sábado, 28 de dezembro de 2019

STUDIO 54

Nota 5,0 Abordando a efervescente rotina de famosa boate, longa é mais festa e pouco conteúdo

Entre o final da década de 1970 até pouco mais da metade dos anos 80, uma discoteca de Nova York era um dos pontos mais badalados. Studio 54 tenta resgatar um pouco do que foi o efervescente lugar homônimo ao filme, considerado a mãe de todas as futuras baladas e que conquistou fama internacional. Idealizado por Steve Rubell (Mike Meyers), um ex-dono de restaurantes, o local era a realização do sonho de todos aqueles que buscavam fama, glamour e diversão sem restrições. Ou melhor, desde que você pudesse pagar sua entrada e consumo ou estivesse na lista vip do dono que muitas vezes preferia ter um pequeno e seleto grupo dentro de seu clube e uma multidão alvoroçada do lado de fora. Frequentada pelos grandes nomes do entretenimento, das artes e do esporte da época, nem todas as celebridades tinham passe livre e as que conseguiam tinham que dividir o espaço com pessoas mais simples, anônimos que agraciados por beleza ou carisma passavam pelo crivo de Rubell que escolhia a dedo quem teria direito a se acabar de dançar e beber por uma noite, geralmente rapazes que julgava interessantes e com quem poderia ter um algo mais sem compromisso. Classificado a rigor como um drama por recontar uma história real com final melancólico, o longa não emociona e tampouco provoca risos. A inserção de vários hits da disco music também não o rotulam como um típico musical. Ainda assim, é uma produção que prende a atenção revelando um pouco do que acontecia naquele inferninho em embalagem luxuosa, ainda que de forma bastante superficial. Para tanto, o roteiro do então estreante Mark Christopher, que também assina a direção, lança mão de alguns personagens ficcionais com perfis com características comuns aos frequentadores da boate. O frentista Shane O’Shea (Ryan Philippe) é um dos desconhecidos que conseguem encantar o dono graças aos seus atributos físicos e adentrar naquele mundo à parte onde drogas e bebidas eram consumidas livremente, assim como o sexo explícito e grupal também era permitido nas áreas comuns.

O filme é narrado pela ótica de O’Shea que relembra alguns fatos envolvendo a ascensão e a decadência da casa noturna. Ele faz amizade com o assistente de barman Greg (Breckin Meyer) e sua esposa, a aspirante a cantora Anita (Salma Hayek), e se apaixona pela atriz Julie Black (Neve Campbell), frequentadora assídua da boate na ânsia de encontrar contatos que a ajudem na carreira, nem que seja preciso ir para a cama com eles. Contudo, seu sonho não era curtir a agitada balada por apenas uma noite, muito menos voltar esporadicamente. Insistente, o rapaz consegue emprego com bartender aliando o útil ao agradável. Infelizmente tais personagens são bastante restritos e não chegam a envolver o espectador, até mesmo porque seus intérpretes trabalham no piloto automático. Das atuações salva-se apenas Myers, escrachado, displicente e depravado como o impetuoso rei da noite novaiorquina. Seu trabalho é relevante não só por retratar alguém verídico, mas também por provar que poderia ir além da caricatura de 007 batizada de Austin Powers, sua criação mais conhecida e em alta na época de lançamento de Studio 54, produção com um rico material histórico para se basear, mas que infelizmente entrega uma trama rasa e que não faz jus ao marco que a boate representou. A trama é rasteira e se atém a acompanhar a rotina do ex-frentista que se resume a diversão e paqueras em pleno auge de sua vida social até perceber a desilusão e o vazio da vida noturna quando uma frequentadora idosa falece em plena farra, mas para Rubell a vida dentro do clube é uma festa e não pode parar, não dando a menor atenção ao fatídico episódio. É quando o rapaz cai em si quanto a sua degradação moral e psicológica. O desenvolvimento do roteiro se acovarda e não vai a fundo na investigação do que levava as pessoas a cometerem loucuras naquele lugar, assim como não é abordada a contento a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, uma inclusive que levou a morte Rubell, dado não revelado quando sua morte é mencionada. Faltou mostrar que a participação naquele universo onde tudo era permitido também cobrava um preço alto mais adiante e com direito a juros. No final, a grande lembrança que fica é o clima nostálgico das festas, ainda que a trilha sonora não seja excepcional. Faltaram hits clássicos para ao menos agitar a insossa produção.

Drama - 101 min - 1998

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