sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

SEM RETORNO


Nota 3,0 Boa premissa sobre vida eterna é desperdiçada e conduzida por clichês de thrillers de ação


Uma maneira para prolongar a vida eternamente é um dos temas mais explorados pelo cinema nos mais diversos gêneros mostrando a loucura que tal poder acarretaria nas mãos de pessoas inescrupulosas, a tristeza que poderia proporcionar aos mais sensíveis a certa altura ou até mesmo o lado cômico da situação obrigando um indivíduo a reciclar seus conhecimentos e maneira de viver constantemente. Geralmente a abordagem é  feita com ações que mantém a pessoa para todo o sempre sem envelhecer, mas o que aconteceria caso apenas sua consciência sobrevivesse dentro de um outro corpo? Essa é a proposta de Sem Retorno, mescla de suspense, ação e ficção científica que tem um primeiro ato interessante, mas aos poucos se torna enfadonha e excede o tempo tolerável. 

Somos apresentados ao milionário Damian Hale (Ben Kingsley), que conquistou profissionalmente tudo o que seria possível, mas o diagnóstico inesperado de um câncer terminal o fez repensar toda sua trajetória, incluindo sua relação com Claire (Michelle Dockery), sua filha a quem nunca deu muita atenção devido a sua rotina atribulada. Quando o cientista Albright (Matthew Goode) lhe informa sobre um procedimento médico revolucionário, no qual a consciência de alguém é transferida para um corpo saudável criado em laboratório para fins experimentais, o magnata se interessa de imediato em se submeter ao método concordando com o ônus de que toda sua vida anterior deveria ser abdicada. Assim ele assume uma nova identidade, passando a atender pelo nome de Edward Kidner (Ryan Reynolds) e com rotina completamente diferente. Seu novo eu, digamos assim, é acompanhado de perto pelos realizadores do experimento, garantindo assim toda a estrutura para apoiar os pacientes a terem uma vida o mais próximo do normal, incluindo a oferta de medicamentos para prevenir possíveis surtos psicóticos. 


Entretanto, ao contrário do que Hale imaginava, a tecnologia que lhe proporciona a imortalidade também tem seu lado negativo, guardando muitos segredos e colocando inocentes em risco, assim, mesmo em outro corpo, ele decide investigar a fundo os bastidores dessa tecnologia. Dirigido pelo indiano Tarsem Singh, conhecido por obras de apuro visual como A Cela e Dublê de Anjo, o longa começa bem injetando bastante informações para tornar a trama plausível, mas seu desenrolar aos poucos vai se distanciando da ficção científica e se aproximando mais a um modelo de thriller de ação. O enredo criado pelos roteiristas David e Àlex Pastor é desenvolvido de forma burocrática e funcional, dosando as revelações necessárias para prolongá-lo. Isso prova que o cineasta está cada vez mais entregue aos clichês hollywoodianos que já não lhe renderam boas críticas e tampouco bilheterias em seus últimos trabalhos, como Espelho, Espelho Meu e Imortais

De qualquer forma, Singh se esforça para oferecer cenas visualmente caprichadas, com fotografia cuidadosa e sequências de ação mirabolantes, mas não consegue explorar adequadamente o suntuoso estilo de vida de Hale e tampouco o universo das alucinações quando ele assume a figura de Kidner. Tudo parece visualmente exagerado. Reynolds, conseguindo distanciar-se da personalidade defendida por Kingsley, diga-se de passagem, um tipo bem aquém da capacidade do veterano, segura bem a responsabilidade de protagonizar cenas ágeis envolvendo tiroteios, explosões e perseguições, mas não mostra a mesma disposição para trabalhar os dilemas morais de seu personagem. 


O argumento futurista poderia render boas discussões a respeito de imortalidade, o valor da vida e ética científica, mas são ideias complexas demais para serem trabalhadas pelo roteiro raso mais preocupado em surpreender com reviravoltas previsíveis como a revelação sobre a origem do corpo de Kidner ou a real identidade de Albright. Em suma uma produção bastante genérica, Sem Retorno desperdiça a boa premissa embarcando em uma sucessão de equívocos, com cenas mal construídas e pouco convincentes que não mantém coerência. Com menos de uma hora de projeção já estamos fatigados, mas Singh se rende à violência gratuita para segurar a trama por mais uma hora desnecessariamente.

Ação - 118 min - 2015

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