sábado, 29 de dezembro de 2012

O BARBEIRO

Nota 1,0 Apesar do bom argumento, longa é uma tremenda enrolação para explicar o óbvio

Em um filme cujo enfoque é a investigação de assassinatos o mínimo que se espera é uma trama bem amarrada que nos instigue a brincar de detetive, mesmo que no final das contas a identidade do criminoso seja a mais óbvia. De qualquer maneira, se o tempo dedicado a essa brincadeira for de qualidade isso compensa um pouco a frustração da conclusão. E qual seria o atrativo de uma produção do tipo cujo vilão já sabemos de antemão sem precisar assistir uma única cena? A fita O Barbeiro só pelo título já entrega o ouro, mas poderia ao menos reservar uma trama que tentasse jogar a culpa em cima de outros suspeitos ou quem sabe fazer aquele jogo em que a plateia sabe de tudo, mas os demais personagens não, assim criando aquela angústia de nos sentirmos impotentes diante de uma situação tão óbvia enquanto o verdadeiro assassino se diverte. O diretor Micheal Bafaro é preguiçoso e desde a primeira aparição do personagem Dexter Miles (Malcolm McDowell) deixa claro que ele não é flor que se cheire. Muitas de suas aparições ilustram narrações em off, na verdade seus pensamentos maquiavélicos, críticos e sarcásticos. O efeito inicialmente parece mesmo corresponder as expectativas de que o público está sendo convidado a ser cúmplice de suas ações, mas a partir do momento que frases comprometedoras começam a sair de sua boca em alto e bom som para quem quiser ouvir o interesse na fita cai totalmente. O criminoso está praticamente se entregando e quem ouve faz cara de paisagem. A trama escrita pelo próprio diretor em parceria com Warren Low se passa em Revelstoke, uma pequena e pacata cidade no Alasca que é tão insignificante que nem aparece na maioria dos mapas dos EUA. Sofrendo com invernos rigorosos e com dias em completa escuridão tal qual a noite, as pessoas que visitam o local chegam a compará-lo a uma prisão perpétua, mas os pouquíssimos moradores já se acostumaram com a ambientação tranquila, porém, a morosidade é quebrada quando é achado o corpo de Lucy Waters. Assim que a notícia chega ao único salão de barbearia da cidade o mistério para o espectador já acaba. Em pensamento, Dexter entrega que jamais esperava que achassem os restos da mulher tão rapidamente. Depois de tal revelação o que esperar?

Impossível um filme antecipar seu final em dez, quinze minutos e então ficamos na expectativa de que alguma reviravolta irá acontecer, mas pouco a pouco o interesse só tende a diminuir. Vance Corgan (Jeremy Ratchford), o delegado local, é chamado para averiguar o caso, mas antes de saber da morte de Lucy estava crente que ela devia ter fugido com um amante afinal já estava desaparecida há uns seis dias. Contudo, ele mal se inteirou da situação e na manhã seguinte (ou seria noite?) surge o agente Crawley (Garwin Sanford), enviado pelo FBI para colaborar visto que receberam uma denúncia que o responsável pela delegacia de Revelstoke estava fazendo corpo mole. Puxa, até que para um vilarejo totalmente isolado os sistemas de comunicação funcionam as mil maravilhas. O longa então vai se desenvolvendo (ou deveria) na rivalidade entre esses dois homens da lei tentando desvendar o mistério o mais rápido possível, cada um defendendo o seu próprio crédito na resolução, mas as coisas para Corgan se complicam quando é revelado que ele mantinha um caso com a vítima que ganhava a vida dirigindo um táxi. Com tão pouca gente para transportar e praticamente as ruas intransitáveis por causa do gelo para que tal serviço? Bem, ao que tudo indica seu trabalho era apenas uma desculpa para se divertir com homens no banco de trás, assim qualquer um poderia ser suspeito de sua morte, mas o roteiro ignora qualquer possibilidade exceto as desconfianças em cima de Cecil (John Destry), marido de Lucy. O Barbeiro poderia ser minimamente interessante caso investisse na batida fórmula de seriais killers, mas ao longo da narrativa só temos duas mortes que são apenas reveladas, nunca o ato é mostrado. Aliás, chega a ser ridícula a cena em que Dexter aparentemente vai abusar sexualmente e depois matar uma garota. Quando sabemos o que ele pretendia com ela... É realmente uma pena que um argumento razoável, um barbeiro psicopata munido se suas navalhas e tesouras, tenha sido desperdiçado com tanto despudor, ainda mais com uma ambientação tão apropriada. O que um maníaco poderia aprontar em um lugar em que os dias se confundem com as noites e somente os incautos vagam nas ruas ou dão trela a estranhos? Fica a dica para um próximo terror adolescente que por pior que fosse ainda possivelmente seria melhor que este suspense insosso. 

Suspense - 94 min - 2001 - Dê sua opinião abaixo.

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