terça-feira, 12 de junho de 2012

O DIA DO TERROR

NOTA 2,5

Repleto de clichês e furos,
longa até tem premissa
interessante e crível, mas não
demora a cair na mesmice 
Dia dos namorados é sinônimo de amor, beijos, carinhos, flores, chocolates e presentes, mas um casalzinho distraído dando sopa pela noite é o fetiche dos seriais killers de plantão nesta data. O cinema de horror adora situações do tipo, independente se é dia de comemoração ou não, e muitos assassinos sádicos já saciaram suas vontades de sangue e dor se divertindo com jovenzinhos a paisana, mas O Dia do Terror foi lançado com o intuito de mexer com os ânimos dos enamorados bem no período em que tradicionalmente celebram suas uniões, porém, não chegou a causar barulho quando lançado e tampouco estragou os festejos de ninguém provavelmente.  O problema é que fora o pano de fundo das comemorações do valentine’s day (dia dos namorados em inglês), o longa se resume a mais do mesmo. Troca-se a máscara, os "instrumentos" de trabalho são os mais variados de acordo com o que está mais à mão, mas o instinto de espalhar o medo é o mesmo, assim como o prazer em ver alguém agonizando de forma brusca. De qualquer forma, o ponto de partida é interessante e não estranhe se encontrar alguém que diga que se identifica com a premissa. Quem nunca sofreu alguma frustração de caráter amoroso ao menos uma vez na vida? Nessas horas, a vontade de sair por aí fazendo loucuras é natural, mas o problema é quando essa mágoa não é extinta rapidamente e vai sendo alimentada com o passar do tempo. É aí que o bicho pega e tal ideia é que motivou a criação de uma trama a respeito de um grupo de amigas que agiram pelo impulso e malandragem e não pensaram nas consequências de seus atos. No passado, as grandes amigas Kate (Marley Shelton), Paige (Denise Richards), Dorothy (Jessica Capshaw), Lily (Jessica Cauffiel) e Shelly (Katherine Heigl) humilharam um jovem inseguro e deslocado da turma da escola, mas não levaram em consideração o ditado que diz “aqui se faz, aqui se paga”. Durante o bale de formatura de primeiro grau, o nerd tentou paquerar todas elas, mas somente a gordinha Dorothy correspondeu e chegou a beijá-lo, mas o acusou de tê-la assediado propositalmente quando foram pegos por um grupo de colegas zombadores. Ridicularizado e violentado, o garoto acabou sofrendo um grande trauma, teve seu futuro destruído e passou a nutrir um incontrolável ódio dentro de si. Anos mais tarde, as garotas ainda não estão casadas e compartilham sonhos e segredos como nos tempos de escola, mas a violenta morte de uma delas acabou trazendo consequências drásticas para a vida das demais. Na época do Dia dos Namorados, cada uma das jovens patricinhas passa a ser vítima de um assassino serial que age usando a máscara de um querubim e trajando um casacão negro e que as ameaça com presentes macabros, mas pessoas próximas a elas também não estarão livres do massacre.

Pelos indícios de presentinhos como cartões com mensagens ameaçadoras, as meninas desconfiam de que o assassino mascarado seja realmente o nerd que elas menosprezaram no passado que agora quer vingança, mas aos poucos dúvidas sobre a identidade do assassino surgem. Como elas não o veem há muitos anos, este homem vingativo pode se infiltrar ou já ter se infiltrado facilmente na vida delas sem levantar suspeitas. As desconfianças de que as explicações para as tragédias que passam a ocorrer subitamente estão no passado das jovens aumentam quando seus namorados passam a ser perseguidos e mortos também, aliás, qualquer um deles pode ser o criminoso. Entre uma morte aqui e outra ali, o assassino misterioso planejou muito bem sua vingança, tanto que deixou o grand finale da ação para acontecer em uma festa para comemorar o Dia dos Namorados na casa de Dorothy, uma balada literalmente de matar. Diante dos fatos, antes dos festejos a polícia, representada pelo detetive Vaughn (Fulvio Cacere), já está no encalço do criminoso, mas para variar neste tipo de filme a lei é frouxa e resta aos jovens salientes tentar salvar a própria pele, mas isso fica difícil quando eles só estão pensando em sexo e bebidas. Desde os tempos de Freddy Krueger (A Hora do Pesadelo), Michael Myers (Halloween), Jason Voorheers (Sexta-feira 13) e companhia menos prestigiada, a receita do filme de seriais killers é a mesma: jovens inconsequentes passam a ser vítimas de maníacos que tem algum trauma do passado. Pode haver uma modificação aqui ou ali, mas a base das narrativas são sempre as mesmas. Neste caso, o jovem que se sentiu proibido de viver um relacionamento amoroso, mesmo que por uma noite apenas, agora não quer deixar casaizinhos felizes a solta. É a lei do olho por olho. De qualquer forma, este é mais um exemplar de terror adolescente que não acrescenta nenhuma novidade ao subgênero para deixá-lo em um patamar acima de outros títulos desta seara. A fórmula de sucesso dos anos 80 continuou sendo usada nas décadas seguintes em produções de êxito como Pânico, outras fracas como Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e tantas outras, mas como sabemos tudo que é demais uma hora enjoa. O próprio diretor australiano Jamie Blanks já havia pisado neste terreno em seu filme anterior, Lenda Urbana, mas achou que o filão ainda poderia ser mais explorado. Contudo, colocar esta produção no mesmo patamar de seus “filmes-primos” é cometer uma grande injustiça... Com os outros exemplares do subgênero, fique bem claro.

