quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

MEDOPONTOCOMBR


Nota 2,0 Serial killer que ataca pela internet rende filme insosso, confuso e quase um plágio


Desde que a internet ainda engatinhava e era artigo de luxo para poucos. o cinema já estava de olho para utilizá-la como temática e, dentro de um universo onde aparente tudo é possível e sem regras, obviamente se torna o ambiente ideal para as ações de criminosos, até mesmo seriais Killers. Medopontocombr tentou explorar tal gancho, mas a trama  tem verdadeiras crateras no lugar de simples buracos. O pontapé inicial é o mistério envolvendo quatro corpos com hemorragias nos olhos encontrados em um subúrbio de Nova York, casos investigados pelo policial Mike Reilly (Stephen Dorff) e a inspetora de vigilância sanitária Terry Huston (Natascha McElhone), esta que acredita que as mortes foram provocadas por algum tipo de microrganismo. Todavia, não demora muito para chegarem à informação de que coincidentemente todas as vítimas teriam acessado horas antes um obscuro website de violência explícita. Aparentemente, a tal página tem o poder de canalizar a energia negativa na mente das pessoas e no prazo de 48 horas seus piores pesadelos tornam-se realidade e mortais. 

Obviamente, em algum momento um dos investigadores será obrigado a acessar a mórbida página para descobrir qual o conteúdo visualizado pelas vítimas. Além de interagir com um jogo macabro, os internautas assistem a um vídeo bizarro com imagens desconexas no qual aparece uma menina vestida de branco que num piscar de olhos parece ultrapassar o limite da tela do computador e... Ei! Esse não é outro filme? Pela sinopse dá pra ver que os roteiristas Christian Sebaldt, Josephine Coyle e Moshe Diamant não fizeram uso da criatividade e sim do oportunismo. O cerne é o mesmo do terror japonês Ring - O Chamado. No mesmo ano que sua refilmagem americana  deu um bem-vindo respiro ao gênero, curiosamente com lançamento praticamente simultâneo, o diretor William Malone tratou de sufocá-lo novamente com esse seu trabalho que poderia até ser acusado de plágio. As acusações de cópia descarada provavelmente só não vieram à tona graças aos equívocos e da pinta de filme B que o distanciam da história da menina que mata aqueles que assistem sua psicodélica fita de vídeo, diga-se de passagem, bem produzida tanto em sua versão oriental quanto em seu remake hollywoodiano. 


De positivo mesmo só há um ponto a ser destacado. Com ambientação cinzenta e fotografia fria, a direção de arte tomou certo cuidado para apresentar propositalmente paredes deterioradas e janelas quebradas como forma de representar uma realidade devastadora, provavelmente fruto de uma ditadura movida a egoísmo e individualismo em uma época em que as relações pessoais são dependentes da tecnologia. O vandalismo ganha força e até pessoas ricas que moram em grandes e confortáveis apartamentos também sofrem com a manutenção da estética de seus imóveis, o que pode sugerir que a trama se passe em décadas futuras e não na realidade do ano de produção da fita. Com diálogos estranhos, zero de lógica e a julgar pela falta de qualidade em outros tantos aspectos, é de se estranhar o porquê desta produção medíocre ter tido direito a passagem pelas telonas, ainda que em poucas salas e após mais de um ano de seu lançamento nos EUA. 

Bastam cinco minutos  para se ter a certeza que trata-se do típico horror destinado a adolescentes e para consumo doméstico, apenas serviria como desculpa para reunir os amigos. Malone, responsável também pelo fracassado A Casa da Colina, até demonstra certa boa vontade para escamotear os clichês e criticar o interesse público pela exploração da violência, tanto que a grande ameaça do site não é especificamente seu universo alucinógeno ou a visão do possível fantasma de uma garota, mas sim o mentor desse universo, Alistair Pratt (Stephen Rea), um serial killer de mulheres. Conhecido como O Doutor pela destreza em mutilar suas vítimas com precisão cirúrgica, ela já havia escapado da mira do detetive Reilly anos atrás e deu continuidade ao seu legado de sangue se beneficiando da tecnologia, sendo financiado por internautas ávidos por violência explícita e mortes reais que pagam para ter acesso ao escuso conteúdo. 


De certa forma, a doentia ideia do assassino segue uma ideia de outros criminosos semelhantes eternizados pelo cinema. Se os promíscuos e porra loucas eram mutilados aos montes em Sexta-Feira 13  e A Hora do Pesadelo, por exemplo, em  Medopontocombr o criminoso lucra e deixa suas vítimas se divertirem com a isca que oferece, mas cobra depois de dois dias um preço ainda maior pelo mórbido voyeurismo. Pratt então pune aquelas pessoas com comportamento desvirtuado, os apreciadores do sofrimento alheio. Infelizmente, o longa não faz questão alguma de explorar o quão perigoso pode ser o universo virtual e se contenta com o superficialismo de sustos fáceis e das mortes de personagens com os quais pouco nos importamos.

Terror - 101 min - 2002

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