domingo, 17 de novembro de 2013

FORÇAS DO DESTINO

Nota 2,0 Carisma de atriz e beleza de astro não são suficientes para segurar fita sem história

Sempre que algum artista se destaca é batata que os produtores vão tentar sugar ao máximo desse sucesso e exposição, assim é comum observarmos algumas filmografias e identificarmos o auge de certos astros e estrelas, um ou mais períodos em que dominaram a cena. Como uma andorinha só não faz verão, muitos projetos visivelmente foram concebidos focados na união de intérpretes em evidência, mas as vezes o alvo que era para ser certeiro acaba sendo um tremendo tiro no pé. Forças do Destino é um bom exemplo. Simplesmente não enxergamos outro motivo para sua existência senão a vontade dos envolvidos em fazer grana fácil em cima da publicidade do primeiro (e se Deus quiser único filme para todo o sempre) encontro de Sandra Bullock e Ben Affleck. Ainda colhendo frutos do blockbuster de ação Velocidade Máxima, na época comemorando seu quinto aniversário, a atriz até então não havia estrelado nenhum outro fenômeno, mas seu nome por si só já garantia o aval para alguns filmes serem produzidos. Já o ator estava se habituando com a fama repentina conquistada após o Oscar como roteirista pelo drama Gênio Indomável e pela superexposição de ter protagonizado a aventura apocalíptica Armageddon. Ambos bem na fita, reuni-los em uma produção com pegada romântica era sucesso na certa, mas o fato é que a diretora Bronwen Hughes, da comédia-familiar A Pequena Espiã, confiou demais no poder de fogo da dupla e aparentemente os deixou livre para fazerem o que quisessem durante as filmagens. Divirtam-se! Façam aquilo que sabem ou gostam! Pelo menos é essa a sensação que temos ao ver um trabalho que não se define entre a comédia, o romance, a aventura, o drama ou se assume sua aura de pornô-soft. O resultado parece um clipe publicitário para os protagonistas venderem sorrisos de um branco reluzente e exibirem suas boas formas com uma ou duas cenas mais sensuais. Affleck interpreta o publicitário Ben Holmes (os problemas já começam por esta originalidade), um jovem a caminho de sua cidade natal e que faltando pouco mais de um dia para seu casamento se vê em meio a um turbilhão de emoções. Complicações durante a viagem de avião o forçam a seguir viagem por terra e o destino coloca em seu caminho a maluquinha Sarah, mais uma personagem de bem com a vida e desapegada para o currículo de Bullock.

Com espírito livre e aventureiro, a moça consegue facilmente seduzir o noivo a repensar sobre o matrimônio e forçá-lo a vivenciar experiências que fogem totalmente de seu comportamento certinho. Ainda que tente fugir ao máximo de encrencas, quando se dá conta Holmes se torna um caloteiro literalmente da noite para o dia, vai parar na cadeia por conta de um mal-entendido e conhecidos que o encontram por acaso podem revelar a puladinha de cerca, até então não concretizada, para sua noiva, Bridget (Maura Tierney). Todos os infortúnios, no entanto, não esboçam a mínima reação ao espectador que acompanha tudo com um tédio absurdo. Escrito por Marc Lawrence, que após este fiasco recompensaria Bullock com o divertido Miss Simpatia, o filme simplesmente não tem razão sólida para existir senão forçar um encontro entre duas celebridades daquele momento, porém, sem a menor química. A atriz se repete mais uma vez no papel da simpatia em pessoa, característica que neste caso evidentemente é forçada e desarma qualquer chance de nos envolvermos com uma revelação mais dramática a respeito de Sarah que surge lá pela metade, e sua performance destoa muito em relação ao seu partner que parece ter atuado sob efeitos de tranquilizantes tamanha sua entrega ao papel. Desde o início quando percebeu no aeroporto que esqueceu as alianças que comprara até as cenas finais em que discute a relação com sua insossa noiva, Affleck não muda de expressão em momento algum, nem mesmo quando se submete a um showzinho erótico por alguns trocados, sequência que poderia ser o clímax da fita, mas no fim soa involuntariamente cômica. O roteiro resume-se a uma sucessão de situações absurdas para unir os protagonistas, tudo muito mal amarrado por diálogos enfadonhos ou sem sentido, como quando são flagrados dançando no bar de um hotel e disfarçam com um mergulho forçado na piscina. É para deixar qualquer um ruborizado por conta da vergonha alheia. Nossas estrelas precisavam mesmo passar pelo constrangimento Forças do Destino? Certamente não. O final, com uma narração carregada de mensagens de conforto e conformismo, tenta arrematar com certa beleza um filme insípido e que nem o passar dos anos lhe trouxe algum charme nostálgico.

Romance - 106 min - 1999

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