sábado, 11 de maio de 2019

RISCO DUPLO

Nota 5,0 Digna de telefilme, trama bem amarradinha e ágil escamoteia previsibilidade e furos

Tem filmes que são bem fraquinhos, esquecíveis rapidamente, mas é intrigante como durante suas exibições conseguem prender a atenção e por alguns instantes até serem considerados boas produções. No auge das videolocadoras, muitas fitas de baixo orçamento ou de argumentos capengas ganharam notoriedade e o gênero suspense policial é um dos que mais se beneficiou nesta fase. Se não fosse encabeçado por um astro já de décadas e uma estrela em ascensão certamente Risco Duplo não chegaria a ser exibido nos cinemas e aportaria diretamente nas prateleiras dos videoclubes. O roteiro de David Weisberg e Douglas Cook é extremamente genérico, mas nem por isso deixa de ser razoavelmente interessante. Libby Parsons (Ashley Judd) estava muito feliz com a viagem de veleiro que faria com seu marido Nick (Bruce Greenwood), mas nem podia imaginar que o passeio se tornaria seu pior pesadelo e mudaria irremediavelmente seu futuro. Após alguns drinks e uma intensa noite de amor, a moça desperta sem o companheiro ao lado e com o corpo todo ensanguentado e à procura desesperada por ele acaba encontrando a arma do crime, uma faca de cozinha. Com o artefato em mãos, ela é surpreendida por um barco da guarda costeira acionado pela própria vítima dizendo que havia sido violentamente atacado. Beneficiária de uma polpuda apólice de seguro, inevitavelmente ela é acusada por assassinar o marido cujo corpo nunca foi encontrado. Condenada à alguns angustiantes anos de prisão, Libby decide entregar seu filho pequeno aos cuidados de Angie (Annabeth Gish), sua melhor amiga, a fim de evitar que a criança fique sob a tutela do Estado, mas estranha quando após as primeiras semanas de encarceramento o garoto deixa de visitá-la. Depois de muita insistência ela consegue localizar a amiga e fazer uma ligação, é quando descobre que Nick armou sua morte fictícia para roubar o dinheiro do seguro e que está vivendo muito bem ao lado do filho e da amante, cujo nome revelado não deixa ninguém boquiaberto.

Revoltada, a protagonista não pensa em outra coisa a não ser reaver a guarda do filho e se vingar de Nick e descobre através de uma colega da cadeia que existe um trecho da lei americana que prevê que um indivíduo não pode ser condenado duas vezes pelo mesmo crime. Sendo assim, quando estivesse em liberdade, ela poderia de fato matar o ex na frente de qualquer testemunha que não poderia ser incriminada novamente pelo assassinato. O título do filme denomina tal brecha jurídica que Libby toma como incentivo para lhe encorajar a criar situações para se aproximar de seu algoz e de quebra escapar de Travis (Tommy Lee Jones), seu agente da condicional que em vão tentará impedi-la da vingança. Com direção de Bruce Beresford, do oscarizado Conduzindo Miss Daisy, o suspense e ação prometidos por Risco Duplo em um primeiro momento de fato satisfazem apresentando uma história bem engrenada, muito devido a introdução ligeira e eficaz que de cara coloca o espectador a favor da protagonista. Contudo, em uma análise posterior, percebemos que os momentos surpresas na verdade são bastante previsíveis e corriqueiros em fitas do gênero. Apesar de toda pinta de telefilme ou produção capenga que infestava as locadoras, o roteiro chegou a ser oferecido a Jodie Foster que só desistiu por conta de uma gravidez. Sorte de Judd que colocou seu nome em destaque na publicidade do longa e logo virou figurinha fácil nos cenários de Hollywood. Assim como sua personagem agarrou com unhas e dentes a possibilidade de se vingar, a atriz fez o mesmo com a oportunidade de estrelar um candidato a blockbuster, já que o longa não tornou-se um sucesso de bilheterias e tampouco de repercussão. Mesmo assim, visto hoje ainda garante uma boa diversão sem compromisso. Se irrita com suas, digamos, licenças poéticas para fazer as coisas se encaixarem com perfeição, como a estupidez da polícia incapaz de distinguir o rosto de uma vítima de assassinato circulando livremente por badalados eventos sociais, ao menos o filme é bem interpretado por sua dupla principal, ainda que Jones já demonstrasse estar perdendo o fôlego para brincar de pega-pega.

Suspense - 105 min - 1999
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