quarta-feira, 12 de junho de 2013

GHOST - DO OUTRO LADO DA VIDA

NOTA 8,0

Projeto mediano ganhou status
de superprodução graças as
críticas positivas do público, uma
obra literalmente de outro mundo
Os primeiros anos do século 21 foram marcados por dezenas de obras com o tema espiritismo exposto das mais variadas formas possíveis e até no Brasil a moda pegou, porém, há muito anos produções do tipo chamam a atenção já que as discussões e dúvidas sobre a existência ou não de vida após a morte acabam despertando a curiosidade das mais distintas platéias, incluindo adeptos de diversas religiões. Não é a toa que Ghost – Do Outro lado da Vida acabou se tornando um fenômeno mundial em 1990 e até o Oscar se rendeu ao seu apelo irresistível. Dando um baita de um empurrão nas carreiras de Demi Moore, na época mais conhecida como a esposa de Bruce Willis, e do saudoso Patrick Swayze, o longa na época fez milhões de pessoas se emocionarem e derrubarem baldes de lágrimas com a história de um amor que foi interrompido por um fato inesperado e covarde. Sam Wheat (Swayze) é um jovem bancário que descobre que na empresa em que trabalha algumas fraudes estão ocorrendo. Decidido a investigar o caso, o rapaz acaba sofrendo uma tentativa de assalto junto com sua mulher, Molly (Demi), mas ele é atingido por um tiro e não resiste. Porém, Sam passa no mesmo instante a dividir sua atenção entre o bandido que escapa e o sofrimento da esposa. Demora um pouco para que o rapaz perceba que está na Terra apenas presente em espírito agora, mas rapidamente ele descobre que o assalto não foi uma triste coincidência. Carl Bruner (Tony Goldwyn) era um colega de trabalho a quem Sam confidenciou suas suspeitas de fraude sem saber que o próprio é quem estava por traz dos negócios ilícitos, planejou o ataque e que agora quer conquistar o amor de Molly assediando-a constantemente, mas com segundas intenções. A premissa é bastante interessante, mas as coisas melhoram ainda mais quando entra em cena Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg), uma vigarista que dizia ter o poder de falar com os mortos e lucrava com a farsa. Porém, desta vez ela não está mentindo. Realmente ela consegue falar com Sam e tenta prevenir a esposa do rapaz passando os recados e orientações dele quanto aos planos de Carl. Obviamente Molly não acredita na charlatã até que ela lhe dá uma prova crível de que o desencarnado está tentando fazer contato.

É curioso como a indústria de Hollywood funciona. Apesar do enredo de apelo popular e fácil assimilação, este lacrimejante romance não era visto como um projeto com potencial para o sucesso até seu lançamento. Simplesmente foi feito como um tapa-buraco para ocupar as salas que até então exibiam A Chave do Enigma, com Jack Nicholson encabeçando o elenco, este sim um longa visto como uma aposta certeira para arrebatar fortunas. Na época os cinemas de rua com poucas salas disponíveis eram os estabelecimentos que de certa maneira também controlavam a exibição dos filmes. Eram tempos em que as produções costumavam varar meses seguidos em cartaz, às vezes virando um ou até dois anos em exibição mesmo que em circuitos reduzidos e com as fitas VHS disponíveis nas locadoras, assim as distribuidoras buscavam alternativas para assegurarem seus espaços até que um novo arrasa-quarteirão fosse lançado. No final das contas Swayze e Moore levaram a melhor em cima do já então veterano Nicholson tanto nas bilheterias quanto nas críticas positivas do público e porque não até mesmo dos especialistas em cinema. A propaganda boca-a-boca ajudou um filme mediano a ser lançado ao status de superprodução tanto que o circuito de exibição americano precisou correr contra o tempo para abrir mais espaço para o longa.  Quando chegou ao Brasil sua fama já era conhecida e o público estava empolgado para conferir o que seria tal fenômeno. O diretor Jerry Zucker, especialista em comédias como Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu, surpreendeu na época ao decidir trabalhar com um material dramático, bem alinhavado e com bons momentos, principalmente os que mostram a veia cômica misturada a de drama da hilariante Whoopi que só aceitou o papel graças a insistência do protagonista. Santo Patrick Swayze! Graças a eles fomos premiados com uma das atuações femininas mais famosas da História do cinema, tanto é que a atriz faturou praticamente todos os prêmios coadjuvantes da temporada. Mas é claro que o romantismo foi essencial nesta receita, ainda mais com o marketing de ser uma história de amor que ultrapassou a fronteira entre a vida e a morte. O roteiro de Bruce Joel Rubin, premiado com o Oscar, apesar de apelar em vários momentos ao sentimentalismo exagerado, consegue trazer algumas cenas que mexem com o emocional do espectador diante um suspense leve como na sequência em que Sam tenta desesperadamente avisar Molly que há um bandido em seu apartamento. Quem acaba salvando a moça é seu gato, o único que até então consegui enxergar o espírito do rapaz. Por estas e outras não seria incorreto dizer que este é um dos romances mais engraçados que o cinema já produziu. Mas o tempo passou e o público prefere enxergá-lo como uma história de amor tradicional, ainda que existam traços fortes de um gancho policial no enredo.

