sábado, 18 de agosto de 2012

SCOOBY-DOO

Nota 3,5 Aguardada versão live-action de animação se distancia de suas raízes e decepciona

Sinopse: Algo sobrenatural está atrapalhando quem quer se divertir no parque Spooky Island, a Ilha do Terror, e Emile Mondavarius (Rowan Atkinson), o dono do local, quer a ajuda de Scooby-Doo e Salsicha (Matthew Lillard) para solucionar o caso. Seria o trabalho perfeito se Velma (Linda Cardellini), Fred (Freddie Prinze Jr.) e Daphne (Sarah Michelle Gellar) não tivessem brigado e colocado um ponto final às atividades da Agência Mistérios S/A. Porém, ainda no aeroporto, Salsicha e Scooby descobrem que não estão sozinhos na investigação, pois seus ex-parceiros de aventuras também vão embarcar. Para chegar ao fim do mistério, a turma da Mistério S/A deverá esquecer as brigas e mágoas do passado e se unir novamente e assim salvar o mundo de uma perigosa ameaça e a si próprios também, mas o orgulho de cada um pode ser um empecilho. 


Comentário: A tão aguardada versão em carne e osso do clássico desenho da Hanna-Barbera decepcionou muita gente, uma opinião quase unânime. Embora com alguns bons momentos, o grande problema do longa é que ele passa anos-luz da essência do desenho animado. Muito moderninho e com história frouxa, as situações que o enredo propõe não convencem. Na versão animada é mais tolerável que tudo aconteça, por mais absurdo que possa parecer, mas com atores reais as coisas parecem artificiais demais, inclusive o próprio Scooby-Doo, personagem criado digitalmente e que seria a desculpa para tantos anos do projeto do filme não ter saído do papel. Os produtores queriam o protagonista da série animada lançada no final dos anos 60 com um visual perfeito e crível e a tecnologia disponível no início do século 21 parecia suficiente, mas não deu certo. A presença do pequeno Scooby-Loo em uma rápida cena também é tola e desnecessária e mostra o deslumbramento dos envolvidos com o que a computação gráfica poderia oferecer, assim como a sequência em que os rostos dos personagens vagam aleatoriamente e se alojam em corpos diferentes. Situações como essas e até o roteiro em si fogem completamente do espírito dos desenhos reprisados à exaustão na TV, principalmente por esquecerem um detalhe crucial: na animação os vilões eram pessoas disfarçadas e reveladas no final com direito a um laudo conclusivo da investigação, enquanto no filme os monstros são reais, o que tira boa parte do charme de se assistir as aventuras da turma da Mistério S/A em longa-metragem. Aliás, ingenuidade e sutilezas são imperceptíveis no roteiro pesado de James Gunn que coloca Scooby-Doo, por exemplo, em uma constrangedora cena que deixa nas entrelinhas o tema vício em drogas ou numa ridícula guerra de gases com Salsicha. Até que os atores escolhidos para viver a turma de jovens detetives não são ruins, com destaque para Matthew Lillard, formam um quarteto bacana e as caracterizações são bem fiéis, todavia a personalidade deles não, como apresentando um Fred extremamente vaidoso e uma Daphne um pouco sensual demais. Houve uma infantilização dos personagens, além de faltar o clima de suspense característico da série. O mistério de uma cidade escura e quase deserta e personagens esquisitos e ambíguos que estimulem a investigação foram trocados por uma ambientação em um parque cheio de pessoas bonitas e de bem com a vida curtindo dias ensolarados. O diretor Raja Gosnell, de Vovó...zona, assim como o roteirista, parece que nunca assistiram a único episódio do seriado e simplesmente deixaram suas imaginações rolarem e fizeram de Scooby-Doo um produto desconectado de suas origens. De qualquer forma, a produção já é um campeão de repetecos na TV e diverte as novas gerações, mas para quem curtia a série antiga, aquela em que os personagens movimentavam a boca e o corpo o mínimo possível, o resultado é frustrante.
Infantil - 86 min - 2002 - Dê sua opinião abaixo.
 

2 comentários:

renatocinema disse...

Faço das suas as minhas palavras. Decepção para quem era fã do desenho animado.

marcos disse...

não é facil transpor um desenho animado para "personagens" de pessoas reais, o que mais me encantou nesse filme foi o scooby computadorizado, o roteiro em si é bem fraquinho, serve apenas para final de tarde, quando se quer apenas ver um filme leve...

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