segunda-feira, 8 de setembro de 2014

ALIEN VS. PREDADOR

NOTA 4,0

Embate entre os alienígenas mais
medonhos do cinema é tedioso, mas
ao menos há o cuidado em oferecer
uma desculpa razoável para o encontro
Para alimentar a indústria do consumo vale tudo, até mesmo ludibriar o consumidor. No caso do cinema, além das refilmagens, tornaram-se comuns produções alicerçadas sob a expectativa dos encontros de personagens ícones, principalmente de desenhos animados e super-heróis. Não coincidentemente, eles também costumam protagonizar curtas vendidos diretamente em DVD com pompa de longa-metragem, rendem como jogos de videogames, brinquedos, vestuário e material escolar e suas vidas parecem não ter fim no mundo dos quadrinhos. Quando Alien vs. Predador foi lançado um vasto arsenal de produtos secundários já tratava de propagar a imagem de dois dos mais famosos alienígenas do cinema e alimentava a esperança de fãs de vê-los juntos em um filme. Mesmo sendo uma produção de ficção científica com pegada de horror, gênero em baixa há algum tempo, eram esperados lucros fáceis nos cinemas e em homevideo, quem sabe até o surgimento de uma nova franquia de sucesso. Baseando-se em experiências anteriores, além do histórico de sucesso de seus filmes individuais, os personagens já haviam se enfrentado em games e nas HQs, mas o embate no cinema soou decepcionante. De fato as cifras alcançadas foram satisfatórias, mas as críticas negativas surgiram em quantidades bem mais generosas. Com roteiro e direção de Paul W. S. Anderson, baseando-se em história própria criada em parceria com Shane Salerno e Dan O’Bannon, a trama começa com o milionário Charles Bishop Weyland (Lance Henriksen) que ao descobrir uma pirâmide na Antártida convoca rapidamente uma equipe de cientistas e técnicos de segurança para explorá-la. Logo descobrem que o monumento reúne características de três culturas ancestrais distintas e, segundo hieróglifos que cobrem as paredes, o local servia para a realização de cerimônias de iniciação nas quais guerreiros precisavam enfrentar uma espécie de violentas serpentes para conseguirem ganhar uma marca que os rotulasse como adultos corajosos. Na verdade, os tais répteis são criaturas da espécie Alien. O lugar foi construído pelos Predadores, uma raça guerreira interplanetária que era reverenciada pela humanidade no passado como deuses, e dentro das paredes da pirâmide está escondida uma gigantesca alienígena pronta para gerar filhotes que servirão de teste para a nova prole dos donos da casa.

Muito confuso? Primeira coisa: é tudo ficção, portanto, o céu é o limite, ou melhor, o espaço. Há muitos milênios a Antártida seria uma região perfeitamente habitável e com clima tropical, mas para os humanos poderem viver em paz precisavam fazer sacrifícios dando oferendas vivas aos Predadores que usavam as vítimas (que na verdade achavam uma honra serem escolhidos) para se submeterem a uma espécie de infecção e assim gerarem os Aliens que serviriam para a caça competitiva e manteriam a espécie “superiora” entretida. O grupo de exploradores (repleto de personagens estereotipados – o covarde, o herói-galã, o militar-durão) é liderado pela pulso de ferro Alexa Lex Woods (Sanaa Lathan), mas não demora muito para todos se dispersarem, até porque as paredes internas da construção mudam de lugar de tempos em tempos formando um claustrofóbico labirinto cujo centro é a câmara de sacrifício. Com novos visitantes, obviamente a Rainha-Alien é despertada de sua longa hibernação e está disposta a repovoar a pirâmide com os seus filhotes que tão logo ganham vida começam a atacar os humanos para saciar a fome e incubarem novos embriões da espécie. Contudo, os donos da casa também estão na área e agora, mais que realizarem rituais de passagem, eles precisam evitar que seu templo seja dominado pelos Aliens. Resultado: os humanos que estão em meio a essa guerra estão ferrados. Será que algum sobreviverá para contar história? Quem deseja assistir este filme obviamente é atraído pela curiosidade em ver dois dos maiores ícones do cinema de ficção científica no maior quebra-pau e, de preferência, distribuído em várias sequências para prolongar o prazer. Muitos tiveram o gostinho de vivenciar essa adrenalina nos videogames e provavelmente ao verem o embate cinematográfico vão concluir que em versão de joguinho a parada era bem mais emocionante, ao menos você tinha um pouco de controle sobre os duelos. Neste caso, o esperado encontro das criaturas demora a acontecer e antes temos como aperitivo seus encontros nada amistosos com os humanos o que implica em uma introdução broxante para quem espera ação ininterrupta. Tal qual em um filme de serial killer, preciosos minutos são dispensados para apresentar os personagens, afinal de contas temos que ter peninha quando eles virarem comidinha dos bichos espaciais, no entanto, eles são tão desinteressantes que vibramos cada vez que um sai de cena. Não é preciso ser adivinho para saber que a Srta. Woods sobrará como a mocinha indefesa, assim participando do ridículo clímax.

Quem curte cinema de verdade, ou seja, que leva menos em consideração a diversão individual e pensa no produto pelo viés da originalidade e qualidades técnicas, por exemplo, sabe da importância do filme Alien, com sua ambientação e trama claustrofóbicas, e de Predador, que por trás da aparência de aventura ligeira esconde um texto inteligente. É uma pena que a esperada reunião das criaturas revela-se vazia, apenas uma tentativa de capitalizar em cima do que já foi testado e aprovado. Nada contra em misturar histórias com um mínimo de semelhança, mas é fato que Alien vs. Predador poderia ser uma produção que fizesse mais jus ao passado de sucesso dos protagonistas. Em seus respectivos filmes originais os monstros do espaço teoricamente eram coadjuvantes a serviço de enredos que refletem a natureza humana, mas assim como Steven Spielberg desejava falar sobre limites da ciência, ética e ambição em suas viagens pelo mundo dos dinossauros, em ambos os casos as criaturas naturalmente assumiram a posição de protagonistas e colocaram os demais personagens e as próprias histórias sob seus comandos. Anderson, já íntimo do universo da ficção por longas como O Enigma do Horizonte e Resident Evil – O Hóspede Maldito, estava ciente de que pouco adiantava se preocupar com um enredo mirabolante, pois as batalhas indiscutivelmente eram o chamariz. Contudo, sabia que se oferecesse o que o público quer logo de cara teria material no máximo para um curta-metragem, assim optou por caprichar na ambientação e na contextualização para proporcionar um clima adequado ao embate que então era vendido exageradamente como a maior batalha cinematográfica de todos os tempos. Os roteiristas e toda a equipe técnica foram cuidadosos ao criar um híbrido de duas histórias com características bem peculiares. Além de propor um breve resumo para explicar a origem das espécies e suas relações, também foi escolhida uma ambientação neutra, pois de certa forma o longa dá continuidade às franquias dos personagens. É uma pena que o resultado final tenha ficado mais engraçado do que assustador, fruto das várias intervenções exigidas pelo estúdio 20th Century Fox que visando inflar as bilheterias mandou dar uma “limpada” no visual para atingir plateias mais jovens. Com gosmas, vísceras e sangue dosados, o filme não corresponde às expectativas de um projeto acalentado por mais de uma década, desde que a primeira história em quadrinhos homônima foi publicada.

Terror - 100 min - 2004

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