terça-feira, 28 de julho de 2020

LENDA MALDITA


Nota 3,0 Baseado na lenda da fada do dente, sobrenatural cede lugar ao estilo slasher movie


A troca de dentes de leite por presentes já era uma prática comum na remota época dos vikings, mas desde o inicio do século 20 criou-se uma tradição em alguns países europeus, continente norte-americano e também no Brasil de dar uma aura onírica ao singelo ato. Reza a lenda de que quando uma criança perde seus primeiros dentes deve colocá-los embaixo do travesseiro na hora de dormir. Durante a noite, uma fada viria buscá-los e deixaria no lugar de cada um deles uma moeda ou algum pequeno presente. Tal crença foi uma forma doce de ajudar os pequenos a encararem com coragem e até certo entusiasmo a perda de um dente, mas como a maioria dos contos de fadas dizem que suas versões originais não apresentam finais felizes, o cinema está tentando criar o lado assustador da folclórica criatura, mas sem sucesso. Algum tempo depois de No Cair da Noite, no qual a entidade tirava o sono de quem acreditava em sua existência aparecendo apenas em ambientes de completa escuridão, Lenda Maldita veio mostrar que a fada má poderia aparecer até nos mais claros e alegres ambientes, mas em uma história narrada em estilo mais próximo ao de um slasher movie. 

O filme tem um prólogo que se passa no final da década de 1940 mostrando uma senhora que atraía crianças até a sua casa com o objetivo de matá-las, roubar seus dentes e, por fim, amaldiçoar suas almas. Após sua morte, o local ficou abandonado por mais de meio século até ser adquirido por Peter Campbell (Lochlyn Munro), um jovem médico que desistiu da carreira para se dedicar a escrever livros. Como de costume, buscou um retiro, um lugar afastado para ter calma e inspiração, mas para se sustentar resolveu transformar sua recém-adquirida propriedade em uma pequena pousada. Darcy (Chandra West), sua namorada, acompanhada da filha, a pequena Pamela (Nicole Muñoz), a caminho para a inauguração do local param em um posto de gasolina para pedirem informações e recebem um tratamento repulsivo por parte dos irmãos Hammond, Chuck (Peter New) e Henry (Ben Cotton). A dupla costumava invadir a casa que Campbell comprou para fazer arruaças, usar drogas e agora querem se vingar de alguma forma. Nada melhor então que bolar algo para atingi-las, certamente o ponto fraco do rapaz.


A pousada tem como primeira hóspede a estudante de biologia Stephanie (Carrie Annie Flening) e por lá já vive também Bobby (Jesse Hutch), que ajuda Campbell com os reparos do imóvel. Logo mais alguns poucos hóspedes chegam, um prato cheio para a tal fada do dente atacar. A movimentação em sua antiga residência despertou sua alma enfurecida, mas lhe atrai o fato de Pamela estar prestes a perder seu último dente de leite. A garotinha toma conhecimento da lenda ao fazer amizade com Emma (Jianna Ballard), uma menina cuja primeira aparição já entrega precocemente todo o mistério do filme, embora não fosse nada difícil imaginar seus rumos. Stephen J. Cannell, Corey Strode, Rae Brown, Daniel Farrands e Carolyn Davis são creditados como roteiristas, o que pode explicar a falta de conexão de algumas cenas. Parece que cada um ficou responsável por roteirizar sequências independentes, mas faltou um líder no grupo para amarar todo esse material. 

Ao longo da narrativa existem diversos pontos controversos, como o fato de alguns personagens morrerem violentamente, mas não causarem impacto algum nos demais e tampouco os assassinatos incitarem investigações. O diretor Chuck Bowman, apenas com bagagem no comando de seriados de TV, de fato parece estar dirigindo um capítulo independente de alguma série fantástica, não dando tempo para aprofundar perfis e tampouco esmiuçar o folclore em torno da tal fada. Infelizmente, ele não demonstra traquejo para lidar com a temática sobrenatural e fica a estranha sensação que a entidade do mal poderia ser na verdade algum dos hóspedes ou até mesmo um vizinho da pousada. A ambientação também não ajuda. Tudo é feito muito às claras, inclusive cenas noturnas em um matagal, assim desperdiçando o fato de que o cenário principal fica em uma região afastada e cercada de penumbra, o que poderia ser uma desculpa para o uso de velas e lampiões para iluminação que dariam um toque mais amedrontador.


Com toda pinta de telefilme, Lenda Maldita infelizmente desperdiça um bom argumento que poderia ser assustador, tudo a favor de um entretenimento raso, com interpretações robóticas e economia de violência gráfica. Com alguns cortes seria quase uma produção estilo sessão da tarde, um horror soft para entreter criancinhas. Com clichês mal trabalhados, até o espectador menos escolado no gênero é capaz de enquanto assiste pensar em situações melhores a serem elaboradas. Resta acompanhar o desenvolvimento da preguiçosa trama com certo tédio e frustração já sabendo desde os primeiros minutos quem sobreviverá para contar história. Mais uma vez a fada do dente não conseguiu criar raízes macabras no imaginário popular.

Terror - 89 min - 2006

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