sábado, 26 de novembro de 2016

O CLÃ DOS VAMPIROS

Nota 2,0 Lento e sem emoção, suspense baseado em fatos reais desperdiça intrigante material

Praticamente todos os dias os veículos de comunicação têm ao menos um crime bárbaro em pauta. Psicopatas, pedófilos, adolescentes infratores, crianças problemáticas e até complôs em família, não importa o grau de crueldade e a quantidade de sangue envolvida, tais situações infelizmente se tornaram tão rotineiras que não chocam mais, porém, incitam sentimentos de comoção e indignação. O mundo cão inevitavelmente atrai a atenção de curiosos e não é uma exclusividade da mídia brasileira. Programas de TV, sites e publicações sensacionalistas não param de se multiplicar mundo a fora. Nos EUA, por exemplo, o cinema bebe muito na fonte das editorias policiais e mesmo quando os casos não possuem muitos desdobramentos tem sempre algum produtor disposto a tirar leite de pedra e os telefilmes tornaram-se uma forma rápida e barata para realização de trabalhos do tipo. Todavia, a maioria fica a dever em criatividade, capricho e podem até ser taxados como medíocres como é o caso de O Clã dos Vampiros que poderia ser um grande suspense, mas o resultado entregue pelo diretor John Webb é entediante, carente em emoção do início ao fim apesar de ser baseado em fatos reais que abalaram a sociedade norte-americana em novembro de 1996 na cidade de Eustis, na Flórida. Trabalho de estreia do roteirista Aaron Pope, este telefilme aborda o derradeiro episódio envolvendo o grupo que dá título à obra, jovens de classe média que se autodenominavam criaturas das trevas e acima do bem e do mal. O filme começa de maneira bastante clichê. Jeni Wendorf (Stacy Houge) está com o namorado dentro de um carro tarde da noite e em uma região desértica, tudo conspirando a favor para o incauto casal ser atacado por algum vampiro.... Errado! Invertendo expectativas, eles se despedem, o rapaz vai embora numa boa e a jovem consegue chegar tranquilamente em casa. Pelo horário ela não estranha o silêncio do local e o telefone que não funciona por estar com o fio cortado julga ser consequência de mais uma discussão entre Heather (Kelley Krugger), sua irmã caçula, com seus pais. Antes as coisas fossem assim. Os pais das garotas foram brutalmente assassinados em cômodos distintos da casa e ao que tudo indica a filha mais nova teve participação no crime que deveria se resumir a apenas um roubo de carro.

Inicialmente dada como desaparecida, Heather na verdade fugiu por conta própria para se unir a um grupo sinistro liderado por seu namorado, Rod Ferrell (Andrew Fullerton). Os integrantes se gabavam de serem imortais, adoravam a cor preta, seriam assíduos frequentadores de passeios noturnos, além de terem um comportamento fechado e se alimentarem de sangue mordendo uns aos outros. O porquê destes bizarros costumes o filme fica a dever, assim o tal clã é reduzido a um bando de adolescentes mimados querendo chamar a atenção com arruaças e seu estilo gótico, porém, há registros de que o verdadeiro mentor desta espécie de seita era de fato um garoto com sérios problemas de socialização e constantemente encrencado com a polícia. Adepto de visitas a cemitérios e tudo que envolvesse negativismo, desde criança seus pais o envolviam em rituais satânicos, confissão feita por sua própria mãe durante o julgamento do rapaz que foi preso aos 17 anos, justamente quando foi acusado da morte do casal Wendorf. Todo esse suporte psicológico para justificar as estranhas ações e atos criminosos do rapaz e seus seguidores é simplesmente ignorado pelo roteiro que se limita a elucidar o episódio do assassinato apostando em repetitivos flashbacks apresentando os fatos sob diversos ângulos. Nada contra tal opção, mas o problema é que a fita não tem elemento surpresa algum para se manter e trata seus personagens de forma rasa comprometendo drasticamente o envolvimento do espectador com a trama. Lento e praticamente sem história para contar (por opção de Webb e Pope obviamente), O Clã dos Vampiros é frustrante desperdiçando um excelente argumento, uma história que ao que tudo indica poderia dar nó na garganta, mas infelizmente é contada com frieza omitindo inclusive a repercussão da mídia quanto a prisão dos supostos vampiros. Se ainda o resultado fosse o filme B que o ostentoso título vende, com direito a muito sangue de groselha e erotismo gratuito, quem sabe um mínimo de diversão seria garantido, no entanto, a pretensão de reproduzir fatos reais estava aquém da capacidade dos seus realizadores.

Suspense - 87 min - 2002

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