domingo, 8 de novembro de 2020

AMOR PRA CACHORRO (2007)


Nota 7,0 Solteirona se vê de repente dividida entre dois amores tão problemáticos quanto ela

O título é dos mais dóceis possíveis e deve fisgar adoradores de obras como Marley e Eu, Sempre Ao Seu Lado e Procura-se  Um Amor Que Goste de Cachorros, contudo, a decepção pode acontecer. Amor Pra Cachorro é de fato também uma produção simpática e divertida, porém, carregada do espírito do cinema independente. Em outras palavras, é uma comédia romântica na qual os personagens são todos disfuncionais e com problemas para se relacionarem. A trama gira em torno de Peggy (Molly Shannon), uma mulher de meia-idade que leva uma rotina pacata do trabalho para casa e vice-versa. Sua única companhia é seu cãozinho Pencil que acaba morrendo acidentalmente ao ingerir algum tipo de veneno. A partir de então sua vida muda completamente ao se sentir atraída e ser retribuída pelo vizinho Al (John C. Reilly), de quem ironicamente suspeita ser o responsável indireto pela morte de seu cão, e também ao se interessar pelo veterinário Newt (Peter Sarsgaard), este que lhe oferece um novo filhote que precisa de acompanhamento regular para ajustar seu comportamento.

Incentivada por sua animada amiga Layla (Regina King), Peggy ousa viver um pouco mais e aceita convites de seus possíveis pretendentes, mas aos poucos percebe que estes homens são tão complicados quanto ela que nunca foi muito adepta a relacionamentos afetivos, a não ser com Pencil a quem destinava todo seu carinho e atenção. Al tem um episódio suspeito de seu passado também envolvendo a morte de um cachorro e parece estar ansioso para viver uma relação amorosa. Já Newt se aproxima inicialmente apenas por solidariedade, mas aos poucos a solteirona passa a enxergá-lo como o parceiro ideal, chegando a oferecer apoio em seu projeto em defesa dos animais e até aderindo ao estilo de vida vegetariano. Orbitando o cotidiano da protagonista também estão seu irmão Pier (Thomas McCarthy) e a esposa Bret (Laura Dern), um casal que também não é lá muito bom conselheiro visto a criação neurótica que oferecem a seus filhos pequenos.

Descoberta no lendário programa humorístico americano "Saturday Night Live", Shannon participou de vários filmes e séries de comédia, mas é uma ilustre desconhecida, aquele rosto que você sabe que já viu em algum lugar, porém, não se lembra onde e tampouco seu nome. Sabendo como poucas atrizes a trabalhar performances dramáticas aliadas a toques de humor sutis, protagonizar esta comédia romântica com título açucarado poderia ser seu trampolim para o sucesso, mas a pegada alternativa do projeto a sabotou. Não se trata de uma comédia rasgada e tampouco um romance meloso. A trama tem certo quê de autoajuda e nos faz refletir sobre relacionamentos versus solidão. O roteiro e a direção são de Mike White, do hoje considerado cult Por Um Sentido na Vida estrelado por Jennifer Aniston em mais uma tentativa para ser respeitada pela crítica que a vê como um atriz de comédias populares. Shannon também participou de filmes mais comerciais, mas jamais foi reconhecida a ponto de ter um nome de peso para atrair público. Superstar - Despenca Uma Estrela, por exemplo, foi feito exclusivamente para aproveitar a repercussão de uma personagem que vivia com êxito no citado programa de TV que a revelou, contudo, o longa foi um tremendo fracasso.

Amor Pra Cachorro traz certos resquícios do filme de Aniston, embora mais leve e com muitos momentos divertidos. As protagonistas de ambas as obras procuram algo ou alguém que as faça ter novas perspectivas de vida e esbarram em obstáculos como seus empregos e rotinas monótonos e o convívio com pessoas excêntricas. O encontro da sonhada alma gêmea também acaba se tornando um grande problema, visto que por mais afinidades que se compartilhe com as pessoas escolhidas sempre há ponteiros a serem ajustados. Quanto mais conheço os seres humanos mais eu amo os animais. É essa velha, cômica e, porque não dizer, crítica frase popular que cai como uma luva para o atual momento de vida de Peggy que de mulher amargurada passa para uma entusiasta do amor, mas não demora a vivenciar a frustração, já que sofre uma grande decepção ao notar que sua crescente paixão por Newt não está sendo correspondida. Diga-se de passagem, o rapaz também tem lá seus momentos de crises e esquisitices, o que o torna um parceiro ideal para a solteirona.

Iludida pelo sentimento do amor que lhe toma repentinamente, Peggy começa a fazer extravagâncias e loucuras, como transferir dinheiro da empresa onde trabalha como doação para ações que protegem animais de virarem cobaias de experimentos para testagem de cosméticos ou para serem abatidos e suas peles serem transformadas em casacos. Tudo vale a pena em nome do amor. Ao mesmo tempo, ela precisa manter a razão para não se entregar aos ímpetos do vizinho Al que nunca reparou nos atributos da moça, mas de uma hora para a outra passa a lhe fazer a corte. White tem destreza para  trabalhar com tipos melancólicos, solitários e problemáticos e assim trabalha bem o equilíbrio de sua trama entre o drama e a comédia de costumes. O que poderia ser um retrato triste de tipos comuns na sociedade contemporânea acaba se tornando agradável e com certo tom esperançoso, deixando no ar uma mensagem edificante e de autoconhecimento.

Comédia romântica - 98 min - 2007

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