terça-feira, 19 de junho de 2012

VESTIDA PARA CASAR

NOTA 8,5

Apesar de todos os clichês,
longa cumpre bem seus
objetivos contando com um
elenco cativante e afinado
O gênero comédia romântica acabou caindo em um círculo vicioso. É muito difícil ser surpreendido por alguma novidade ou fato inesperado em um filme desses, mas vez ou outra surge algum que consegue sutilmente se destacar embora no fundo a premissa básica esteja com todas as letras descritas no enredo. Vestida Para Casar segue o passo a passo de um casal de pombinhos rumo ao altar literalmente, porém, deve surpreender levemente na tão aguardada cerimônia religiosa. Ok, após os vinte minutos iniciais muitos já terão matado a charada, mas como popularmente se diz o melhor da festa é esperar por ela e nisso o roteiro de Aline McKenna, do elogiado O Diabo Veste Prada, capricha nas situações inseridas apostando no humor sutil, bem longe do pastelão, e consegue alinhavar uma história açucarada com ritmo, personagens bem delineados e jogar um molho diferenciado ao surrado tema da mocinha romântica buscando o seu príncipe encantado. A história já começa de um modo peculiar e bastante divertido apresentando Jane (Katherine Heigl) uma moça que está se dividindo entre duas festas de casamento distintas e em locais diferentes em uma mesma noite. Ela é uma das madrinhas de duas grandes amigas que fazem questão de agradecê-la diante de todos os convidados por todos os serviços que ela prestou para a realização das festas. Desde criança Jane tem uma afeição muito grande por esse tipo de cerimônia e já adulta colaborou com nada mais nada menos que 27 amigas que se casaram e escolheu desde os convites, aprovou os cardápios, fez os últimos ajustes no visual da noiva minutos antes da festa, entre outras tantas coisas. Tanta dedicação é com muita boa vontade, pois ela sonha com o dia em que elas retribuirão o favor quando for sua vez de colocar véu e grinalda e a cada noiva feliz sua esperança se renova. O problema é que o tempo passa e Jane não consegue um noivo, mas para seu coração já existe um candidato. Ela é apaixonada por George (Edward Burns), seu chefe, e faz de tudo para agradá-lo, mas ele só a retribui com gestos de amizade ou lhe dando mais trabalho alegando confiar nela. Quando as coisas entre eles parecem finalmente avançar um pouquinho o destino coloca um empecilho no caminho. Tess (Malin Akerman), a irmã caçula da moça, conquista o coração do empresário rapidamente e Jane, sempre preocupada em ver os outros felizes, prefere reprimir seus sentimentos e mais uma vez ela encarnará o papel de dama de honra perfeita. 

A partir deste baque, Jane começa a repensar sua vida, já que sempre pensou na felicidade dos outros em primeiro lugar, mas não é nada fácil chutar o pau da barraca quando o assunto envolve família, por isso ela continua engolindo os sapos da irmã e acobertando suas mentiras. Quem a ajuda a enxergar a realidade que a vida está passando e que ela vive dos bons momentos dos outros é o colunista social Kevin (James Marsden), outro assíduo frequentador de casamentos, mas por motivos de trabalho. Ele é encarregado de cobrir matrimônios para um famoso jornal, mas deseja ocupar uma nova posição na empresa e quando conhece Jane vê na curiosa história dessa dama de honra exemplar a chance de escrever a grande matéria que seria um divisor de águas na sua vida profissional. Inicialmente o contato entre eles é por puro interesse por parte do rapaz que não condena as uniões amorosas, mas sim a indústria que foi criada em torno de um evento que deveria ser íntimo e voltado a felicidade do casal e não superproduções realizadas para agradar aos convidados. Entre discussões e trocas de confidências, Kevin se dá conta de que se apaixonou por Jane de verdade, mas a revelação de que até o momento ela era uma espécie de objeto de estudo para ele pode colocar em risco o relacionamento entre os dois. Bem, pela sinopse já sabemos como as coisas vão caminhar, mas o roteiro é objetivo e praticamente não reserva espaço para cenas tolas, assim somos poupados de sequências constrangedoras de declarações de amor exageradas. Tudo bem, Katherine protagoniza um momento desses mais para o final, mas totalmente crível, pois o que vemos em cena são personagens bastante naturais e com seus defeitos e predicados. Com ótimo timing para comédia e uma boa química em cena, sem dúvida a atriz e Marsden são a alma deste filme e responsáveis pelas melhores cenas, como a introdução na qual a protagonista se divide entre duas festas de casamento na mesma noite com direito a troca-troca de roupa diante dos olhos atentos do rapaz.
O nome original, "27 Vestidos" (na mudança de título dessa vez o Brasil se deu bem), faz referência as tantas cerimônias que Jane já foi convidada para ser madrinha. Todos os modelitos, dos mais simples aos mais espalhafatosos, incluindo produções orientais e outras baseadas em clássicos do cinema, ainda estão recheando o guarda-roupa da moça que acaba fazendo um ensaio fotográfico descompromissado para Kevin sem saber que todo o material que ele estava recolhendo serviria para sua matéria. Embora os discursos do rapaz garantam ênfase à crítica da indústria casamenteira formada para atender aos caprichos das noivas, o tema é tocado de leve e não chega a ser explorado ferozmente, como fica bem claro na cena final que, não podia ser diferente, se passa em uma cerimônia de casamento simplória, vale ressaltar. A crítica especializada, como era de se esperar, tratou e ainda trata esta produção com preconceito e deboche, ressaltando inclusive algumas semelhanças deste enredo com o de O Casamento dos Meus Sonhos estrelado por Jennifer Lopez, mas o fato é que ela cumpre o que promete e agrada seu público-alvo, ou seja, os adeptos do romantismo e, principalmente, as platéias femininas de todas as idades. Só pelo fato do final surpreender muita gente (ou talvez os mais desligados) já eleva o filme de patamar de avaliação, mas a história por si só diverte, emociona e mantém um ritmo constante sem criar barrigas, aqueles trechos de pura enrolação, mesmo com quase duas horas de duração. Para apreciar esse romance água-com-açúcar e despretensioso, é preciso se livrar de preconceitos e deixar-se embarcar nesse enredo meloso, irresistível e despretensioso. Com direção de Anne Fletcher, a mesma de Ela Dança, Eu Danço, um questionável sucesso entre os jovens, Vestida Para Casar nasceu para se tornar clássico das sessões da tarde e é uma ótima opção para passatempo. Curiosamente, a diretora esqueceu de adicionar hits românticos para embalar sua trama, uma marca registrada de produções do gênero. É realmente, nem toda comédia romântica é igual, mas as diferenças precisam ser caçadas com pinças.
Comédia Romântica - 110 min - 2007 - Dê sua opinião abaixo.

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