Zucker deixou sua predileção pelo corre-corre, gritarias e gags visuais para investir neste caso em muitas sequências românticas que parecem talhadas com muito esmero para levar o público às lágrimas, como a emblemática cena em que sentados no chão Molly e Sam moldam uma peça de cerâmica, talvez uma das imagens mais sensuais e de bom gosto que o cinema comercial já apresentou. Aliás, vale destacar a introdução do longa que mostra de forma eficiente o casal principal de maneira que o espectador acaba se envolva afetivamente com os personagens para mais a frente sofrer intensamente junto com o drama que viverão. Quando Swayze passa a interpretar como espírito impressiona a inserção de efeitos especiais. Quer dizer na época causaram um baita impacto, mas obviamente hoje podem ser vistos como simplórios. De qualquer forma, a mulher de carne e osso conseguindo aproximar seus lábios aos de seu grande amor que se apresenta como um ectoplasma, por exemplo, ainda é a materialização de um sonho para muitas pessoas, imagine então como uma imagem destas era recebida numa época em que os conceitos espíritas ainda não eram muito difundidos e viviam atrelados aos filmes de terror. Uma novidade e tanto potencializada com a música tema “Unchained Melody”, imortalizada nas vozes do grupo The Righteous Brothers, uma das canções mais executadas em todo o mundo durante a década de 1990 e que até hoje é presença obrigatória a noite nas paradas românticas das rádios, ao menos no Brasil. O passar dos anos, porém, não fez muito bem a esta produção de certa maneira. Tanto a música quanto o filme em si hoje são considerados por muitos como ultrapassados, pura baboseira. A superexposição de ambos os produtos ajudou na formação desta opinião (o longa por muitos anos era reprise obrigatória na Globo em finais de ano e ocasiões especiais, hoje relegado a “Sessão da Tarde”), tornando-se lembranças cultivadas com carinho por pessoas mais velhas, mas visto com desconfianças pelas novas gerações que em geral tem dificuldades para se envolver com tramas de apelo emocional. Ainda bem que sempre tem nostálgicos de plantão e gente nova nascendo e com sensibilidade para apreciar Ghost – Do Outro lado da Vida e perceber a diferença deste romance com letras garrafais para as melosas e frouxas histórias românticas que o cinema investe atualmente. São pessoas do tipo que ainda procuram o título nas locadoras, compram o DVD ou ficam na torcida para que ele passe a tarde na TV. Clássico nostálgico absoluto e uma eterna opção para uma sessão romântica.

Vencedor do Oscar de atriz coadjuvante (Whoopi Goldberg) e roteiro original

Romance - 127 min - 1990

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