Donna Powers e Wayne Powers, autores da duvidosa aventura com toques de horror Do Fundo do Mar, adaptaram o romance homônimo de Tom Savage na expectativa de criarem uma opção diferente para curtir em um dia romântico visando o público teen, teoricamente adepto de adrenalina e pegação, mas acabaram se enrolando em uma trama onde o que importa é a matança de personagens, aliás, diga-se de passagem, muitos que não tem função alguma, a não ser ampliar a lista de óbitos para tentar bater o recordes de mortes em um único filme. Apesar das várias sequências furadas, parecendo até que passaram da conta na hora de editar as filmagens mandando as favas a coerência do roteiro (se é que algum dia ele fez algum sentido), as cenas violentas que importam mais ao público-alvo da fita compensam os deslizes. Há um leque muito grande de opções para o espectador tentar desvendar quem é o sádico vilão, mas o final pode decepcionar por deixar dúvidas no ar, um gancho explícito para uma continuação que nunca veio a ser realizada, porém, para os produtores americanos nunca é tarde para ressuscitar um produto que pode gerar uma franquia (graças a Deus muitos anos já se passaram e tal hipótese não foi levantada). Entre os nomes do elenco, que hoje em dia apenas um ou outro é conhecido, como Katherine Heigl, símbolo de comédias românticas da década de 2000, na época se apostava muito na projeção do galã David Boreanaz que foi revelado na série de TV "Buffy - A Caça Vampiros" e logo ganhou seu próprio seriado, "Angel". É nítida a intenção da produção em tentar alavancar a sua carreira cinematográfica alçando-o ao posto de galã da produção vivendo o namorado de Kate, um jornalista que luta contra o vício do alcoolismo, personagem que busca certa profundidade em meio a um enredo tão raso, mas que acaba se complicando ao ter que deixar no ar ao mesmo tempo certo clima de mistério em torno de sua figura. Após esta tentativa, o frisson em torno do ator esfriou e ele não conseguiu se fixar entre os grandes ídolos das adolescentes e tampouco turbinou as bilheterias ou repercussão do filme. Melhor assim. Menos um ator estilo piloto automático para ganhar dinheiro no mole. Para concluir a história, entenda como a hora em que o assassino faz sua festinha, o clímax de tudo ocorre em uma casa onde, surpreenda-se, um bando de adolescentes bobocas estão curtindo uma balada regada a muita bebida e todos só pensando "naquilo". Mais clichê impossível. De qualquer forma, quem curte os filmes de seriais killers deve se entreter com O Dia do Terror, longa que não chega a ser um lixo total graças a umas excêntricas sequências de matança, mas deixa a desejar por repetir velhos truques do gênero, inclusive falhas, e não trazer inovações. Porém, é impossível não esboçar um sorrisinho ou até uma gargalhada ao ver uma pessoa com máscara de anjo cometendo assassinatos. Esquisito, mas dá para engolir com a ajuda de pipoca e refrigerante. 

Terror - 97 min - 2001 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

marcos disse...

o dia do terror é mais filme batido, dos roteiros que se assemelham a sexta-feira 13 e afins, eu não recomendo, mas se vc quiser ve-lo, no final verá que estava dizendo a verdade...quer perder tempo, assista...

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