quinta-feira, 15 de março de 2012

ESPOSA DE MENTIRINHA

NOTA 7,0

Jennifer Aniston e Adam
Sandler se unem em
comédia em que mais uma
vez repetem papéis
Falta de opção ou puro comodismo? O que ainda prende Adam Sandler e Jennifer Aniston às comédias bobinhas e sempre repetindo o mesmo papel? Ambos já estão na estrada há um bom tempo e construíram suas carreiras pautados pelo humor e raramente experimentaram algum outro gênero. Tudo bem, até pouco tempo atrás eles conseguiam convencer em papéis repetitivos em histórias idem, mas o tempo passa e hoje as coisas já não são bem assim. Os dois já não estão se adaptando muito bem a personagens que aparentam ter menos idade que seus intérpretes. O que vemos em cena são dois adultos de corpo com mentalidade e atitudes de adolescentes acéfalos. Bem essa é a forma crítica de enxergar os dois astros atualmente, mas analisando com os olhos de espectador de fim de semana e compreendendo que a comédia Esposa de Mentirinha é declaradamente debochada, ai até que as caricaturas que eles representam funcionam, embora se torne chato sabermos o que vamos encontrar em um filme estrelado por eles cujo roteiro também não podemos esperar nada de inovador. Desta vez Sandler interpreta Danny Maccabee, um cirurgião plástico com seus trinta e poucos anos que adora paquerar (que novidade!) e que costuma usar a desculpa de ser casado para se livrar das moças logo depois que passa a noite com elas. A tática vai por água abaixo quando ele finalmente descobre a mulher certa para ser sua esposa, a bela Palmer (Brooklyn Decker). O rapaz então diz que está em meio a um divórcio e consegue engatar um namoro, mas ela faz questão de conhecer a ex-mulher de seu pretendente. Danny então recorre a sua eficiente assistente Katherine (Jennifer) para que ela faça tal papel, mas ela acaba incorporando demais o personagem e até coloca seus filhos, Maggie (Bailee Madison) e Michael (Griffin Gluck), no meio da história, estes que aproveitam as chantagens e trocas de favores para exigirem do médico uma viagem para o Havaí. Em um paraíso tropical onde o clima de romance poderia reinar, o que se encontra são confusões e disputas, principalmente por causa da presença de Devlin Adams (Nicole Kidman), ex-amiga de Katherine que faz de tudo para se mostrar superior.

Já diz o velho ditado, "enquanto não aparece a pessoa certa, vou me divertindo com as erradas". A máxima até cai bem para um adolescente, mas para um trintão ela já se mostra ultrapassada, ainda mais se ele continua na onda de inventar mentiras para não assumir compromissos e preferir levar a vida na gaita, como nos referimos popularmente no Brasil aos bon vivants, aqueles que só pensam em festas e mulheres. Quando a sorte bate a sua porta é preciso ter cuidado para que ela não vá embora, nem que para isso seja preciso recorrer realmente para algumas mentirinhas, mas para que isso se transforme em uma enorme bola de neve não é preciso muito. É nessa premissa que se baseia o longa do diretor Dennis Dugan, parceiro de Sandler em outros trabalhos de humor como O Paizão e Zohan - O Agente Bom de Corte, assim não é de se estranhar a sensação de que você sabe com antecedência tudo o que vai acontecer a cada nova cena. Baseado no script de Flor de Cacto, de I.A.L. Diamond, uma ou outra palavra do original deve ter sido aproveitada, pois é nítido que a história segue os padrões atuais das comédias românticas que querem fugir do estilo água com açúcar investindo em piadas de mau gosto e duplo sentido. Para rechear a história, algumas situações até causam risos de verdade, mas é inegável que o roteiro tem vários furos e situações absurdas. O protagonista não aparenta ter tanto dinheiro para bancar as férias de sua assistente, seus filhos e até de um primo seu, Eddie (Nick Swardson), que entra na história de gaiato. Mesmo assim todos esbanjam na viagem e aproveitam tudo que podem, o que não podem e mais um pouco. O fato é que o roteiro é bem preguiçoso e não explora as várias possibilidades que a premissa renderia, investindo em um humor repetitivo e algumas situações completamente desnecessárias. Dugan ainda é um daqueles cineastas que acreditam que escatologia garante boas risadas. Bem, não duvide que ainda existam aqueles que se divirtam com puns e excrementos.
Mesmo não sendo inovador e com alguns aspectos incômodos, o longa se beneficia pelo fato dos protagonistas formarem um belo casal que deve envolver o espectador, que certamente desde os créditos iniciais já sabe qual será o desfecho da história deles, mas parece que é justamente nesta reciclagem de fórmulas e piadas que se encontra o segredo do sucesso das comédias românticas. O público-alvo desse tipo de produção não procura ser surpreendido com um final alternativo longe do felizes para sempre. Ainda falando do elenco, chama à atenção a presença de Nicole Kidman em um papel pequeno, ainda mais se tratando de um roteiro um tanto comum, prova de que já foi o tempo em que ter um Oscar em casa era garantia de bons papéis e grandes filmes. A atriz dá conta do recado e protagoniza uma das melhores sequências da fita, um concurso de dança havaiana que disputa com Katherine, mas digamos que ela só está aqui por amizade ao diretor ou alguém do elenco ou ainda para ser usada como chamariz, pois qualquer intérprete em início de carreira faria seu papel tranquilamente, como a própria Brooklyn Decker, o objeto de desejo do protagonista, que parece atuar no piloto automático, até porque seu personagem é tão raso quanto um pires. Quem surpreende são os atores mirins. A garota é muito esperta e exagera propositalmente na incorporação de seu papel na tal mentirinha da trama, enquanto o menino aproveita a oportunidade de ter um pai, já que foi renegado pelo seu verdadeiro. Eles proporcionam os momentos mais inspirados e as piadas mais sinceras de praticamente todo o filme. Exposto todos os pontos relevantes do longa, diga-se de passagem, muito mais negativos que positivos, conclui-se que Esposa de Mentirinha é um grande lixo. Errado! Justamente por assumir seu lado pastelão, seus clichês e exageros, a produção acaba se tornando boa, pois promete o que cumpre com folga: pura diversão e escapismo. Exigir mais que isso de uma obra com tal título é pedir demais.
Comédia - 116 min - 2011 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

renatocinema disse...

Não sou grande fã do ator.

Mas, concordo com seu texto. Entre positivos e negativos....o resultado final diverte...

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