terça-feira, 21 de novembro de 2017

CASAMENTO GREGO 2

NOTA 6,0

Continuação de grande sucesso
demorou demais a ser lançada e
apenas repete situações do original,
mas sem contar com o fator novidade
Lançada em 2002, a comédia Casamento Grego chegou aos cinemas ianques como quem não quer nada e surpreendeu com uma gigantesca bilheteria (visto sob o ângulo da ninharia que custou e a exorbitância que lucrou pode-se afirmar que é um dos longas mais lucrativos de todos os tempos) e conquistou a crítica especializada. Sem efeitos especiais, tampouco apelações e elenco até então desconhecido, o longa já chegou ao Brasil e em outros tantos países ancorado por uma campanha de marketing que enfatizava sua lucratividade e que ganhou um bônus com a indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Logo começaram rumores de que uma continuação já estava nos planos. Pena que o projeto demorou demais a ser concretizado. Quase quinze anos depois do original houve a estreia de Casamento Grego 2, mas sem a pompa do original. Público e crítica já não estavam na expectativa de um segundo encontro da família Portokalos e talvez só o elenco ainda alimentasse alguma esperança para voltar a ficar em evidência. Nesse meio tempo Nia Vardalos, protagonista e também roteirista e produtora das duas produções, encarou o fracasso de Falando Grego e Eu Odeio o Dia dos Namorados, e os outros atores amargaram o ostracismo. Porém, não é por falta de talento. Nesta nova reunião familiar os intérpretes mostram mais uma vez ótima sintonia e conquistam o público graças a rápida identificação com seus personagens. É como uma reunião familiar no Natal ou em algum aniversário. Todos tem pelo menos um parente caracterizado por seu jeito extremamente espontâneo, sisudez ou involuntariamente divertido. Eles podem nos fazer passar por momentos vexatórios, mas sejamos sinceros, que graça tem um encontro familiar sem essas situações para servir como lembrança? Vardalos parece plenamente ter consciência da comoção que seu filme anterior causou e de certa forma conseguiu manter a essência. Agora sua Toula é uma mulher mais segura de si para poder dar conta de cuidar de sua casa, do marido Ian Miller (John Corbett), seu primeiro e único amor, e da filha adolescente Paris (Elena Kampouris) que está preste a se formar no colégio e sonha em fazer faculdade fora.

Toula passou a juventude com sua rebeldia escondida sob um visual de mocoronga e só conseguiu extravasar quando descobriu o amor, diga-se de passagem, por um homem não-grego para desespero de sua família. Agora a situação se repete, mas os papeis se invertem. Tudo que criticava do comportamento de seus pais ela tomou consciência de que a própria vida cobra tal postura. Ela não chegou ao mesmo nível de pentelhice, mas se tornou tão obsessiva quanto e parece disposta a seguir a tradição de seu clã apoiando que a filha se case cedo e de preferência com um rapaz de origens gregas. Ao mesmo tempo que lida com essa questão, a protagonista também tenta solucionar um outro problema envolvendo seus pais, Gus (Michael Constantine) e Maria (Lainie Kazan). Depois de décadas juntos o casal descobre que nunca foram legalmente casados, a certidão não foi assinada pelo padre da cidade de onde emigraram da Grécia, o que desperta a ira da matriarca que teima que levou uma vida de pecados, mas o marido, ou melhor, seu noivo, é osso duro de roer e não quer fazer um pedido de casamento formal a esta altura do campeonato. Pode parecer besteira, mas para quem lembra do jeito anárquico do casal sabe que tal situação é o apocalipse, ainda mais quando Maria decide repensar se vale a pena continuar presa neste relacionamento. É aí que Toula precisa intervir, não só porque ama seus pais, mas também para evitar um vexame diante de parentes e amigos. Nessas seu próprio relacionamento fica em segundo plano, literalmente. Difícil acreditar que após tantos anos juntos, Ian e Toula não estivessem com algum problema na relação, seja pelo desgaste normal da união, interferência de problemas familiares ou até mesmo o fato do marido ainda não ser completamente aceito pelo sogro que vira e mexe volta a enfatizar que a filha fez uma casamento ruim simplesmente por sua origem americana. O casal protagonista da primeira fita agora é coadjuvante, sem conflito próprio.

Quem assumiu a direção desta continuação é Kirk Jones, que tem experiência com temáticas familiares. É dele o infantil  Nanny McPhee - A Babá Encantada e o drama Estão Todos Bem. Assim, ele não tem dificuldades em resgatar o clima da primeira união dos Portokalos, mas se fazer a sequência de um grande sucesso já é difícil, quiçá lançá-la com tantos anos de distanciamento. Perde-se o fator da novidade, os personagens já foram devidamente apresentados, então só resta ter em mãos um bom argumento para justificar narrar um novo encontro familiar e é nisso que Vardalos falha. Não há novas situações a serem contadas, simplesmente repetecos com nova roupagem. Está novamente em campo o conflito entre gerações, a manutenção de tradições e os preparativos de uma nova festa de matrimônio. A tagline que acompanha o material publicitário da fita enfatiza que "as pessoas mudam, o gregos não". É exatamente o que vemos. A dinâmica da família não mudou quase nada e consequentemente as piadas e situações se repetem. Gus, por exemplo, continua com sua mania de acreditar que praticamente tudo que existe no mundo tem origens gregas e agora até teima que é descendente do lendário Alexandre, o Grande. O conflito de Paris em querer se afastar da família para poder seguir sua vida como bem queira claramente busca estabelecer um vínculo com a primeira fita. Felizmente abrindo mão de um antagonista (não há ninguém de carne e osso que queira atrapalhar a vida dos personagens), os problemas surgem das necessidades dos próprios indivíduos, mas por outro lado as crises são resolvidas de forma muito simples. De qualquer forma, Casamento Grego 2, desculpe o trocadilho, não é uma tragédia grega por completo. Não tem o frescor que o primeiro carregava, mas o carisma do elenco segura as pontas mostrando mais uma vez que, apesar dos vexames e brigas, a família é um bem essencial em nossas vidas. Os personagens são de fácil identificação, cada qual com suas qualidades e (muito mais) defeitos, formando uma família que mesmo com os exageros e momentos de comportamentos estranhos estão sempre metendo o bedelho na vida uns dos outros em prol de um único objetivo: que todos sejam felizes.

Comédia - 94 min - 2016

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