pelo personagem. O final
é realizado com pressa, assim a definição de quem seria apresentado como autor
dos assassinatos investigados é feita de forma abrupta, sem clima algum. A
conclusão, além de não ter lógica, não traz mensagem alguma ao espectador, a
não ser as desagradáveis ideias de que a corrupção também está enraizada na
polícia e de quem tem as “costas quentes” não paga pelos seus erros. Em tempos
tão conturbados como hoje em dia em que muitos valores não são respeitados,
deveria haver certo consenso entre os profissionais de cinema em evitar
finalizar filmes de forma politicamente incorreta. Sabemos que a realidade é
assim, mas ao menos no cinema as coisas poderiam ser diferentes.
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