sábado, 8 de fevereiro de 2014

O JOGO DA MORTE (2006)

Nota 7,0 Apesar de lento, suspense é claustrofóbico, intrigante e com conteúdo relevante

Após os atentados de 11 de setembro de 2001, muitos produtores começaram a caçar roteiros que trabalhassem com a temática do preconceito e o medo dos americanos em relação aos povos árabes, mas e o avesso desta situação seria possível? É esse o foco do diretor Laurence Malkin com o suspense O Jogo da Morte, título genérico que não vende bem o filme. Quem busca ação, tiros e sopapos certamente irá se decepcionar, pois na realidade o que impera é uma narrativa lenta e que alterna momentos de puro silêncio a outros de grandes diálogos que podem parecer confusos inicialmente, mas pouco a pouco vão envolvendo o espectador que certamente não espera a conclusão crítica oferecida pelo roteiro escrito pelo próprio cineasta em parceria com Chad Thumann. O filme é centralizado em um idealista holandês, Martijin (Ryan Philippe), que estava muito entusiasmado com sua viagem ao Marrocos com o objetivo de iniciar um fundo de caridade. O rapaz contrata os serviços de Gavin (Colm Meaney), um guia turístico que só conheceu pessoalmente já no aeroporto. Chegando ao destino, o ônibus que a dupla estava foi atacado por bandidos e quando eles se dão conta se encontram em uma espécie de galpão abandonado onde estão amarrados, um de costas para o outro, e com os olhos vendados. Imediatamente o holandês começa a acusar o guia de que tudo isso seria sua culpa, ainda mais depois que ficou sabendo que no passado ele trabalhava em uma empresa de produtos químicos que oferecia treinamentos anti-sequestros por conta dos perigos que alguns países ofereciam por serem contra tais atividades, provavelmente algo envolvendo exploração do trabalho. A discussão é observada de longe por Ahmat (Laurence Fishburne), líder de um grupo terrorista que não pensa duas vezes antes de matar o guia turístico. O problema era o próprio Martijin que então é obrigado a jogar xadrez com seu algoz que passa a questioná-lo sobre sua verdadeira identidade e seus reais interesses em solo árabe. A cada resposta que não o agrade, uma tortura é aplicada ao prisioneiro, até mesmo a perda de alguns dedos caso julgue necessário. Entre conversas tolas a respeito de sexualidade, preconceitos e etnias, Ahmat consegue torturar psicologicamente Martijin demonstrando saber muito sobre sua vida, detalhes que vão desde o conhecimento do conteúdo de conversas particulares até a respeito de números de seus documentos. Em flashbacks, um pouco de seu passado vai sendo revelado, deixando cada vez mais latente que o rapaz foi ao Marrocos em missão de paz, assim acentuando o perfil de vilão de Ahmat.

Em certo momento, o sequestrado passa a ter os cuidados de Aicha (Gina Torres), uma mulher que se esconde embaixo de uma burca (vestimenta típica), mas parece ser do bem. Ela o informa que o chefão quer saber de onde veio o dinheiro que ele pretende destinar a caridade, mas ele desconversa e promete lhe dar metade da quantia caso ela o ajude a fugir. Acontece é que ela também está a serviço de Ahmat, mas o plano dela tentar arrancar alguma informação confidencial fracassa, porém, deixa o prisioneiro ainda mais contra a parede. Bancário, ele diz que o dinheiro para a campanha, que não teve divulgação alguma no Marrocos, foi desviado de sua própria empresa, mas se isso fosse verdade já estariam à caça do rapaz. Começam então a vir a tona suspeitas cada vez mais graves a respeito de sua índole e benevolência, questionamentos comuns por parte de americanos à estrangeiros, ainda mais de origem árabe, mas pensar o contrário desta situação é que tira O Jogo da Morte da mesmice. Quem seria Martijin na realidade? Quais seus objetivos nesta viagem? Qual a origem do dinheiro que está em sua conta? E Ahmat é um criminoso? O que o faz desconfiar de um branco disposto a realizar caridade? E mais, quando chegamos aos minutos finais, nos perguntamos o porquê de tanta crueldade por parte do marroquino neste interrogatório. No último ato, entra em cena uma discussão a respeito da participação de investigadores tentando se infiltrar em redes terroristas que ao que tudo indica possuem grupos de simpatizantes espalhados por todo o mundo. Como todo bom suspense que se preze, apesar do ritmo lento compensado pela curta duração e clima claustrofóbico, cada cena é essencial para compreendermos este jogo até chegarmos a seu clímax, uma impactante revelação que pode ser o pesadelo dos ianques, quiçá da população mundial. O final bem amarrado e surpreendente, contudo, pode gerar controvérsias, mas eis o grande trunfo do filme: não ser um mero passatempo alicerçado no clichê do mocinho branco versus o vilão de pele escura, pois as aparências enganam. Produção de baixo orçamento e independente, o longa tinha poder de fogo para causar barulho na época de seu lançamento, mas acabou passando batido. Todavia, ainda é uma opção válida e capaz de mexer com os nervos do espectador e ao final propor discussões a respeito do valor da vida humana e a crueldade e a ganância de certos grupos que não medem esforços para colocar em prática seus planos de vingança sob a desculpa esfarrapada de atenderem a um propósito maior.

Suspense - 86 min - 2006 

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