segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A BELA E A FERA

NOTA 10,0

Clássico Disney sobrevive a
ação do tempo e mantém o
frescor, a emoção e a
magia da obra intactos
A Disney sempre foi uma fértil fábrica de desenhos animados, sejam eles produções para a TV, curtas ou longas metragens. Todas as animações do estúdio foram feitas com muito capricho, mas após a morte de seu fundador na década de 1960 a empresa entrou em declínio. Hoje as produções desse tempo são lembradas com orgulho, mas na época de seus lançamentos não trouxeram bons frutos, embora o período tenha sido marcado por produções com roteiros originais ou baseados em contos pouco conhecidos. O prestígio voltou a bater na porta do estúdio em 1989 com A Pequena Sereia e embalados pelo sucesso os criadores e animadores da casa adaptaram e modernizaram outro conto clássico para as telas em seu projeto seguinte. A Bela e a Fera só por sua história e visual já merecia lugar de destaque na história do cinema, mas a obra foi além e honrou o privilégio de ocupar a vaga de 30º longa de animação da Disney. Baseado no conto homônimo escrito por Jeanne-Marie Le Prince de Beaumont, a obra alia perfeitamente romance, drama, suspense, aventura e certa dose de ousadia, além de terem sido utilizadas técnicas de computação gráfica (hoje simplórias) aliadas ao desenho tradicional para criar cada fotograma desta história que não só conquista a atenção de crianças como de adultos também. Não é a toa que se tornou a primeira animação a ultrapassar a barreira dos cem milhões de dólares nas bilheterias mundiais e foi a única a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme até 2010, quando a Academia de Cinema ampliou o número de concorrentes permitindo que um desenho animado bem sucedido ocupasse uma vaga independente de também estar entre os concorrentes em sua categoria específica. Além disso, também foi o primeiro longa animado a receber o Globo de Ouro de Melhor Filme Musical ou Comédia e a ganhar o Annie Award.

A razão de tanta repercussão deve-se a forma como esta obra conseguiu aliar o teor forte e adulto do conto original a um clima fantasioso. Se pensarmos bem o conto na verdade engloba tudo o que fez a fama da Disney outrora, mas aqui eles estão dispostos de forma diferenciada. A mocinha é destemida, o mocinho não é visualmente um príncipe encantado, temos um vilão um tanto realista, a feitiçaria bate ponto e os animais fofinhos foram substituídos por objetos animados que falam e cada qual tem sua personalidade, como a doce Madame Samovare, um bule de chá, e seu filho, a xicarazinha Zip que teria apenas uma pequena ponta, mas agradou tanto aos animadores que acabou se tornando um dos personagens mais cativantes do longa. Tudo isso ajuda a dar dinâmica a uma história que poderia ser apenas mais um amontoado de clichês.  A ação se passa em uma pequena aldeia na França do século 18, onde um príncipe muito bonito e rico, mas também arrogante, recusou uma rosa que uma senhora lhe ofereceu em troca de abrigo em uma noite fria. A tal mendiga era uma feiticeira que o castigou transformando-o em um ser horrendo, assim como também lançou uma maldição no castelo e em todos os que lá viviam, assim cada um deles foi transformado em algum tipo de objeto. Horrorizado por sua aparência, a Fera, como ficou conhecido, se enclausurou em seu palácio tendo um espelho mágico como única janela para o mundo exterior. A rosa que recusara iria florescer até o seu 21º aniversário, mas se até essa data não descobrisse o amor e fosse correspondido todos os feitiços não poderiam mais ser desfeitos. O tempo foi passando e as esperanças diminuindo até que surge Maurice, um velhinho que estava viajando quando se perdeu na floresta e acabou indo procurar abrigo no castelo. Bem recebido pelos "objetos-criados", sua ousadia em invadir a propriedade o levou a ser prisioneiro. Quando sabe o que aconteceu, sua filha Bela se oferece para ficar em seu lugar no confinamento e aos poucos seu jeito meigo e cativante acaba amolecendo o coração da Fera e a esperança de que tudo voltará ao normal renasce. Porém, antes que o amor entre duas pessoas tão diferentes se concretize eles terão que enfrentar a interferência de Gaston, um valentão que deseja se casar com Bela a todo custo.

A surpreendente recepção do público e crítica a esta obra que, além de exuberante em todos os sentidos, traz belas mensagens como amar o próximo visando seus sentimentos e não seu aspecto físico, abriu caminho para um reaquecimento do mercado de animações, inclusive dentro da própria Disney, e renovou o interesse do público nos espetáculos musicais. A versão dos palcos deste conto de fadas também preparou o terreno para que as obras seguintes do estúdio ganhassem suas versões com atores de verdade e ao vivo e não só em solo americano. Isso ocorreu muito por causa da bela trilha sonora, uma das mais bem sucedidas da história do cinema e as letras das canções continuam na ponta da língua de muita gente. Não por acaso, a produção foi agraciada com dois Oscars pela sua parte musical além de tantos outros prêmios na área. Graças justamente a uma música, a cena em que a Bela e a Fera dançam no salão do palácio como se estivessem em um baile de gala é uma das mais marcantes, além de tantas outras, como a eletrizante sequência final em que o monstro de aparência física enfrenta Gaston, o monstro de caráter. Aliás, o vilão não existe no conto original. O personagem foi inspirado em outro que foi inserido no clássico homônimo e live-action da década de 1940. O projeto de transformar esta bela história em desenho animado habitava os sonhos de Walt Disney justamente nessa época, mas devido a falta de recursos tecnológicos e financeiros para realizá-lo como ele imaginava a idéia foi abandonada. Em 2002, o longa voltou as salas de cinema em comemoração aos seus dez anos (o filme é de 1991, mas em muitos países só estreou no ano seguinte) trazendo alguns poucos minutos de cenas inéditas, mas o bastante para alegrar aos fãs e novas platéias. Em 2012, mais uma vez a obra voltou às telas grandes com a exibição em 3D, algo inútil já que nada acrescentou se tornando apenas uma estratégia de marketing e mais um incentivo para que o público se sinta seduzido pela tecnologia e não pela história. É bom lembrar que iniciativas como esta não são muito interessantes para empresas que lidam com o público infantil, afinal ensinam as crianças a gostar da embalagem e não do conteúdo. Tecnologia alguma pode ser considerada chamariz mais importante que a história em si e seu visual, e nesses quesitos o trabalho dos diretores Gary Trousdale e Kirk Wise se garante com folga. De qualquer forma, como a Disney de tempos em tempos retira do mercado seus produtos para mais tarde atingir novas gerações, sempre é bom prestigiar quando seus clássicos estão disponíveis, além de ser a chance de refletirmos se realmente as animações contemporâneas são muito melhores que as antigas. Bem, inteligentes e divertidas elas são, assim como a obra em questão, porém, a maioria delas não tem a metade da emoção e encantamento que encontramos aqui e nem mesmo seus derivados, como O Natal Encantado da Bela e a Fera e O Mundo Mágico de Bela, conseguem repetir o feito. A Bela e a Fera é um clássico único e absoluto que é como o vinho: quanto mais envelhece melhor fica.

Vencedor do Oscar de trilha sonora e canção

Animação - 84 min - 1991 - Dê sua opinião abaixo.

Um comentário:

marcosp disse...

filmes disney sempre são sinônimos de sucessos, e A bela e a fera, é um dos clássicos Disney, que muita gente conhece, mas a nova geração acho que não, tem uma trilha musical bem romantica e sonhadora...para aqueles que curtem boa animação, assista...
nota: Excelente

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