quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

AS DUAS FACES DA LEI

NOTA 4,0

Encontro de dois grandes
atores revela-se fraco e o
típico filme para preencher
as madrugadas da TV 
O sonho de qualquer diretor e até mesmo do público é ver grandes estrelas em cena e quando é possível reunir dois dos maiores nomes do cinema americano o entusiasmo é ainda maior. Al Pacino e Robert De Niro já dividiram os créditos de um mesmo filme em duas ocasiões, mas em ambas o encontro decepcionou. Não que as produções fossem ruins, pelo contrário, mas a decepção fica por conta de um embate que não aconteceu. Na década de 1970, em O Poderoso Chefão - Parte II, eles estavam dando ainda os primeiros passos na carreira, mas seus talentos para as artes dramáticas já eram notados. Infelizmente, não chegaram a fazer uma cena sequer juntos. Já em 1995 foi anunciado finalmente o grande encontro dos dois super astros em um longa de estilo policial, porém, foi uma propaganda enganosa. Vivendo antagonistas em Fogo Contra Fogo, fizeram apenas uma sequência em conjunto. Bem, enquanto se está vivo tudo pode acontecer e eis que surge o roteiro de As Duas Faces da Lei, a grande chance dos dois atores formarem uma dupla de verdade, daquelas que se tornam inesquecíveis. O resultado mais uma vez foi decepcionante e o vilão é a própria história. Nos outros casos citados, o problema também era a narrativa, mas é porque elas não abriram caminhos para o tal encontro. Já nesta terceira parceria, digamos assim, a coisa pega desde a concepção inicial do projeto. A história é razoável, mas não está a altura de seus protagonistas que mereciam algo bem melhor. Na época, eles já estavam há tempos em um patamar da carreira muito confortável e não precisavam aceitar qualquer tipo de convite. Apesar de ultimamente o currículo de ambos estar capenga, é bem provável que a idéia de finalmente dividirem quase todas as cenas de um filme os seduziu, mas o mesmo não ocorreu com os espectadores. O longa passou longe de arrecadar uma boa bilheteria e se não fosse o nome de duas estrelas estampando o material publicitário certamente serio o tipo de produto lançado diretamente para locadoras ou até mesmo como um telefilme.

A história é típica de filmes que recheiam as madrugadas da TV: previsível, cheia de furos e facilmente esquecível. Após trinta anos como parceiros no Departamento de Polícia de Nova York, os condecorados detetives David Fisk (Al Pacino) e Thomas Cowan (Robert De Niro) deveriam já estar curtindo a merecida aposentadoria, mas eles preferem continuar trabalhando. A dupla é chamada para investigar o assassinato de um conhecido cafetão que parece ter ligação com um caso resolvido por eles mesmos há alguns anos. Assim como no crime original, a vítima é um criminoso cujo corpo foi encontrado junto a um poema que justifica o assassinato. Quando outros crimes do tipo acontecem, fica nítido que eles estão às voltas com um serial killer, um psicopata que acredita ter a missão de liquidar bandidos e limpar as ruas dos crimes, algo que nem a polícia consegue fazer. As semelhanças entre as mortes recentes e o caso anterior trazem à tona a hipótese de que os detetives podem ter prendido o homem errado. Bem, a idéia inicial é promissora e poderia promover a discussão sobre como agir com aqueles que tentam fazer justiça com as próprias mãos contra aqueles que cometem crimes e atrocidades diariamente e ficam impunes. Quais as razões que levam esse homem a caçar criminosos e se livrar deles se até a polícia evita sujar as mãos de sangue e opta em deixar essas pessoas encarceradas por algum tempo como forma de punição? O roteiro poderia explorar bem mais o passado do misterioso assassino por meio de pistas, cartas, enfim algo que ainda segurasse a aura de suspense da trama, mas o caminho seguido é batido. Os velhos conflitos entre duas pessoas envolvidas na resolução de um caso entram em cena. Quem curte filmes policiais com toda a certeza irá se entediar até mesmo com o final que não reserva surpresas. A tão esperada reviravolta ou montagem do quebra-cabeças que deve fazer parte de qualquer produto do gênero dá para adivinhar bem antes de ser despejada na tela.

Como todos os filmes de suspense policias contemporâneos, o submundo do crime bate ponto com todos os clichês possíveis e as atuações deixam a desejar. Pacino e De Niro apresentam um trabalho apenas correto, qualquer um poderia fazer tais papéis, mas não deixa de ser prazeroso ver os dois atuando juntos. O problema é que não bastam bons atores, uma boa história é que segura as pontas de tudo. O roteiro usa algumas trucagens para confundir o espectador e esconder a solução do mistério que é a espinha dorsal do longa, mas não adianta, tudo fica esclarecido em poucos minutos. Além disso, os personagens não são bem desenvolvidos, o que evita a identificação com o espectador. A consequência disso é que a trama se torna tediosa e a atenção de quem assiste se dispersa facilmente. Curioso que a direção é de Jon Avnet, que até hoje consegue emocionar muita gente com o cultuado drama Tomates Verdes e Fritos, portanto, trabalhar o emocional, a personalidade e as relações de seus personagens deveria ser requisitos básicos em sua filmografia, mas basta ver 88 Minutos, outro trabalho que assina e protagonizado por Pacino, para ver que se ele tirou alguma lição de sua obra mais famosa ele esqueceu com o passar dos anos. O diretor acaba se entregando a situações manjadas como conflitos entre os detetives mais velhos e os mais novos ou cai no velho e ridículo recurso do vilão fazer sua confissão quando está com o mocinho sob seu controle. Óbvio que isso não irá acabar bem... Para ele. E para os espectadores também que irão se sentir enganados ao ver que o proclamado encontro explosivo se resume em um arroz com feijão lascado. As Duas Faces da Lei no final das contas se mostra tão comum quanto seu título. Mais sorte para De Niro e Pacino em uma próxima vez. Se é que ela irá ocorrer.

Suspense - 100 min - 2008 - Dês sua opinião abaixo.

2 comentários:

renatocinema disse...

Disse tudo: "mediano". Nada mais, nem menos. Uma pena.

Rafael W. disse...

Até gostei. É bem óbvio e clichê, mas dá pra entreter.

http://cinelupinha.blogspot.com/

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