segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

FIM DOS DIAS

NOTA 2,5

Excessivamente longo e com tema
repetitivo, longa foi apenas mais uma
produção oportunista a explorar o medo do
fim do mundo às vésperas do novo milênio
O final do ano de 1999 foi atípico. um misto de entusiasmo e tensão pairava no ar em todos os cantos do planeta. A chegada do ano 2000, também confundida com a virada para o novo milênio que na verdade aconteceria somente no reveillon seguinte, era embalada por diversas teorias apocalípticas a respeito do fim do mundo e cientistas e especialistas em informática se preparavam para passar a ceia de plantão com o intuito de evitar o chamado bug do milênio, uma falha de alguns softwares que poderiam não atualizar a mudança de data corretamente e acabar retrocedendo o relógio no tempo trazendo graves problemas para alguns setores como, por exemplo, o financeiro que sofreria prejuízos com taxas de juros e prazos de cobranças absurdamente alterados. Para o pessoal de Hollywood pouco importava o impacto  no dia-a-dia das pessoas, o que estava em jogo era aproveitar o climão e soltar os demônios. Literalmente! E nem Arnold Schwarzenegger escapou dessa onda. Longe das telas desde o fracasso de Batman e Robin, o ator foi obrigado a ficar pouco mais de dois anos afastado do trabalho por conta de uma cirurgia cardíaca e seu retorno foi marcado pelo oportunismo. Autoexplicativo até no título, Fim dos Dias é uma colcha de retalhos e não deixa dúvidas quanto a razão de ter sido produzido. No final daquele ano muitas produções foram lançadas a toque de caixa explorando temáticas sobrenaturais, a maioria descaradamente reciclando porcamente o argumento do Diabo vindo à Terra para procriar. O longa dirigido por Peter Hayams, de Timecop - O Guardião do Futuro, bebe nessa fonte e não desperdiça nenhuma gota. Tudo que já se viu em outros filmes do tipo é reaproveitado. Schwarzenegger interpreta Jericho Cane, um ex-policial que após perder a esposa e filha em um assalto planejado perdeu totalmente a fé e agora vive depressivo e entregue ao vício em bebidas. O perfil é bastante manjado, mas dramático demais para o talento restrito do ator mais acostumado a lidar com armas do que com pessoas.

Após enfrentar alienígenas, maquinas, terroristas e outros tantos vilões de tudo quanto é tipo, chegava a hora do brutamontes bater de frente com um perigo sobrenatural, mais precisamente o Satanás em carne e osso. Gabriel Byrne encara o coisa ruim com toda a propriedade e sua versão humana é bem mais assustadora que a criatura computadorizada que surge no clímax, algo tão extravagante que parece inspirado em alegoria de escola de samba. O ator, visto no mesmo período como um padre em Stigmata, mais um título que explorava o filão das teorias apocalípticas e fanatismo religioso, aqui não apresenta o Diabo em aparições sensacionalistas. Assumindo o corpo de um humano para poder transitar a vontade pelas ruas de Nova York, ele mete medo com sua lábia e expressões de cinismo e tem como melhor cena o momento em que tenta convencer Cane a abandonar sua santa missão e se aliciar ao lado das trevas. Espera aí, missão? O plot do roteiro de Andrew W. Marlone não poderia ser mais previsível. O Diabo veio para a Terra com o intuito de engravidar uma jovem predestinada, Christine York (Robin Tunney), e assim perpetuar as trevas. Ainda recém-nascida ela passou por um ritual satânico dentro da própria maternidade e agora ela não só tem que fugir do demônio e seus aliados como também de religiosos que acreditam que sua morte é um sacrifício necessário para o bem da humanidade. Embora na época os produtores tenham afirmado que a construção do roteiro foi supervisionada por estudiosos do catolicismo, o filme sofreu repressão por membros da Igreja que reclamou de do excesso de cenas violentas e de mau gosto, como a introdução com um bebê submetido a um rito com uma serpente, e principalmente criticaram o uso indevido de ícones e temas católicos. Mesmo com tal polêmica, o filme não foi beneficiado. O que era para ser considerado um ponto de virada na carreira de Schwarzenegger passou em brancas nuvens.

Híbrido de suspense, terror e ação, no saldo final obviamente prevalece o último gênero para favorecer Schwarzenegger. Não faltam explosões, tiroteios, perseguições, acidentes de trânsito e lutas. Ainda assim, o astro não consegue esconder seu desconforto nesta produção. Hyams não teve habilidade para "desarmar" o ator e suas cenas dramáticas são sofríveis. Como já dito, o perfil do protagonista é de um homem vulnerável e merecia um intérprete mais condizente, alguém que pudesse transmitir suas tristezas e dúvidas com mais competência. Cane no fundo é deprimido, sente que não tem mais motivos para viver, assim não é muito convincente que de uma hora para a outra ele aceite arriscar sua vida para assegurar o futuro da humanidade. De qualquer forma, não se pode creditar o fracasso de Fim dos Dias exclusivamente a Schwarzenegger. O fraco roteiro empurra goela abaixo dos espectadores uma série de explicações estapafúrdias, coisas para deixar os católicos de cabelos em pé como a teoria de que o repudiado numeral 666 invertido teria alguma relação com 1999... Oi? É óbvio que quem curte filmes com enredo inteligentes não esperariam algo profundo estrelado pelo eterno Exterminador do Futuro, mas para os fãs do ator e do gênero que ele tão bem representa eis aqui uma boa pedida. Se faltou esmero no enredo e interpretações, é digno de nota os esforços do diretor em construir boas sequências de ação auxiliado por efeitos sonoros estridentes e edição frenética. Porém, o filme se estende além do necessário comprometendo o clímax que, como de costume em produções do tipo, oferece reviravoltas em tempo recorde e show pirotécnico. E assim temos apenas mais um filme que enquanto se assiste entretém, mas se apaga da memória tão logo começam os créditos finais. E olha que o argumento bebe na fonte do clássico O Bebê de Rosemary, guardadas as devidas proporções. Será que Hyams assistiu para se inspirar? Pelo resultado difícil acreditar, mas uma maratona das fitas de Schwarzenegger certeza que encarou.Tirando a briga com Satanás, tudo que o astro já vivenciou nas telonas bate cartão.

Ação - 124 min - 1999

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