quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

MUTILADOS (2001)

NOTA 4,0

Com todos os predicados para
ser rotulado como trash, longa
surpreende com narrativa ágil e
que usa bizarrices sem pudor
É provável que muitas empresas distribuidoras de filmes os comprem às cegas, ou seja, sem saberem do que se trata os materiais que estão adquirindo ou se dignando a conhecer o mínimo deles. Só assim para explicar o péssimo tratamento da Imagem Filmes com o suspense Mutilados, hoje uma raridade para ser encontrado e fora do catálogo da empresa. A tagline que estampava o dvd, "na hora errada... no lugar errado", também serviria para justificar a má campanha de lançamento da fita que de imediato a rotulou como uma produção trash. Sim, de fato é um projeto de baixo orçamento, com momentos que parecem desconexos, atuações canastronas, enfim tudo que é necessário para um filme de qualidade duvidosa, contudo, divertido e que prende a atenção do início ao fim como poucas superproduções as vezes conseguem. O roteiro nos apresenta à Thomas Kempton (Alex McArthur), um renomado diretor de filmes de animação para adultos. Certo dia ele resolve acampar com amigos em uma região fria e montanhosa onde acaba sofrendo um leve acidente. Ele procura ajuda na cabana mais próxima e encontra as irmãs Vanessa (Laura Esterman) e Ann Boulette (Sage Allen) que apesar das aparências bizarras mostram-se bondosas, prometendo pedir ajuda e lhe tratando com total hospitalidade. Contudo, Kempton acaba adormecendo e quando acorda está amarrado a uma cadeira de rodas e com poucas roupas. É quando as tais irmãs revelam suas verdadeiras e macabras intenções. Ele consegue escapar do ritual de mutilações delas, mas meses depois ele ainda não esqueceu o que passou e fica obcecado para entender a mente daquelas mulheres, principalmente de Vanessa que parecia não estar de acordo com os atos perversos que cometia, mas também não podia se conter como se algo ou alguém a comandasse. A obsessão aumenta quando kempton conhece a aspirante a atriz Clara Hansen (Maria Cina) e seu filho, o misterioso Sandor (Fred Meyers), um adolescente perturbado e violento que cultiva hábitos bizarros. Aos poucos o sobrevivente percebe que o destino não os colocou em seu caminho por acaso e que a aproximação pode trazer de volta as irmãs assassinas em seu encalço.

É certo que este trabalho do diretor John Hancock, oriundo de séries de TV, está longe de ser inesquecível ou merecer uma avaliação positiva acima do regular, mas é um trabalho curioso que serve para matar o tempo livre e quem sabe até se tornar uma pequena surpresa. O início é um tanto bizarro, mas é curioso que a primeira parte parece beber na fonte do excelente Louca Obsessão, suspense dos bons que deu o Oscar de Melhor Atriz para Kathy Bates em 1990. Nele a atriz vive uma mulher obcecada por uma personagem de uma série de livros cujo autor ela salva de um acidente na neve e passa a torturá-lo para que ele reescreva o último exemplar no qual sua amiga fictícia viria a morrer. No longa de Hancock, o roteiro de Dorothy Tristan também aproveita a ideia de um homem envolvido com o entretenimento sofrendo um acidente na neve e sendo salvo por pessoas estranhas, mas as irmãs Boulette extrapolam os limites da loucura. Elas colecionam partes de corpos humanos, preferencialmente de homens, e Ann chega até a cometer atos canibais. O diretor de animações então resolve usar sua arte para tentar se salvar. Se no outro título citado o grande James Caan enrolava sua algoz prometendo reescrever seu livro de acordo com as vontades dela, aqui Kempton jura que as Boulettes servirão de inspiração para sua nova animação, o que atiça a vaidosa Vanessa que sonhava em ser uma grande bailarina. Bem, até cerca de trinta minutos a narrativa é digna de filmes B e os risos não podem ser contidos, principalmente quanto a tortura psicológica imposta ao cineasta. As irmãs exibem sem pudores fotos de outras vítimas, apresentam partes humanas em conserva (inclusive um pênis digno de sex shop) e discutem acirradamente sobre o modo que vão assassinar o rapaz. É muita doideira junta, mas o enredo já dá pistas de que a perversidade destas mulheres tem fundamentos, raízes familiares, o que serve para aguçar os curiosos que não desistem de ver um filme até chegarem os créditos finais. E até que vale a pena seguir adiante.

Felizmente a bizarra situação na cabana das loucas não domina a narrativa, evitando o manjado caminho de mostrar o sequestrado se arriscando a várias tentativas limites de fugas. Kempton consegue rapidamente sair daquele local sinistro, mas antes de voltar para casa vive uma alucinante perseguição de snowmobile com Vanessa em sua cola munida de um machado e completamente ensandecida. Pela introdução, seu comportamento é digno de classificá-la como uma das maiores vilãs de todos os tempo do cinema e o espectador também pode chegar a pensar que está diante de um dos melhores filmes do gênero, mas é uma pena que a adrenalina e o choque positivo inicial não se mantenham constante para preencher o restante do tempo que apresenta o trivial, como mortes, pistas falsas ou não e mais bizarrices. O longa ganha muito com a entrada dos personagens Clara e Sandor Hansen, mãe e filho que vivem uma conflituosa relação, algo que faz Kempton ainda se sentir mais instigado a decifrar as mentes e comportamentos doentios das Boulettes, já que ele está convencido que a moça é a filha desaparecida de Vanessa. De qualquer forma, Hancock consegue realizar um bom suspense com pinta de produção trash, cria ganchos interessantes para prender a atenção do espectador e toca no assunto sobre transtornos psicológicos e de personalidade, mas não se aprofunda. Se assemelhando a um telefilme, Mutilados perde muito ao não oferecer a violência gráfica implícita no título nacional e a rapidez no desenrolar dos fatos não explora ao máximo o perfil das vilãs. É uma pena que seu título genérico e sua arte de publicidade sejam tão pobres em criatividade e até vendam errado a verdadeira essência deste trabalho que acabou sendo jogado ao ostracismo. Quem conseguir um DVD perdido em alguma locadora ou sebo vale a pena dar uma conferida para ver algo diferente e poder tecer um ou outro comentário elogioso ou até mesmo para meter a boca e falar horrores sobre ele. Este é mais um daqueles títulos que você elenca com prazer seus diversos pontos negativos, mas no fundo quer dizer " é ruim, mas é legal".

Suspense - 114 min - 2001 

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